Sem Basiléia, perdas na crise teriam sido muito maiores, diz diretor da Febraban
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Frederico William Wolf, diretor setorial de Gestão de Risco da Febraban |
Ainda que muitos coloquem em dúvida o papel do Acordo de Basiléia no sentido de evitar uma crise de grandes dimensões como a recentemente vivida em todo o globo, a verdade é que, sem esse compromisso, as perdas provocadas pelas turbulências teriam sido muito maiores, afirma Frederico William Wolf, diretor setorial de Gestão de Risco da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
O Acordo de Basiléia (conhecido como Basiléia I) foi firmado em 1988 por mais de cem países com o objetivo de criar exigências mínimas de capital a serem respeitadas por bancos comerciais como precaução contra o risco de crédito. O tratado foi substituído em 2004 por um novo documento (Basiléia II), mais completo, que, além de requisitos contábeis, passou a considerar variados aspectos qualitativos da gestão do negócio, sobretudo no que diz respeitoa gestão de riscos de mercado, de crédito e operacionais.
“Durante a crise, questionaram se Basiléia estava certo. Eu diria que, se não houvesse o acordo, teria sido pior. É como dar um instrumento para se dirigir um carro. Porém, acelerar ou não depende do motorista”, comparou Wolf, que participou nesta terça-feira (17/11) do comitê estratégico de Finanças da Amcham-
São Paulo.
Para o diretor, o grande ensinamento das turbulências internacionais foi a necessidade de se olhar para os riscos não de modo individual, mas com atenção a todas as correlações envolvidas. “O desafio que se coloca para Basiléia a fim de tentar mitigar crises futuras é ter uma visão integrada e fazer testes de estresse, ou seja, ver cenários possíveis extremos e simular se a empresa ou o banco tem capital para suportá-los.”
Wolf garante que Basiléia II, apesar de elaborado bem antes da crise, continua oportuno. Ele reconhece, no entanto, que há espaço para alguns ajustes – que, aliás, já estão em discussão –, contemplando notadamente dois pontos: VAR (
value at risk) de estresse, isto é, um componente adicional, referente a uma situação-limite, para ser adicionado ao cálculo de capital quando se considera risco de mercado; e carga de risco incremental, que se refere à correlação de risco de mercado e risco de crédito, que tem potencial para multiplicar os efeitos desses compontentes.
Cronograma
Frederico Wolf, que representa a indústria financeira no Comitê Gestor de Implementação de Basiléia II no Brasil, no âmbito do Banco Central, faz uma síntese de como tem ocorrido a aplicação do acordo no País. No que toca à abordagem padronizada – mais simples, acessível a instituições de todos os portes –, 100% dos bancos no Brasil já estão no acordo. Quando se considera uma abordagem mais avançada – em que as instituições se utilizam de modelos internos para gestão de riscos e alocação de capital, e o Banco Central as monitora de longe, sem influência direta –, o cronograma previsto é o seguinte:
Risco de mercado: as normas estarão disponíveis no final de 2009 e os bancos que se considerarem aptos poderão solicitar autorização para aderir a partir de julho de 2010;
Risco de crédito: as normas sairão até o final de 2010 e os bancos poderão se candidatar a partir de dezembro de 2012;
Risco operacional: as normas estarão disponíveis até 2011 e serão implementadas a partir de junho de 2013.
Desde a década de 90, o Brasil busca adotar os princípios de Basiléia voluntariamente. Em março último, o País foi convidado a integrar o Comitê de Basiléia.
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