Escândalo político agita mercado financeiro

06/05/2002

SÃO PAULO - O mercado financeiro brasileiro reagiu mal à denúncia de suposto pedido de propina na venda da Companhia Vale do Rio Doce. A reportagem da revista Veja se tornou o assunto do dia e gerou grande turbulência nos negócios. O dólar comercial já abriu com forte alta e encerrou a manhã cotado a R$ 2,434 na compra e R$ 2,436 na venda, 1,16% acima do fechamento de sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair 2,26% e encerrou a primeira etapa do pregão viva-voz em queda de 1,60%.

- A questão eleitoral é hoje o motor da piora do mercado, que já vem mal há algumas semanas. O mercado nem precisa hoje de rumores, porque há fatos suficientes para o nervosismo — disse Pedro Thomazoni, diretor de renda variável do Lloyds TSB.

Ele avalia que o cenário permanecerá negativo para a Bovespa até as eleições, já que não existe entre os investidores a disposição de comprar ações num cenário indefinido. O analista diz que há um consenso no mercado de que as ações estão baratas, devido às sucessivas quedas, mas que nem isso está atraindo os investidores.

Thomazoni ressalta que o mês de maio é bastante importante para a candidatura de José Serra, pois é o período em que os partidos definem os candidatos. Com isso, o mercado precifica a possibilidade de troca do candidato do PSDB.

- Este mês será um período de trabalho político para o candidato José Serra manter a sobrevivência de sua candidatura. É muito difícil essa mudança ocorrer, mas o risco não é desprezível - disse ele.

Nos negócios na Bovespa, os destaques do dia foram justamente das ações das empresas citadas na reportagem sobre o suposto pedido de propina. As ações ordinárias da Companhia Siderúrgica Nacional têm queda de 4,9%, a maior do Ibovespa. Já Vale do Rio Doce PNA tem alta de 3,1%, a maior do índice.Telemar PN, ação mais negociada da Bovespa, tem queda de 0,68%. Petrobrás PN, segunda mais negociada, recua 1,43%.

No mercado de câmbio, a manhã foi de volatilidade. A cotação de venda da moeda americana oscilou entre a mínima de R$ 2,426 e a máxima de R$ 2,441. Segundo Mário Battistel, diretor de câmbio da corretora Novação, a tensão com o cenário político não aumentou as operações de hedge (proteção), mas colaborou para a volatilidade, que atrapalhou os negócios de importadores e exportadores.

- A volatilidade é grande e, com isso, uma operação que em princípio parece vantajosa se mostra ruim minutos depois - conta.

No mercado futuro, o dólar para liquidação em junho está em R$ 2,465, com alta de 1,14%.

Paula Dias, do GloboNews.com

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