Risco baixa mais, dólar fecha estável e Bolsa tem recorde
27/12/2004
SÃO PAULO - O mercado brasileiro viveu um dia de calmaria nesta segunda-feira. No mesmo dia em que o risco-país baixou a 377 pontos-base (-2,08%), atingindo o menor patamar desde outubro de 1997 (337 pontos-base), a Bolsa de Valores de São Paulo encerrou os negócios com pontuação recorde de 26.936 pontos, alta de 0,23% e volume financeiro de R$ 974,8 milhões, menor que a média das últimas semanas.
Já o dólar, que chegou a subir 0,66% pela manhã, perdeu força e fechou praticamente estável. A moeda americana terminou o dia a R$ 2,688 na compra e R$ 2,690 na venda, com baixa de 0,04% sobre o fechamento de sexta-feira. O Banco Central voltou a comprar dólares diretamente no mercado à vista, mas não impediu o recuo da cotação.
Risco-país
O risco-país brasileiro, calculado pelo JP Morgan, reflete o comportamento de uma cesta de títulos da dívida externa brasileira. Quanto mais valorizados esses papéis, menor o conceito de risco do país, utilizado como um termômetro da confiança depositada pelos investidores estrangeiros na economia.
O C-Bond, principal título brasileiro, fechou em alta de 0,05%, aos 102,18% do seu valor de face. O Global 40 recuou 0,12%, a 118,50% do seu preço.
Segundo Ofir Elias Filho, diretor da área internacional da corretora Liquidez, a valorização do real, as taxas de juros internas elevadas e a movimentação política para organizar a microeconomia brasileira são fatores que vão tornar o Brasil o alvo preferencial de investidores nos países emergentes.
- Essa tendência deve ser mantida no início de 2005 - diz o analista.
Para ele, o cenário positivo do Brasil, associado a corte de juros em países como a Turquia, deverá manter o risco-país abaixo dos 400 pontos pelo menos no primeiro trimestre de 2005.
Ações
Durante o dia, o Ibovespa chegou a superar a barreira dos 26 mil pontos, atingindo a máxima de 26.084 pontos (+0,8%). Mesmo com a desaceleração no final do pregão, o índice passa a contabilizar valorização de 3,2% em dezembro, com grandes chances de voltar a liderar o ranking de aplicações do mês.
O recuo do petróleo, do dólar e do risco-país brasileiro foram influências positivas para o mercado de ações, que minimizou o desempenho negativo das bolsas asiáticas e americanas. A redução das expectativas de inflação para 2005 (de 5,76% para 5,70%) também contribuiu.
Petrobras PN foi a ação mais negociada do dia e fechou em alta de 0,11%, mesmo com a forte queda do petróleo no mercado internacional. Na análise por grupos de ações, os papéis do setor de energia elétrica foram destaque, com alta média de 0,8%.
Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores altas foram de Siderúrgica Tubarão PN (+4,1%) e Telemar ON (+3,6%). As quedas mais significativas do índice foram de Telesp Celular Participações PN (-2,5%) e Telemig Participações PN (-2,1%).
Dólar
Segundo Hideaki Iha, da corretora Souza Barros, fatores como a queda do petróleo e a nova desvalorização do dólar frente ao euro foram determinantes para o recuo da cotação em um dia de negócios bastante reduzidos. Além disso, o cenário externo se manteve tranqüilo e com notícias positivas, como o superávit de US$ 1,18 bilhão da balança comercial na quarta semana de dezembro.
Pela manhã, a liquidez reduzida e algumas remessas de recursos ao exterior pressionaram o dólar. O BC anunciou o leilão de compra no período da tarde, quando a cotação já ameaçava inverter a trajetória, sucumbindo à tendência internacional. A instituição comprou pequena quantidade de recursos, por até R$ 2,696. Na mínima, a cotação de venda chegou a R$ 2,688 (-0,11%).
- O ano está praticamente terminado, e com o dólar a uma cotação que ninguém esperava até pouco tempo atrás. O conceito interno é positivo e lá fora os investidores não param de "bater" no dólar. Nós pegamos o vácuo desse movimento - disse Iha.
As projeções dos juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam em alta, ainda em um ajuste ao tom conservador da política monetária do Banco Central. O destaque do dia foi a redução da expectativa de inflação para 2005, que recuou de 5,76% para 5,70%, segundo o Boletim de Mercado do BC. Mesmo assim, as apostas são de mais um aumento da taxa Selic em janeiro, a contar pelo teor da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
O Depósito Interfinanceiro (DI) de abril, o mais negociado, fechou com taxa de 18,20% ao ano, contra 18,19% do fechamento de quinta-feira. O DI de julho teve a taxa elevada de 18,34% para 18,37% anuais. A taxa do DI de outubro passou de 18,17% para 18,23% anuais. A taxa Selic é hoje de 17,75% ao ano.
Paralelo
O dólar paralelo negociado em São Paulo e no Rio fechou estável nesta segunda-feira. Em São Paulo a cotação ficou em R$ 2,93 na compra e R$ 3,01 na venda. No Rio, o "black" terminou o dia a R$ 2,82 na compra e R$ 2,95 na venda. O dólar turismo de São Paulo também não variou e ficou em R$ 2,69 e R$ 2,86 na compra e venda, respectivamente.
Paula Dias, Globo Online
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