Música contemporânea e poesia em cena no Rio de Janeiro
21/10/2000
Três cantores, sete músicos e três atores apresentam a partir de terça-feira (24) o espetáculo de música contemporânea O (In) Dizível, em que se mesclam declamação, canto e instrumentos, movimento cênico e luzes, com música de Marisa Rezende e concepção cênica de Bel Barcellos. A espinha dorsal da obra é o poema Nona Elegia, de Rainer Maria Rilke.
Marisa Rezende é professora titular de composição da Escola de Música da UFRJ, com doutorado pela Universidade da Califórnia – Santa Bárbara. Bel Barcellos, sua filha, é artista plástica, com mestrado em Artes Cênicas pela Universidade de Hull, Inglaterra.
O espetáculo será apresentado no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro (Rua Humaitá, 163, telefone 266-0896), nos dias 24, 25, 27, 28 (às 21 horas) e 29 de outubro (às 20 horas). O ingresso custa R$ 10,00 (estudantes e pessoas de 65 anos de idade ou mais pagam meia entrada). No elenco estão o ator Isaac Bernat, que recita a Nona Elegia ao longo do espetáculo, Doriana Mendes (soprano), Solange Badim (mezzo-soprano), Marcelo Coutinho (barítono), o Grupo Música Nova – Marcos dos Passos (clarineta), João Luiz Areias (trombone), Alexandre Brasil (contrabaixo), sob a regência de André Luiz Goes e com a participação especial de Maria Haro (violão), Oswaldo de Carvalho (violino), João Vidal (piano) e Leonardo Fuks (djeridu, instrumento dos nativos da Austrália). Joyce Niskier assina a direção de movimento, a iluminação é de Wilson Reiz e os atores Marta Barcellos e Eduardo Amir completam o conjunto.
O (In) Dizível é música contemporânea que bebe em fontes populares. Segundo Marisa Rezende, na maior parte dos casos o repertório de música erudita contemporânea exige muita técnica do intérprete. “Procura-se fazer a voz equivaler a um instrumento, buscar os extremos do registro, dar saltos”, explica. “Tudo isso deixa o cantor muito preocupado em realizar bem essas proezas. A expressividade fica prejudicada. Mas não se deve generalizar. Há pessoas que se especializaram no repertório contemporâneo e são excelentes”.
Usar como referência a música popular deu à compositora um horizonte diferente. “Nunca tinha feito isto na música de concerto. Para mim, ouvem-se no trabalho referências muito forte à música popular. Pessoas que viram os ensaios dizem que não, é ainda muito marcadamente música contemporânea”.
Marisa Rezende recebeu uma Bolsa Vitae de Artes para compor as canções da obra a partir de poemas de Vinícius de Moraes, Orides Fontela, Ivan Fonseca e do próprio Rilke. Embora o espetáculo seja de curtíssima temporada, a compositora investiu uma parte do tempo e da energia para realizar ensaios rigorosos. Um dos objetivos foi dar aos cantores a possibilidade de dispensar as partituras:
“Queria que atingissem flexibilidade com relação ao tempo musical. Para poder interpretar a música com seus próprios sentimentos, o cantor deve estar absolutamente seguro a respeito de entradas, notas, ritmo, dinâmica. Foram mais de 30 ensaios para um espetáculo que tem 30 minutos de construção musical.”
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