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Gary Locke defende negociação com Brasil no contencioso do algodão

11/03/2010

Gary Locke,
secretário de Comércio dos Estados Unidos
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, defende a negociação de uma solução alternativa com o Brasil para evitar a retaliação no contencioso do algodão. Ele explicou, entretanto que o órgão americano responsável pelo acompanhamento do assunto é o United States Trade Representative, equivalente a Ministério de Relações Exteriores, liderado por Ron Kirk (USTR).

“É fato que queremos negociar e evitar a retaliação. Tal negociação deve ficar por conta de Ron Kirk e sua equipe”, destacou Locke. Ele que participou nesta terça-feira (09/03) de uma reunião fechada com CEOs, representantes de empresas e autoridades dos governos brasileiro e americano na casa do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, em Brasília. A Amcham foi parceira da embaixada americana na organização deste encontro. Entre as empresas participantes destacam-se Citibank, Bristol-Myers Squibb Farmacêutica, Bunge, Cargill, Coca-Cola, Eli Lilly do Brasil, General Eletric do Brasil, General Motors, International Paper, MSD e Wal Mart Brasil.

Para Locke, o conflito do algodão é um problema pontual que será superado. Segundo ele, está nos planos da administração Barack Obama fortalecer e dinamizar a relação comercial com o Brasil. “Existem uma série de acordos que podemos estabelecer para beneficiar e melhorar a qualidade de vida de ambas as sociedades. Há variadas oportunidades de negócios a serem exploradas, produtos americanos que podem interessar aos brasileiros e de bens brasileiros que podem ser interessantes para nós”, ressaltou.

Segundo Locke, o Brasil está sendo visto como um dos parceiros fundamentais dentro do programa do governo dos Estados Unidos de dobrar as exportações totais em cinco anos com objetivo de gerar empregos no país. Neste sentido, há intenção de estreitar a relação com o Brasil nas áreas de negócios e investimentos.

Posição compartilhada

Mauro Vieira, atual embaixador brasileiro em Washington, destaca que o programa de exportações do governo americano deve abrir espaço para produtos e serviços naquele mercado. “O comércio é uma via de duas mãos”, ponderou. Ele está confiante de que Brasil e Estados Unidos consigam chegar a um acordo diferenciado no contencioso do algodão, ao menos, ele verifica disposição neste sentido, o que considera positivo. “Esperamos que possa surgir uma proposta porque vimos nas reuniões que tanto do lado brasileiro quanto do americano não se quer uma guerra comercial.”

Roberto Abdenur, que foi embaixador do Brasil nos EUA, avalia que a relação bilateral sobrepuja o contencioso do algodão e também aguarda uma solução alternativa. “A iniciativa do presidente Obama de promover as exportações é positiva porque permite conversas entre os dois governos e se sobrepõe aos problemas. Espero que a retaliação não ecloda e que haja uma resposta americana, que permita o Brasil de abster-se e evitar sanções”, comentou.

“Desta vez não houve proposta mas os ministros Miguel Jorge e Dilma Rousseff entendem que a negociação tem que ser feita pelo USTR. O que eu vejo que as duas partes (Brasil e EUA) estão interessadas que não haja retaliação”, analisou Danny DeVito, ministro conselheiro para Assuntos Comerciais da embaixada americana.

Reunião no MDIC

Em sua visita ao Brasil, o secretário de comércio americano, Gary Locke, também se reuniu com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge.

Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do MDIC que participou do evento na casa de Thomas Shannon, afirmou que foram revisados todos os pontos do commercial dialogue (diálogo comercial), um acordo de cooperação entre os ministérios. “Este ano , decidimos focar na promoção comercial e de investimentos e inovação. Teremos um outro encontro no final de abril com os representantes americanos aqui em Brasília.”

De acordo com Barral, Gary Locke e Miguel Jorge também estiveram com alguns integrantes do CEO Forum Brasil-Estados Unidos para analisar o status e organizar a agenda para a próxima reunião.

Barral aproveitou para comentar a importância da vinda de Francisco Sanchez, que deve ser nomeado nos próximos dias como subsecretário de Comércio americano, cargo que estava vago e que dificultava a interlocução. Sanchez já participou de audiência no Congresso americano e espera-se que seu nome seja confirmado. “A nomeação é importante porque existem várias ações que dependem da liderança dele”, destacou.

Visitas em série

Este ano, o Brasil já recebeu três visitas de integrantes do alto escalão do governo Barack Obama: Eric Holder, secretário de Justiça; Hillary Clinton, secretária de Estado e Gary Locke, secretário de Comércio. “Isto demonstra interesse no Brasil e que chegamos a um alto nível de diálogo”, considerou o embaixador Thomas Shannon. Segundo ele, o fluxo de autoridades americanas ao Brasil seguirá intenso ao longo de 2010.

Para ele, a troca de informações entre governos e empresariado brasileiros e americanos tem auxiliado na compreensão dos desafios e das oportunidades.



Reportagem de Daniela Rocha



Para saber sobre a posição da Amcham em relação ao contencioso do algodão, clique aqui.


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