Ferramentas Pessoais

Setores representativos da economia se mantêm otimistas para 2012

— registrado em:
04/10/2011 17:35
  • Tamanho: A A A
Setores representativos da economia se mantêm otimistas para 2012

Mailson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria

Os empresários estão confiantes de que 2012 será um ano positivo para os negócios, mesmo com a perspectiva de agravamento dos cenários externo e interno, incluindo a crise fiscal que ameaça a Europa, uma possível desaceleração na China e incertezas em relação à inflação doméstica.

“Ainda que o Brasil cresça a 3,5% em 2012 a uma inflação de 6% e com algumas incertezas no rumo da política econômica, trata-se um cenário muito melhor do que aquele que prevaleceria se o Brasil não tivesse resistência a questões externas”, disse o sócio da consultoria Tendências e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.

“O Brasil terá um quadro muito melhor do que o dos países desenvolvidos”, acrescentou ele, durante o evento “Business Round Up – Perspectivas 2012” ocorrido nesta terça-feira (04/09) na Amcham-São Paulo.

Sobre as questões externas, a consultoria Tendências avalia três cenários para a crise da Grécia, sendo que o mais provável é a saída ordenada com redução substancial do endividamento, o que envolveria a renegociação da dívida grega em condições mais favoráveis e a consequente capitalização dos bancos credores pelos governos europeus.

As outras duas alternativas são o ajuste fiscal grego com aumento da carga tributária, o que tenderia a resultar em conflitos políticos e sociais, e uma saída desordenada, que seria a moratória.

Quanto à China, o ex-ministro disse que há controvérsias entre os maiores economistas sobre o ritmo de desenvolvimento da atividade nos próximos anos. Nas projeções mais pessimistas, a desaceleração resultaria em uma expansão mais modesta, de de 5% em 2012, e, nas visões mais favoráveis, de 9,5%.

Conforme a consultoria, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil aumentará 3,5% neste ano e 3,7% em 2012. “No próximo ano, haverá crescimento econômico com geração de emprego e aumento (de 5,7%) da massa salarial”, disse Nóbrega.

Para o ex-ministro, a inflação brasileira superará o teto da meta de 6,5% estabelecido pelo Banco Central, atingindo de 6,6% a 6,8% neste ano. Nóbrega estima que a inflação cairá para abaixo do teto em 2012, em torno de 6%.

Câmbio e Selic

As projeções para o câmbio neste ano estão complicadas devido às turbulências externas. “A única coisa que sabemos no regime de câmbio flutuante é que o câmbio flutua", brincou Nóbrega. "Está difícil prever, mas acredito que poderá fechar o ano no patamar de R$ 1,60”, assinalou.

Em relação à taxa Selic, Maílson da Nóbrega estima que o juro básico feche 2011 em 10,5% ao ano, caindo para 9% no final de 2012.

Alimentos

O otimismo predominou entre os setores presentes ao debate: alimentos, varejo, construção civil, tecnologia da informação e máquinas, e equipamentos.

Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), afirmou que o crescimento em sua área será baseado na pujança do mercado interno com um volume maior de produtos de mais valor agregado.

No âmbito das exportações, o setor está conseguindo incluir na pauta novos produtos de valor agregado e não vem sendo afetado pela crise no que se refere à venda de produtos básicos, que representam a maior parte das vendas externas.

“As commodities (agrícolas) ainda estão em alta e o decréscimo de preços ainda não ocorreu porque as reservas mundiais são baixas”, afirmou Klotz.

Para este ano, a Abia projeta um faturamento 17% maior que os R$ 330 bilhões de 2010, chegando a R$ 390 bilhões. Em 2012, se as projeções de ampliação das vendas em 7% se confirmarem, o setor terá alcançado um volume de R$ 417 bilhões.

Varejo

O varejo também é um dos setores que não devem sentir tanto os impactos da turbulência internacional. “O varejo depende de emprego e renda, e esses fatores permanecerão abundantes e contribuirão para o consumo em 2012”, disse Jorge Gonçalves, conselheiro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV).

O IDV representa as 40 maiores empresas varejistas do País, responsáveis por um faturamento anual de R$ 100 bilhões.

O País demonstrou capacidade de adaptação durante a crise de 2008, com a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) na linha branca e para material de construção.

Por isso, Gonçalves acredita no poder de reação da economia brasileira caso o cenário global se deteriore.

O crescimento médio do varejo, segundo cálculos, do IDV, ficará em torno de 7% neste ano. Para 2012, a expansão do segmento deve prosseguir nesse nível, de acordo com o instituto.

Alguns setores vêm apresentando ritmo mais forte. Entre eles, estão Informática e Comunicações, que crescem 20% ao ano, Móveis (15%) e Materiais de Construção (10% a 12%), citou Gonçalves.

Construção civil

O setor de construção vive um momento excepcional, disse Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon). “Em 2010, crescemos 13%, descontada a inflação do setor. Neste ano, devemos ter uma ampliação de 5%.”

Se a crise europeia não se agravar, o setor tende a apresentar taxas anuais de expansão de 4% a 4,5% nos próximos cinco anos, estima o representante do SindusCon.

Watanabe também comentou que o crédito imobiliário somou, até agosto, R$ 37 bilhões, aumento de 55% em relação ao mesmo período de 2010. “Um aumento do crédito habitacional na ordem de 30% a 40% não seria nada exagerado para o próximo ano”, comentou Maílson da Nóbrega, da consultoria Tendências.

TI

A confiança do setor de Tecnologia da Informação (TI) para 2012 vem do fato que, quando as empresas crescem, precisam de mais equipamentos e softwares.

Por sua vez, a base de usuários de tecnologia é alargada pela ascensão da classe C, de acordo com Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

“Estão aumentando as novas aplicações em diversas áreas, como educação, saúde, segurança e bancos”, indicou.

O mercado de TI, hoje, é responsável por um faturamento de US$ 85 bilhões, sendo apenas US$ 2,5 bilhões resultado de exportações. A perspectiva de crescimento para este ano é de 13% a 15% e, para 2012, espera-se algo na mesma faixa.

Máquinas e Equipamentos

Relutantemente, o setor de Máquinas e Equipamentos admite que o ano de 2012 será melhor que 2011.

“Apesar de alguns problemas que enfrentamos, cresceremos 6% em 2012. O futuro é bom, mas limitado. Para avançar mais, seriam necessárias modificações”, afirmou Márcio Ribaldo, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Ribaldo explicou que a indústria de transformação nacional é altamente sofisticada e responsável por máquinas e equipamentos inovadores e eficientes. Porém, a indústria perde competitividade dos portões para fora devido ao Custo Brasil, formado por altos impostos e juros, além de preços elevados dos insumos.

“A indústria de transformação é competitiva. O Brasil é que não é. Nossos produtos são 37% mais caros dos que os da Alemanha e 43% superiores aos dos Estados Unidos”, observou.

O diretor também criticou o fato de o País exportar commodites, como bauxita e minério de ferro, e importar seus derivados a custos elevados, como o alumínio e aço. “Devemos mudar nossa cultura e exportar produtos de maior valor agregado”, defendeu.

 

Por: André Inohara e Daniela Rocha

** A reprodução deste conteúdo é permitida desde que citada a fonte Amcham.
Compartilhe:

Amcham São Paulo

Rua da Paz, 1431
CEP: 04713-001 - Chácara Santo Antonio - SP
Tel.: (11) 3324-0194
Fax: (11) 5180-3777
Contate-nos por e-mail

A regional Como chegar
 
©1995-2012 Copyright AMCHAM - Câmara Americana de Comércio. Todos os direitos reservados