País requer planejamento educacional para aumentar exportação de software

13/11/2006

Ricardo Saur,
diretor executivo da Brasscom
“O Brasil precisa de um plano estratégico de educação em Tecnologia da Informação (TI) para ganhar espaço no mercado mundial de software e serviços. A informação é de Ricardo Saur, diretor executivo da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços de Exportação).

“Se não fizermos algo com urgência na educação, não trabalharmos internamente na formação técnica e no ensino do inglês, teremos apenas um vôo de galinha neste setor, que tem uma janela de oportunidade importante”, destaca Saur. Ele participou nesta segunda-feira (13/11), do Workshop de Iniciativas de Exportação de Software na Amcham- São Paulo.

O executivo citou o recente estudo do banco americano JP Morgan sobre investimentos e oportunidades de comércio no mundo. De acordo com o trabalho, há um peso de 60% relacionado a capacitação, treinamento e educação na hora de fechar um negócio no setor de software e TI.

Nos próximos quatro anos, avalia Saur, o Brasil pode ampliar as exportações de software e serviços de TI dos atuais US$ 400 milhões para US$ 5 bilhões. O salto, porém, não será possível sem no mínimo 100 mil novas contratações.

“O grosso deste número empregos que precisam ser gerados é relativo a programadores, mas também necessitaremos de profissionais universitários e muitos mestres e doutores”, comenta.

Mercado explosivo

De acordo com a Nasscom (National Association of Software, a associação das empresas de software da Índia), haverá um crescimento da exportações de softwares e serviços em todo o mundo para US$ 110 bilhões até 2010. Em 2006, esta cifra fechará em torno de US$ 35 bilhões. Do total projetado daqui a quatro anos, a Índia é candidata a uma fatia de US$ 60 bilhões, e o Brasil de US$ 5 bilhões.

Saur afirma que a iniciativa privada tem que interagir com universidades e cursos técnicos, além de ser pró-ativa, garantindo capacitação adequada. Segundo ele, a Brasscom, lançou há poucos dias a Certificação Englisoft, um teste de proficiência em inglês, que avalia o conhecimento de termos da área de TI.

“Notamos que muitas empresas gastavam muito colocando os funcionários em escolas de inglês, mas na prática, ainda faltava o conhecimento técnico”, ressaltou. Pelo Englisoft, é possível aferir o conhecimento dos profissionais, direcionando melhor o ensino e reduzir gastos de RH. Os testes, custam cerca de 400 reais e podem ser realizados em 120 pontos distribuídos por todo o País.

O inglês técnico, argumenta Saur, é fundamental para alavancar as exportações de software e serviços. “Perdemos muitos negócios para a Índia e outros concorrentes, onde os profissionais costumam ser fluentes”, conclui.


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