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Milva Gois dos Santos, gerente jurídica da AxisMed |
O modelo adotado pelos planos de saúde no Brasil, centrado no combate de sintomas, é ineficaz e ineficiente. Caso não seja mudado, voltando-se para prevenção de doenças e promoção de saúde, os custos das operadoras continuarão a subir, avalia Milva Gois dos Santos, gerente jurídica da AxisMed, especializada em gestão preventiva da saúde.
“Há um paradoxo da tecnologia investida na medicina. Enquanto em outros setores ela barateira o produto, na medicina ocorre o inverso porque os investimentos são feitos na conseqüência, não na causa. Se não houver aplicação em prevenção, o paradoxo permanecerá e a medicina será cada vez mais cara para a sociedade”, afirma Milva. Ela participou nesta terça-feira (18/11) do comitê de Saúde da Amcham-
São Paulo.
A gerente da AxisMed considera que o País ainda engatinha quando se trata de transição de modelo. “Estamos em uma fase muito inicial. Muito já foi feito, mas na realidade o operador de planos de saúde continua preocupado com custo e investindo em população doente, que é onde seu custo é mais alto. Ele não percebeu que, se não cuidar da população saudável, gastará também com ela dentro de alguns anos.”
Milva elogia a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no sentido de estimular a mudança, mas vê essas ações como restritas. “A ANS está cumprindo seu papel de orientadora e de indução de programas. Isso poderia ser intensificado. Há um espaçamento, mas que também acaba sendo uma questão de resposta do mercado. Além disso, acho que falta ‘braço’ na agência”, diz.