Somente importação de mão de obra não resolve escassez de talentos, diz diretor da Manpower
A contratação de profissionais estrangeiros para atuar no Brasil é importante para entrar em contato com novas tecnologias, mas ela, em si, não resolve a carência de gente qualificada.
Para Riccardo Barberis, diretor (country manager) da consultoria de RH ManpowerGroup, é preciso criar soluções de médio e longo prazo para formar e absorver os trabalhadores especializados em conjunto com todos os setores envolvidos (empresários, governo e instituições acadêmicas).
“Um país como o Brasil não pode enfrentar a escassez de talentos só com mobilidade internacional. É preciso criar soluções sistêmicas onde a empresa, a escola e o governo pensem em criar juntos uma nova dinâmica, mais harmônica, para o mercado de trabalho”, afirmou, após a realização conjunta dos comitês de Legislação e Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo em 06/07.
Leia abaixo a entrevista de Barberis ao site da Amcham:
Amcham: A pesquisa da Manpower aponta que o Brasil é um dos países que mais sente os impactos da escassez de profissionais qualificados. Nesse contexto, como o sr. avalia a busca de profissionais estrangeiros para atuar no Brasil?
Riccardo Barberis: Creio que é um movimento que deve continuar. Mesmo em um cenário de incerteza econômica, o Brasil tem potencial de crescimento que permanece em médio e longo prazo. Mas a necessidade de se lidar com a escassez de talento é um fator competitivo e não apenas uma questão contingencial. O Brasil precisa de mais competência, e a mobilidade internacional é uma das respostas.
Amcham: Poderia dar mais detalhes?
Riccardo Barberis: Um país como o Brasil não pode enfrentar a escassez de talentos só com mobilidade internacional. Ela é relevante e sem dúvida vai ser ainda mais no futuro, mas hoje o Brasil precisa de soluções sistêmicas onde a empresa, a escola e o governo criem juntos uma nova dinâmica, mais harmônica, de mercado de trabalho.
Amcham: E como seria essa solução sistêmica?
Riccardo Barberis: Cada um desses players cede à tentação de identificar caminhos separadamente. Acho que o Brasil tem a oportunidade de construir hoje uma visão mais sistêmica do mercado do trabalho do futuro, com cada um deles fazendo a sua parte, mas de forma integrada.
Amcham: Em sua apresentação no comitê, o sr. mencionou que a atração de talentos estrangeiros deve evoluir para política de estado. Como isso ocorreria?
Riccardo Barberis: O Brasil já tem muitas coisas atrativas, então porque não reforçar a marca do País para criar um ambiente internacionalmente amigável que seja capaz de atrair pessoas pela sua estrutura de assistência familiar e de ambiente favorável de trabalho? É isso que o estrangeiro olha quando está avaliando um trabalho no exterior.

