![]() Quinta, 11 de março de 2010 - 13:38 |
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EVENTOS
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Com política industrial, exportações brasileiras podem chegar a US$ 500 bilhões 01/02/2010
“Para chegar a US$ 500 bilhões, basta ter equipamentos para produzir. As exportações aumentarão se o governo colocar em prática o que temos pedido: facilitação das importações (de maquinário), redução da carga tributária e atenção ao câmbio. Se nada for feito, ficaremos perto do que foi registrado em 2009 (US$ 197,9 bilhões)”, afirma Segatto, que participou nesta sexta-feira (29/01) do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo. Com relação especificamente ao câmbio valorizado, que compromete a competitividade dos produtos nacionais no exterior, a Abracex apresentou ao governo uma série de propostas para enfrentá-lo, que incluem a possibilidade de manter depósitos em moeda estrangeira no País ou fora, desde que comunicados à Receita Federal; a criação de um dólar de exportação, nos moldes do dólar turismo; e a taxação de capital estrangeiro de acordo com seu prazo de permanência no País – esta colocada em prática com algumas alterações em outubro último. “Tudo isso provocaria um esvaziamento de dólares e a cotação ficaria entre R$ 2,00/US$ e R$ 2,20/US$, que é o valor ideal conforme os cálculos da Abracex”, pontuou Segatto.
Também presentes ao comitê da Amcham, representantes da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) e da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) apresentaram as projeções de comércio exterior de seus segmentos para 2010. No que toca aos alimentos industrializados, a expectativa é de expansão das exportações neste ano. “Imaginamos retomar o crescimento em volume de 4% a 5%. O aumento sustentável de preços das commodities pode permitir ampliação das vendas entre 7% e 14%”, disse Amilcar Lacerda de Almeida, gerente do Departamento de Economia, Estatística e Comércio Exterior da Abia. Em 2009, o setor exportou US$ 30 bilhões, valor abaixo dos US$ 33,2 de 2008, mas que, considerando importações de US$ 3,1 bilhões, viabilizou um saldo comercial de US$ 27 bilhões, acima do registrado pelo País como um todo (US$ 25 bilhões). Para o resultado, foi determinante a participação dos países emergentes, que se sagraram nossos principais compradores desses produtos, com uma fatia de 39,5% do total embarcado, bem abaixo da referente aos desenvolvidos (29,7%). Quanto à área de eletroeletrônicos, a perspectiva de vendas externas é um pouco menos otimista. A Abinee considera para 2010 apenas a repetição do nível de 2009, em torno de US$ 7,5 bilhões, quase 25% abaixo dos US$ 9,8 bilhões obtidos em 2008. “O crescimento esperado é incipiente porque não se espera um notável aumento das exportações para os Estados Unidos. A Europa não é um grande consumidor do produto brasileiro e a América do Sul, por sua vez, não será um componente importante de expansão em 2010”, justificou Mario Roberto Branco, gerente de Relações Internacionais da Abinee. Já as importações da indústria elétrica e eletrônica, diferentemente das exportações, devem ser um pouco maiores em 2010, passando de US$ 24,9 bilhões para US$ 27,1 bilhões. “Isso ocorrerá basicamente para aumentar a produção de televisores e outros aparelhos de consumo no primeiro semestre em função da Copa do Mundo”, explicou Branco.
Os palestrantes do comitê de Comércio Exterior desta sexta também analisaram o conflito em torno do algodão que envolve Brasil e EUA. Roberto Segatto e Mario Branco recomendaram cautela diante da decisão da Organização Mundial de Comércio de que o País tem direito de retaliar os americanos pelos subsídios concedidos a seus produtores do ssetor. “Dialogar com os Estados Unidos é muito melhor do que impor. Isso pode causar um grande trauma”, defendeu Segatto. A Amcham reconhece o direito de protesto brasileiro e advoga que ele se dê no âmbito comercial específico, ou seja, no campo agrícola, sem enveredar por segmentos que em nada se relacionam com a determinação da OMC – especialmente em se falando de medidas extremas, como sanções na área de propriedade intelectual – e sem prejudicar setores não relacionados com a disputa. A entidade espera que o episódio do algodão seja concluído por meio do estabelecimento de compensações positivas aos subsídios americanos – não com retaliações que possam prejudicar consumidores e empresas que atuam no Brasil – e que, principalmente, sirva como oportunidade para uma revisão mais ampla do relacionamento Brasil-EUA. Reportagem de Giovanna Carnio
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