Ferramentas Pessoais

Mudança de cenário exige do gestor financeiro um papel estratégico maior, de acordo com sócio da PwC

— registrado em:
20/06/2012 09:15
  • Tamanho: A A A
Mudança de cenário exige do gestor financeiro um papel estratégico maior, de acordo com sócio da PwC

Luiz Eduardo Viotti, sócio líder de Consulting Finance da PwC Brasil

Fornecer análises financeiras mais qualificadas e baseadas nas características do negócio é uma habilidade que os profissionais da área de finanças verão ser cada vez mais valorizada pelas empresas. Em tempos de concorrência acirrada, o profissional financeiro moderno é aquele que, além atuar com responsabilidade na gestão de riscos e custos, desenvolve uma aguçada visão estratégica e fornece análises qualificadas sobre o mercado, a concorrência e oportunidades.

Essa constatação foi amparada por uma pesquisa mundial da consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers) sobre os desafios da função financeira e as melhores práticas no setor, e está em linha com o que se exige do executivo financeiro no Brasil.

Veja aqui: Departamento financeiro eficiente automatiza rotinas e atua como parceiro de negócio

Automatizar e padronizar processos são lemas para áreas de finanças serem consideradas “best in class”

“Questões de compliance, eficiência e visão de negócios fazem parte das atribuições do profissional de finanças”, diz Luiz Eduardo Viotti, sócio líder de Consulting Finance da PwC Brasil, que mediou o evento CFO Forum, organizado pela Amcham-São Paulo na quinta-feira (14/06).

Leia abaixo a entrevista de Viotti ao site da Amcham:

Amcham: Quais são os principais destaques da pesquisa da PwC e como ela reflete a realidade brasileira?

Luiz Viotti: No painel de discussões sobre as melhores práticas da área financeira, procuramos trazer um microcosmo que representasse a realidade internacional e brasileira ao mesmo tempo. Das 130 empresas ouvidas em nossa pesquisa, sete estão estabelecidas no Brasil. Algumas delas são multinacionais estrangeiras que têm o seu principal mercado no Brasil. Na pesquisa, pudemos capturar bem as diferentes nuances das responsabilidades dos profissionais de finanças. Selecionamos uma amostra com o universo mais sofisticado das empresas, vimos que algumas estão claramente mais avançadas, como o Google. Apesar de ser uma organização muito nova, está em um estagio mais avançado de práticas de finanças. A Johnson & Johnson e a Avon, bem como outras empresas, estão buscando chegar a um nível de eficiência nos processos de negócios que permitam trazê-las para o patamar de parceiro de negócios.

Amcham: Que conclusões podem ser extraídas da pesquisa?

Luiz Viotti: Ela reflete muito bem a realidade do mercado local. Dos 130 participantes, poucos foram brasileiros. Independente disso, ficou claro para mim nas conversas prévias com as empresas que participaram do evento [da Amcham] que o dia a dia deles é exatamente o mesmo das empresas que responderam à pesquisa. Questões de compliance, eficiência e visão de negócios (business insight) fazem parte dessa atuação.

Amcham: Esse é o tripé que norteia a atuação da área financeira?

Luiz Viotti: Certamente. O grande segredo para ser bem sucedido é conseguir fazer o equilíbrio desse tripé. O que vemos às vezes são CFOs preparados para questões de compliance e eficiência, mas muito pouco prontos para a visão do negócio. Esses CFOs terão vida curta porque, à medida que as empresas amadurecem e entram em mercados mais competitivos, são necessárias decisões mais ágeis pelos seus pares.

Amcham: Como equilibrar a boa atuação em compliance, eficiência e visão do negócio?

Luiz Viotti: O CFO que se preparar para atender as necessidades da empresa e se expuser mais ao mercado terá que montar o tripé de forma bastante equilibrada. Nem todas as empresas vão conseguir equilibrar o tripé ao mesmo tempo porque isso depende do estágio de maturidade e capacidade do CFO de se cercar das pessoas certas. A área de finanças depende mais de pessoas do que de tecnologia e não é fácil no mercado, que está escasso de recursos humanos qualificados, conseguir as pessoas certas para exercer essas atribuições no nível adequado.

Amcham: Em outra pesquisa, desta vez realizada pela Amcham com os participantes do evento, os executivos financeiros demonstraram otimismo em relação ao desempenho das empresas neste ano, a despeito de um cenário exterior pessimista. Isso chega a ser uma surpresa para o sr.?

Luiz Viotti: O Brasil tem uma posição muito privilegiada. Ouvimos dos economistas que o problema do Brasil não é o tamanho do seu mercado interno nem o crescimento do poder aquisitivo do consumidor, mas há questões fundamentais da economia que têm que ser resolvidas, como todos os gargalos tributários e a infraestrutura logística.

Amcham: O primeiro painel tratou da influência do cenário internacional para as empresas brasileiras. Diante de um quadro de crise nas economias desenvolvidas, sobretudo as europeias, qual a sua avaliação de efeito para as empresas brasileiras e seus CFOs?

Luiz Viotti: No Brasil, o CFO tem que ser um malabarista e se adequar a todos os cenários porque as empresas brasileiras cresceram muito nos últimos anos em função das exportações de commodities para a China e outros países. Enquanto esse mercado estiver forte lá fora, as empresas terão um amplo canal de exportação. Não se sabe até quando esse ciclo de commodities vai durar, e vemos alguns sinais de desaquecimento. É por isso que o CFO tem que estar preparado para mudar uma equação financeira dentro das empresas que hoje talvez seja muito dependente de exportações e focar mais no mercado nacional, que não para de crescer.

** A reprodução deste conteúdo é permitida desde que citada a fonte Amcham.
Compartilhe:

Amcham São Paulo

Rua da Paz, 1431 - Chácara Santo Antônio
São Paulo - SP
CEP: 04713-001
Tel.: (11) 4688-4102
Fax: (11) 5180-3777
Contate-nos por e-mail

A regional Como chegar
 
©1995-2013 Copyright AMCHAM - Câmara Americana de Comércio. Todos os direitos reservados