Criado em 2007 com o objetivo de fortalecer os vínculos econômico-comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o CEO Forum Brasil-EUA tem se destacado por contribuições importantes para o aperfeiçoamento do ambiente de negócios entre os dois países.
O grupo é composto por representantes do governo e do setor privado de ambos os lados e, na parte americana, tem como coordenador Tim Solso, CEO da Cummins.
Em recente passagem pelo Brasil para se reunir com o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) e participar de encontro fechado com empresários e autoridades organizado em parceria pela Embaixada dos EUA e a Amcham em 09/03 em Brasília, Solso concedeu entrevista a Amcham. Acompanhe:
Amcham: Qual a sua avaliação sobre as negociações em torno de um tratado para evitar a bitributação entre Brasil e EUA?
Tim Solso: Não há como prever quando será concretizado, mas o primeiro ponto que precisamos observar nesse processo é a recente aprovação pela Câmara de Deputados brasileira de um acordo para troca de informações entre os Fiscos dos dois países. Quando esse compromisso, que agora segue para debate no Senado nacional, se tornar realidade, consistirá em um passo importante para chegarmos a um tratado mais amplo, que evite a bitributação. Há um grande esforço do CEO Forum , incluindo os governos, para negociar esse tema, que ainda esbarra em uma série de aspectos legais a serem superados. Não creio em uma vitória rápida, mas tenho certeza de que se trata de um tratado importante e que pode ser obtido. Este é um dos pontos mais difíceis que o CEO Forum trabalha hoje.
Amcham: Com relação ao contencioso do algodão, o sr. crê que os dois países ainda podem chegar a uma solução negociada?
Tim Solso: Primeiramente, o Brasil tem direito absoluto de retaliar os EUA porque a Organização Mundial do Comércio (OMC) reconheceu que se deu uma violação das regras por parte dos americanos. Nesse sentido, o Brasil está correto em trabalhar para que as sanções sejam adotadas. Porém, sinceramente, tenho esperança de que o governo dos EUA ainda faça propostas específicas para que o Brasil reconsidere e desista da retaliação. Acredito que os EUA estejam estudando uma sugestão nessa direção e vejo que as autoridades americanas têm questionado seus pares brasileiros em busca de ideias para chegar a uma saída. As discussões nos últimos dias têm sido de alto nível e indicam que os dois lados querem de fato encontrar uma solução por entenderem como a relação comercial bilateral é importante.
Amcham: E quanto a um acordo voltado a estimular investimentos entre os dois países, o CEO Forum registra avanços?
Tim Solso:: O tema foi abordado na visita da Hillary Clinton ao País (em 03/03) e percebo que, apesar de o Brasil não chamar essas propostas de Trade and Investment Agreement (Tifa), existem conversas de ambos os lados sobre o assunto que podem abrir caminho para um acordo maior de comércio e investimentos.
Amcham: Como o sr. vê hoje a presença do Brasil no cenário internacional?
Tim Solso: A Cummins tem negócios no Brasil desde o início dos anos 70 e já morei no País. Sei que o Brasil tem grande potencial, mas que também que também é difícil torná-lo real. Nos últimos cinco anos, o País se tornou uma das melhores e mais produtivas economias que conheço. No caso específico da Cummins, a recessão trouxe impacto negativo sobre nossas operações, mas os lucros obtidos no Brasil contribuíram para o bom resultado da companhia como um todo, que cresce entre 15% e 20% globalmente. O País tem enormes oportunidades, principalmente quando observamos os recursos naturais, a ascensão da classe média, as reservas de óleo e gás, e os avanços em relação às energias renováveis.
Amcham: O sr. entende que será possível eliminar a tarifa de importação sobre o etanol brasileiro imposta pelo mercado americano? Quando?
Tim Solso: Não tenho ideia. Não se trata de uma matéria com a qual eu esteja envolvido.
Amcham: Podemos esperar que o Brasil seja mantido no Sistema Geral de Preferências (SGP) americano mais uma vez na renovação deste ano?
Tim Solso: No final de 2009, o acordo foi estendido até dezembro de 2010, quando expirará novamente. Acredito que o Brasil continuará sendo beneficiado.
Entrevista concedida à repórter Daniela Rocha