Companhias ainda buscam atrair e reter profissionais pela remuneração

10/04/2008

Willian Bull,
principal da Mercer
Pesquisa internacional da Mercer mostra que as empresas ainda concentram sua estratégia de atração e retenção de executivos essencialmente em remuneração. A prática, na visão de Willian Bull, principal da consultoria, pode ser vista como um dos grandes responsáveis pela alta rotatividade dos profissionais no mercado.

“O foco tem sido na remuneração. Talvez por isso se verifique tão pouco tempo de permanência nas cadeiras-chave”, diz ele, que participou nesta quinta-feira (10/04) do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo.

Bull revela que a constatação foi uma surpresa, uma vez que eram esperadas práticas mais inovadoras. “É preciso olhar valores e motivação interna, que são intangíveis, mas têm um impacto fantástico”, recomenda.

O levantamento "Práticas Globais de Atração e Retenção de Talentos" foi realizado entre maio e julho de 2007 com quase 170 companhias localizadas na Ásia (44%), nas Américas (39%) e na Europa (17%).

Rotatividade

O estudo da Mercer mostra que o pico da rotatividade (41%) acontece entre profissionais com dois a três anos de casa, seguidos por aqueles que registram entre seis meses e um ano de serviço (32%). Revela também que são os jovens entre 25 e 29 anos os maiores responsáveis pelo turnover (38%).

As áreas líderes em rotatividade identificadas são operações (acima de 60%), marketing, engenharia e finanças e contabilidade (entre 40% e 50%).

Relacionamento e significado

De acordo com Bull, outro destaque do levantamento é que, quando elencam fatores relacionados à retenção distintos de remuneração, as empresas dão importância ao relacionamento do funcionário com seu líder imediato. “Em última instância, é ele quem representa as políticas e a organização perante o profissional”, analisa.

Também se dá relevância à autonomia para desempenho das funções e ao propósito do trabalho. “Que seja desafiador sim, mas principalmente muito significativo para o profissional, antes mesmo das condições de equilíbrio entre vida e trabalho, que sempre foram colocadas como as que mais pesavam para a retenção do profissional.”

Qualidade

O estudo da Mercer aponta também a dificuldade dos recrutadores de encontrar mão-de-obra qualificada. “Isso é um fenômeno global e tem aderência total com a realidade brasileira. A força de trabalho jovem é mais exigente, menos comprometida no curto prazo e em volume menor”, afirma Willian Bull.

Ele diz ainda que o curto período que esses jovens permacem nas companhias compromete seu desempenho. “A consolidação de know-how e experiência fica prejudicada. São profissionais muito preparados do ponto de vista da base educacional, da capacitação e do potencial, mas com algumas deformidades na formação prática porque ficam muito pouco tempo em uma função e já mudam.”

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