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Amyris e Grupo São Martinho produzirão biodiesel de cana a partir de 2011

09/03/2010

Roel Collier,
diretor geral da Amyris Brasil
A Amyris Brasil, subsidiária da Amyris Biotechnologies – empresa de produtos renováveis sediada na Califórnia, Estados Unidos – e o Grupo São Martinho iniciarão a produção de biodiesel de cana-de-açúcar em escala industrial no município de Quirinópolis, em Goiás, a partir do próximo ano. O objetivo é processar um milhão de toneladas do insumo em 2011 e ampliar para 2 milhões em 2012.

“Construiremos uma planta industrial em Goiás, na Usina São Martinho, para produzir o biodiesel na safra de 2011. Temos outras parcerias e projetos em andamento com grupos sucroalcooleiros no País, como Bunge, Guarani e Cosan, que usarão nosso processo em uma ou duas de suas usinas para obter produto de maior valor agregado”, informou Roel Collier, diretor geral da Amyris Brasil. Ele participou nesta segunda-feira (08/03) do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo.

Em junho de 2009, a Amyris Brasil inaugurou uma planta piloto em Campinas, interior de São Paulo, que teve papel crucial na transferência de tecnologia das operações dos Estados Unidos. O projeto já evoluiu para a planta de demonstração, onde o processo de produção é aperfeiçoado para depois entrar em escala comercial. O diretor da companhia ressaltou que foram investidos quase R$ 30 milhões nessas duas etapas.

Tecnologia

A tecnologia de propriedade da Amyris consiste em produzir uma molécula chamada farmaceno a partir da cana-de-açúcar, segundo Roel Collier . “A principal aplicação do farmaceno é o biodiesel, mas há outras aplicações químicas como sulfactantes usados em produtos de limpeza, especialmente detergentes; solventes utilizados pela indústria de tintas; e lubrificantes voltados as setores automotivo e de máquinas”, explicou ele .

De acordo com o diretor, o biodiesel de cana tem características de combustão diferentes do etanol e é voltado aos motores de veículos pesados – caminhões, tratores e ônibus, por exemplo.

Collier destaca que o mercado de diesel cresce no Brasil no mesmo ritmo que o Produto Interno Bruto (PIB) e, em alguns momentos, chega até a superar esse desempenho. O País, por sua vez, tem importando o combustível, o que representa espaço para o biodiesel de cana no mercado interno. O passo seguinte seria exportar.

A Amyris Biotechnologies existe há cerca de 4,5 anos. Collier disse que, nos Estados Unidos, a companhia possui pequenas produções de moléculas de farmaceno onde se destacam fontes como o milho e o sorgo doce. Há ainda, de maneira incipiente, a cana-de-açúcar no Sul do território americano. A empresa atualmente coloca foco no Brasil para maiores escalas. “Olhamos pouco para outros países. Nosso alvo agora é o Brasil. No futuro, pode haver outros produtores de cana-de-açúcar como a Índia, Colômbia e diversos outros países da América Central, mas hoje eles não têm a atratividade do mercado brasileiro tanto pelo seu tamanho como pelo nível de desenvolvimento do setor.”

Avanços necessários

Para Roel Collier, o Brasil deveria investir mais em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) a fim de desenvolver a economia com novos produtos de maior valor agregado a partir de sua posição privilegiada em commodities.

Em se tratando de inovação, o diretor geral da Amyris Brasil avalia que o País precisa avançar principalmente na capacitação de profissionais e em termos de incentivos fiscais.



Reportagem de Daniela Rocha



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