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Pesquisa constata evolução da governança corporativa no Brasil entre 2003 e 2009

03/02/2010

Heloisa Bedicks,
executiva do IBGC
Entre 2003 e 2009, houve significativa evolução em termos de conhecimento e adoção de práticas de governança corporativa entre empresas que atuam no País, revela pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em parceria com a consultoria Booz & Company divulgada em 02/02. Esta é a segunda edição do estudo, realizado pela primeira vez em 2003.

“Notamos maior criticidade por parte dos conselheiros em relação às boas práticas adotadas por suas empresas e em relação a seus pares. Chamou muito à atenção também a preocupação das companhias com a transparência”, afirmou Heloisa Bedicks, diretora executiva do IBGC, após divulgar os resultados ao comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (03/02)

Heloisa destacou que a comparação entre as sondagens de 2003 e 2009 evidencia redução da participação dos acionistas nos conselhos e maior presença de conselheiros independentes, o que é positivo. Por outro lado, observou-se também crescimento da fatia de executivos das próprias empresas nos conselhos, o que não é recomendado pelas práticas de governança.

“Nossa percepção é que, como houve um afastamento do acionista, ele acabou delegando seu posto no conselho a um executivo em que tenha total confiança. Vemos, então, que ainda há muito a ser feito sobre governança”, pontuou ela.

A pesquisa IBGC/ Booz & Co mostra também que, ao longo dos últimos seis anos, os conselhos passaram a valorizar mais suas responsabilidades estratégicas, e que o relacionamento entre controladores e acionistas minoritários se tornou mais colaborativo, com avanços nas políticas de proteção e nos mecanismos para endereçar conflitos.

O estudo ouviu 85 empresas que atuam no Brasil ao longo de 2009, sendo 68% delas listadas em bolsa (28% no Novo Mercado, 25% nos Níveis II e II e 15% no segmento tradicional) e 32% de capital fechado.

Tendências

Heloisa Bedicks discutiu com o comitê da Amcham tendências de governança corporativa para 2010 e os próximos anos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. De acordo com ela, questões como remuneração (mais voltada para o conselho no Brasil e para os executivos nos EUA), avaliação de conselho e conselheiros, composição do conselho (do ponto de vista de gênero e backgrounds acadêmicos e profissionais diferentes, entre outros aspectos) e avaliação de riscos são comuns aos dois países.

Especificamente no Brasil, ela salienta que vem sendo dada muita ênfase à discussão de assuntos como mudanças em práticas contábeis e nas regras do Novo Mercado da BM&FBovespa.

Reportagem de Giovanna Carnio



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