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Crescimento de empresas só é possível com planejamento estratégico formal

01/07/2009

Marcelo Nakagawa,
professor da Fundação Vanzolini e da Fundação Instituto de Administração (FIA)
As empresas podem chegar ao porte médio com base na ação empreendedora e na intuição dos fundadores. No entanto, para continuar crescendo, há necessidade de repensar os negócios. A ampliação das atividades passa a ser possível com o planejamento estratégico formal, explica Marcelo Nakagawa, professor de Empreendedorismo e Plano de Negócios da Fundação Vanzolini e da Fundação Instituto de Administração (FIA).

“Por conta do aumento da complexidade tanto na parte de operações, na gestão de pessoas e no relacionamento com mercado, clientes e fornecedores, há necessidade de um planejamento efetivo. É preciso ter processos bem definidos para conseguir gerenciar, estabelecer objetivos e depois avaliar constantemente se as metas foram atingidas ou não”, disse Nakagawa, que participou do seminário sobre “Planejamento Estratégico – O Desafio de Crescer de Forma Eficaz” nesta terça-feira (30/06) na Amcham-São Paulo.

De acordo com ele, a transição de médias para grandes companhias se baseia na ruptura de uma gestão instintiva e familiar para uma profissional. Este movimento ocorreu em empresas como Natura, da área de cosméticos, e TOTVS, do setor de tecnologia da informação comentou o professor.

Segundo Marcelo Nakagawa, os passos para o planejamento estratégico formal são:

  • Missão: “Por que a empresa existe?” – Deve-se promover os benefícios dos produtos ou serviços. No caso da natura, por exemplo, a missão não é vender cosméticos, mas sim o bem-estar;

  • Valores: “Em que a empresa acredita e como se portaria?” – Como seria se fosse uma pessoa;

  • Visão: “O que a empresa quer ser?”;

  • Estratégia: “Qual será o plano para atingir o que a companhia quer ser?” – Montagem do plano de negócio que tornará a empresa mais robusta no futuro.

    Nakagawa comentou que a principal dificuldade para colocar o planejamento em prática está na comunicação. “A estratégia tem que ser comunicada de forma simples e clara. Todos os colaboradores devem entender os objetivos”, enfatizou.

    Paulo Petroni,
    sócio da área de Advisory da PricewaterhouseCoopers
    Governança e oportunidades

    Paulo Petroni, sócio da área de Advisory da PricewaterhouseCoopers, destacou que as médias empresas devem se reorganizar e adotar modelos mais eficientes de governança corporativa. “Neste momento em que se busca maior eficiência e maior adequação aos movimentos de mercado, não é mais possível misturar questões relativas à propriedade com a gestão empresarial”, disse.

    O consultor ressaltou que o Brasil sofre com a crise financeira internacional, mas está se recuperando mais rapidamente e de forma mais sustentável do que diversas nações. Segundo ele, os índices que medem a confiança do consumidor e os níveis de estoques da indústria já estão muito próximos do padrão histórico, demonstrando recuperação depois do pior período da turbulência – entre setembro de 2008 e janeiro deste ano. “As expectativas para o segundo semestre são boas.”

    Conforme Petroni, há muitas oportunidades por conta do aumento do poder aquisitivo das classes C e D. “De forma geral, quem puder desenvolver produtos e serviços de baixo custo para atender essa camada da população terá boa chance.”

    Cases

    Participante do debate, Emerson Luiz Coelho, um dos sócios da desenvolvedora de software Discover, disse que em determinado momento da evolução do negócio é preciso fazer uma revisão consistente de diversos conceitos, uma difícil mudança de cultura. “É como se criássemos filhos e depois tivéssemos que abandonar alguns”, ilustrou.

    A Discover conta com 200 colaboradores, atende principalmente o mercado da Grande São Paulo e tem duas ferramentas fundamentais: o estímulo constante ao desenvolvimento de produtos inovadores e a contínua melhora de resultados. “Estamos aumentando a presença no mercado das pequenas e médias empresas e temos que oferecer ferramentas diferenciadas. Não podemos correr o risco de cair nas commodities.”

    Já Sérgio Zimmerman, proprietário do Pet Center Marginal, comentou que a rede inaugurada em 2002 apresenta crescimento anual de 40%. Nos três primeiros meses de 2009, aumentou 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. São seis lojas no Estado de São Paulo e há planos de inauguração de mais duas até o final do ano.

    Segundo ele, todo trabalho está sendo desenvolvido com base nos sentimentos dos consumidores, a experiência da compra. “Lidamos com a relação emocional que se tem com os animais de estimação. É nesse sentido que agregamos valor aos produtos que vendemos”, disse.


    Reportagem de Daniela Rocha

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