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Investir em educação de qualidade é chave para garantir crescimento de 5% nos próximos anos, apontam economistas e empresários

São Paulo – No seminário da Amcham sobre o que é preciso fazer para o Brasil continuar se desenvolvimento, ensino foi apontado como o tema fundamental.

Por andre_inohara

Delfim Netto, economista, ex-deputado federal e ex-ministro

O desenvolvimento econômico brasileiro tem que ser construído agora, com educação de primeiro mundo. A base para o Brasil crescer 5% de forma sustentável nos próximos anos é um sistema educacional de qualidade e bem administrado.

Acadêmicos, empresários e gestores do setor privado concordam que investir na formação de capital humano é ainda mais importante do que aplicar recursos em máquinas modernas e tecnologia.

Com mais gente qualificada, aumentam a produtividade e a disponibilidade de profissionais capazes de gerar e operar as inovações tecnológicas que resultam em maior competitividade.

Em 2030, a população economicamente ativa atingirá o seu auge, com 150 milhões de cidadãos entre 15 e 64 anos, caindo em declínio depois dessa data. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que esse número era de 131 milhões em 2010.

“Temos que construir uma estrutura econômica e social capaz de dar emprego a esses 150 milhões. Ou teremos sucesso na condução desses problemas ou não teremos competitividade”, disse o economista, ex-deputado federal e ex-ministro Delfim Netto.

Para não perder o bonde da história, o Brasil precisa fazer esse investimento até 2022. “Temos uma janela [de oportunidades] de dez anos nessa relação de dependência. A relação entre os educados que têm que trabalhar e seus dependentes vai crescer e, se queremos o objetivo de dar emprego de boa qualidade, temos que melhorar a produtividade”, acrescenta Netto.

Delfim Netto foi o mediador de painel com economistas no seminário “O que devemos fazer já para crescer 5% pelas próximas duas décadas?” da Amcham-São Paulo, realizado nesta quinta-feira (20/09).

Para ele, tão importante quanto melhorar a qualidade e expandir o sistema público de ensino é administrá-lo bem. “O problema da educação não é recurso, e sim sua gestão. Poderíamos definir as prioridades em um conselho nacional de educação, e transferir os recursos para estados e cidades”, sugere.

Formação de capital físico e humano

Em pesquisa realizada pela Amcham com os executivos que participaram do evento sobre qual das propostas debatidas e apresentadas pelos economistas são prioritárias aos seus negócios, 32% responderam que a ênfase da política de desenvolvimento deveria recair prioritariamente sobre a formação de capital físico e humano.

O público presente também votou propostas apresentadas em um segundo painel, com grandes empresários, para o crescimento sustentável do Brasil. A preferida, com 30% dos votos, foi transformar a educação em alicerce de crescimento e competitividade através da elevação do seu investimento para 10% do PIB (Produto Interno Bruto).

Visão dos empresários

Em curto prazo, o capital humano poderia se desenvolver mais no Brasil com a flexibilização de medidas legais para trazer profissionais qualificados de fora e até os aposentados. “Na China, temos sócios aposentados trabalhando três a quatro meses por ano, como mão de obra contingente”, disse Fernando Alves, presidente da PwC e conselheiro da Amcham.

“Também temos profissionais de primeira disponíveis para trabalhar, mas que não podem vir por falta de flexibilidade da imigração. Isso tudo impacta a competitividade e a produtividade, sem falar que tangencia a educação e a falta de qualificação de mão de obra”, comenta.

A saída que a consultoria adota para lidar com o gap de profissionais qualificados no País é o treinamento interno. “Somos uma empresa de 5 mil pessoas no Brasil, com 90% dos funcionários com nível superior e 700 deles com MBA. E gastamos 350 mil horas homem com formação profissional”, revela.

No setor de mineração, a falta de mão de obra também é muito sentida. “A qualificação que a indústria de base precisa é alta. Para nós, mais importante do que saber fazer é como”, segundo Franklin Feder, CEO da Alcoa.

Sofisticação da pauta exportadora e estabilização do salário real

Em que pese a grande concentração de propostas em torno do tema da educação, o debate da Amcham perpassou sugestões em variadas frentes.

O professor da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo) Gilson Tadeu Lima propõe duas ações de curto prazo para aumento de competitividade: mudança da estrutura exportadora e estabilização do salário real de forma sustentável, uma vez que representa custo significativo para a indústria.

“É necessário não apenas pensar em uma elevação do volume exportado, mas da pauta exportadora, e adotar padrões tecnológicos que tornem nossa exportação mais competitiva”, afirma o professor.

Uma trajetória de crescimento sustentável brasileiro passa por maior inserção no mercado internacional e pela criação de superávit, defende Lima. 

Outro componente importante é a pressão de aumentos salariais sofrida pela indústria, causada pela disputa aquecida por mão de obra qualificada. Se por um lado a trajetória crescente da renda aumenta o poder aquisitivo e a capacidade de consumo de produtos inovadores, por outro representa um fator de custo capaz de limitar os investimentos da indústria.

“As perspectivas de contratação decairão se os salários tiverem uma trajetória crescente”, argumenta Lima. “Mas [salários em elevação] também são um combustível importante para o mercado onde a produção será comercializada, dada a sua característica de gerar demanda”, acrescenta.

Lima também abordou o aspecto da renda como fator incentivador à educação. “A única categoria de família que teve aumento expressivo dos gastos com educação foi o daquelas comandadas por empregados domésticos. Os extratos menos qualificados estão avançando, ainda que a passos insuficientes”, comenta o professor.

Defesa da estabilidade macroeconômica como garantia de crescimento sustentável

Uma economia como a brasileira não teria dificuldades para crescer 5% ao ano. “O desafio é crescer em ambiente macroeconômico estável”, argumenta Pedro Garcia Duarte, professor do departamento de economia da FEA-USP. “Para conseguir esse crescimento sem pressão inflacionária, o fator crucial é a ampliação da capacidade produtiva”, diz.

Nesse sentido, orientar a política econômica para manter a estabilidade de preços é essencial. “O desafio é a redução das taxas de juros domésticas e do enorme spread bancário que ainda pesa entre o tomador de empréstimo e a taxa de juros”, explica o acadêmico.

Se as condições da economia não puderem garantir previsibilidade, os investimentos futuros serão prejudicados. “A estabilidade é fundamental para o financiamento de longo prazo barato. Ele é necessário, seja interno ou externo, privado ou não.”

Além da estabilidade econômica, a capacidade produtiva também é influenciada por dois fatores: bônus demográfico – aumento da força de trabalho economicamente ativa em relação à população que não trabalha – e produtividade. “O aumento físico da força de trabalho traz uma maior participação feminina no mercado, mas não se pode contar apenas esse fator. A produtividade é crucial”, destaca.

A saída para a maior produtividade é investir em tecnologias e formação profissional, continua o professor. “Ambientes de maior crescimento propiciam maior aumento da capacidade produtiva. Na América Latina, um ambiente desse permite uma expansão a taxas de 2 a 2,5 pontos percentuais acima de ambientes com tamanho reduzido de mercado. Na Ásia, essa taxa chega a ser 3,5 pontos percentuais superior”, compara o professor.

Educação aumenta produtividade

Investir em educação não só aumenta produtividade, como ajuda a diminuir o desequilíbrio social. “Mais educação significa salários e consumo melhores”, observa Naércio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper.

Um profissional só se desenvolve para o mercado através da capacitação educacional e acesso a bons tratamentos de saúde, detalhou o professor do Insper. “A educação aumenta a produtividade das pessoas. Isso se reflete na produtividade das empresas, que podem investir em novas tecnologias e mecanismos gerenciais.”

Enquanto o Brasil não melhorar a qualidade da educação, terá que depender de políticas de curto prazo – como o câmbio e desoneração tributária – para manter seu crescimento. “O problema é que elas não mexem com nosso crescimento no longo prazo”, pondera Menezes.

Menezes compara a produtividade do brasileiro, considerada baixa em relação aos americanos “O que o operário americano leva para produzir em um dia, o brasileiro leva cinco. Já o coreano é três vezes mais produtivo do que o brasileiro. Para competir, precisamos ser mais produtivos, principalmente em face do esgotamento do crescimento da população”, ressalta.

Aliança entre governo e empresariado precisa ser reforçada

O caminho do crescimento prevê novas bases de diálogo entre setor privado e publico, de acordo com Gesner Oliveira, da GO Associados.

“Há muita desconfiança dos dois lados. Para o empresário, o burocrata é um acomodado. Ele, por sua vez, pensa que o empresário é ganancioso. É preciso mudar, adotando melhores práticas em regulação e dar os incentivos corretos”, de acordo com Oliveira.

A promoção das parcerias público-privadas (PPPs) é fundamental para o crescimento, pois o Estado não conseguirá, sozinho, expandir a infraestrutura logística necessária para aumento de competitividade. “Cada um assume maior risco na área em que tem mais competência”, argumenta Oliveira.

O futuro é encarado com otimismo pelo consultor. “O fato de conseguirmos pensar nas duas próximas décadas é um fato que dá para ficar otimista. A sociedade acordou para o problema da infraestrutura, e da falta de capital físico e humano nas suas relações”, argumenta.

Por: André Inohara 

 

 

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