![]() Quinta, 02 de setembro de 2010 - 11:28 |
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EVENTOS
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MDIC: aumentar fluxo de comércio com EUA é prioridade em 2010 02/03/2010
Entre 2000 e 2008, o Brasil acumulou mais de US$ 50 bilhões em superávits em relação aos EUA, o que representa uma média de US$ 5,6 bilhões ao ano. Com a eclosão da crise mundial, houve um recuo no resultado, que passou de US$ 6,4 bilhões em 2007 para US$ 1,8 bilhão em 2008. Em 2009, os números continuaram a decrescer, chegando a um déficit de US$ 4,4 bilhões. Em janeiro último, o País manteve um saldo negativo (US$ 322 milhões), porém melhor do que o registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 846 milhões). “A ideia é ter prioridade no mercado americano. Estamos aumentando as ações, principalmente na área de promoção comercial”, disse Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do MDIC, que participou do evento “O Brasil na Vitrine – Como aproveitar a exposição brasileira para potencializar seu negócio” nesta sexta-feira (26/02) na Amcham-São Paulo. Risco Barral reputa déficit de 2009 a três fatores-chave: redução de preços do petróleo e seus derivados, queda de mais de 60% na venda de aviões, e redução da demanda americana por automóveis. Segundo ele, em todos os demais segmentos, a redução nas exportações brasileiras aos EUA foi proporcional à apresentada nas importações americanas de outros países. “O risco agora é que, com a recuperação da economia dos EUA, o Brasil não consiga repor sua fatia naquele mercado”, alertou o secretário. Para ele, a competição por maiores vendas que deve ocorrer a partir de agora tende a ser muito acirrada e pode acabar distanciando os produtos brasileiros – movimento que o governo nacional pretende enfrentar com ações na área tributária, de financiamento e simplificação do comércio exterior. O MDIC não arrisca uma previsão com relação ao saldo da balança com os EUA para este ano. O resultado dependerá essencialmente da diversificação das vendas e do desempenho dos segmentos historicamente com maior peso (petróleo, aviões e automóveis). Interlocução
Por outro lado, o representante do MDIC elogia o diálogo que vem sendo estabelecido pelo governo brasileiro junto ao Departamento de Comércio americano; a atuação do CEO Forum, que reúne executivos de ambos os países e já colhe resultados expressivos, como a recente aprovação pela Câmara dos Deputados brasileira de um projeto de acordo para troca de informações entre os dois Fiscos; a aprovação pelo Senado brasileiro da extensão para dez anos dos vistos para viagens de brasileiros aos EUA e de americanos ao Brasil; e a atuação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Contencioso do algodão O secretário do MDIC garante que não há politização no encaminhamento do contencioso do algodão entre Brasil e EUA e ressalta que o conflito é apenas mais um entre outros tantos em que o País está envolvido. “A diferença é que esta disputa é com um parceiro muito importante”, argumentou em justificativa à forte repercussão do caso. Conforme Barral, o Brasil é responsável por 20% das reclamações na Organização Mundial de Comércio, um dos países em desenvolvimento que mais acionam o órgão multilateral. “Por que temos disputas com a Argentina e não temos com o Nepal? Não há como aumentar o comércio exterior sem aumentar o nível de conflitos”, disse. A Amcham tem trabalhado para que o País, em vez de optar pela retaliação aos EUA autorizada pela OMC, busque a construção de uma agenda compensatória positiva junto ao parceiro. A ideia é conquistar maior espaço no mercado americano para produtos brasileiros, principalmente agrícolas, por meio de tarifas reduzidas ou programas de preferência. De acordo com Barral, ainda não há sinalização sobre possíveis medidas compensatórias dos americanos e, ainda que houvesse, elas precisariam ser criteriosamente analisadas. Ele explicou que soluções desse tipo, em substituição a retaliações, já foram implementadas em outros litígios, como com o Canadá. O especialista em Comércio Exterior Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Silex Trading, da Brex America e da Ethanol Trading, também presente ao encontro na Amcham, também analisou a questão. Ele avalia que as chances de os Estados Unidos oferecerem um pacote compensatório é pequena por não haver nada formalizado ainda nesse sentido e porque o andamento da questão no Brasil tem ocorrido rapidamente. Se a retaliação for de fato efetivada, Giannetti da Fonseca prevê que diversos produtos americanos entrarão no Brasil com preços mais elevados, dando origem a um processo de substituição das importações de grande parte das mercadorias listadas, seja através da busca de outros fornecedores externos ou por meio de produção interna. Reportagem de Daniela Rocha e Giovanna Carnio
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