![]() Quinta, 02 de setembro de 2010 - 11:31 |
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EVENTOS
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ING Bank: educação e Estado eficiente determinarão crescimento do País 04/03/2010
De acordo com ela, o crescimento da economia já está assegurado para este ano e projeções do banco indicam expansão do PIB (Produto Interno Bruto) da ordem de 6%. Ela, entretanto, diz que é preciso fazer a lição de casa - principalmente no que toca a enfrentamento da falta de mão de obra qualificada e geração de poupança para investimentos - para prosseguir com segurança. Para a economista, o grande risco para o Brasil é hoje o “do sucesso”, isto é, seguir da mesma forma, sem realizar as mudanças necessárias e, assim, ficar estagnado diante de gargalos. Zeina Latif participou nesta quinta-feira (04/03) do comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo. Após a reunião, ela concedeu uma entrevista na qual falou dos desafios do País, exportações, transações em conta corrente e eleições. Acompanhe: Amcham: Quais os principais desafios do Brasil para ter crescimento sustentável? Zeina Latif: O País avançou, teve uma consolidação macroeconômica enorme, mas precisa dar passos muito importantes para que esse ciclo virtuoso possa, de fato, se traduzir em crescimento mais acelerado e com melhora dos indicadores sociais. Isso pressupõe a necessidade de aumentar a eficiência do Estado, eleger prioridades corretas dos gastos públicos e ampliar os investimentos em educação. Temos um estado inchado, que melhorou muito, mas ainda tem baixa eficiência, o que exige do setor privado um papel muito importante. Quando o Estado funciona mal, o setor privado tem um papel ainda maior, inclusive na formação de seus profissionais. Além disso, vejo que é necessário aprimorar o arranjo regulatório do País para estimular o investimento privado. Amcham: Em sua avaliação, portanto, as empresas terão de investir cada vez na educação da mão de obra? Zeina Latif: Sim , terão de se voltar não apenas à questão profissional, mas também ao meio ambiente. O setor privado desempenha um papel crescente. Não estamos mais em um mundo onde basta olhar para o lucro da empresa. As companhias têm de ir além até para que sejam sustentáveis no longo prazo. É uma aspiração da sociedade e uma necessidade muito clara num País com o estado ainda ineficiente. Amcham: Existe a possibilidade de a falta de mão de obra travar o desenvolvimento do País nos próximos anos caso medidas mais contundentes não sejam tomadas? Zeina Latif: Sim. Já estamos enfrentando gargalos de mão de obra e aí nem me refiro ao pico da pirâmide, composta por profissionais extremamente qualificados, mas em relação a qualificação técnica também. Na construção civil, por exemplo,isso já ocorre. Porém, se não houver avanço, teremos pioras na distribuição de renda. Quem tem qualificação ganhará proporcionalmente cada vez mais e quem não tem, ficará para trás, exigindo mais políticas de transferência do governo. Desta maneira, o País patinará porque não será possível melhorar a dinâmica do próprio governo que terá de atender uma população sem qualificação. O salto da educação é uma grande agenda. Não se trata somente de universidade, mas de ensino técnico, onde temos uma escassez muito grande. Em termos da capacitação técnica, podemos ter contribuição mais ativa das empresas. Amcham: Em relação a indicadores, quais as projeções do ING para 2010 quanto ao desempenho da economia brasileira e qual será a trajetória da taxa básica de juros? Zeina Latif: O PIB deverá ter uma expansão de 6%. Já quanto à Selic,a taxa atingirá 10,75% no final do ano. Amcham: Os constantes déficits em transações correntes registrados nos últimos meses preocupam? Zeina Latif: É um fator a ser observado, mas é natural que o País, crescendo num ritmo mais forte, apresente uma piora nas suas contas externas. Como a taxa de câmbio é flutuante, problemas do passado, como acumular um saldo negativo enorme a ponto de gerar problemas na moeda, não devem ocorrer. Agora é claro que, pensando no ideal de se ter uma macroeconomia bem equacionada, é desejável que o País aumente sua poupança. Então, nessa discussão de tamanho de Estado, de eficiência de Estado, seria interessante uma poupança do governo maior porque isso permitiria pressão menos intensa nas contas externas e o avanço do setor privado. Portanto, neste momento, a deterioração em curso não é caso para acendermos luzes amarelas e a interpretarmos como um entrave para o crescimento do Brasil. Amcham: Nos últimos meses, os resultados das exportações têm sido tímidos e o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, já anunciou que está sendo preparado um pacote de estímulos para as vendas externas. Como a sra. avalia essa situação? Zeina Latif: As exportações mundiais estão se recuperando no período pós crise em um ritmo muito mais forte do o de nossas vendas externas, o que obviamente nos coloca um desafio. Meu ponto é que não acredito que ações localizadas sejam a grande saída. O País precisa avançar em medidas horizontais, como a redução de carga tributária e a melhoria da infraestrutura para termos exportações mais competitivas. É preciso tomar cuidado para que questões imediatistas, como algo para beneficiar determinado setor, não tirem a urgência de uma agenda de longo prazo. Amcham: As eleições majoritárias no País neste ano embutem algum risco ao desempenho da economia? Zeina Latif: Não é um evento importante que venha a afetar a economia. Entretanto, as eleições abrem espaço para a discussão sobre qual projeto de País queremos para os próximos anos, qual será o formato para a economia no longo prazo. A macroeconomia está consolidada, é tema do passado. Agora temos de olhar para a competitividade. As eleições servem para o resgate desse debate, mas não acredito que os desdobramentos eleitorais possam trazer volatilidade nos mercados e sustos aos empresários. Amcham: Então, possíveis problemas para o Brasil estão atrelados ao ambiente externo? Zeina Latif: Se existir algo preocupante neste ano, será muito mais de ordem externa, não em relação a fatores domésticos. Porém, olhando numa perspectiva maior, existe também o risco do sucesso, isto é, de o País se acomodar com esse ritmo de crescimento e acreditar que não precisa fazer mais nada. Isso não é verdade. O bom desempenho deste ano está garantido, mas, nos próximos anos, as taxas de crescimento da economia dependerão de outras agendas. Esse é o nosso risco, o do sucesso, do salto alto. Amcham: Qual é o possível contágio das crises fiscais apresentadas em alguns países europeus, especialmente Grécia, Portugal e Espanha? Zeina Latif: Hoje, o investidor internacional tem claro que o foco dos problemas está concentrado nos países desenvolvidos e que existe um descolamento, ainda que não perfeito, dos emergentes. É claro que, se houver uma situação de colapso desses países europeus, haverá impacto nos fluxos financeiros e comerciais, uma contaminação, mas não a ponto de frustrar planos de investimentos no Brasil. Amcham: Qual é a previsão do ING Bank para Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil neste ano? Zeina Latif: É de US$ 38 bilhões. Entrevista concedida à repórter Daniela Rocha
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