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Mensagem do presidente - Junho de 2009

Sinais positivos
Alexandre Silva

16/06/2009

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que reúne 375 bancos em 70 países, divulgou em maio um relatório sobre a crise no qual ressalta os fortes sinais de recuperação dos países emergentes, de modo especial no que tange ao mercado de trabalho. No caso do Brasil, a instituição destaca o aquecimento da atividade industrial nos últimos meses e prevê um crescimento de 3% do PIB em 2010, embora espere retração neste ano. Este é apenas um exemplo das boas notícias que temos recebido e que confirmam estarmos na rota certa.

Em abril, segundo o Ministério do Trabalho, foram criadas 106 mil vagas com carteira assinada no País. Foi o terceiro mês seguido de recuperação e o melhor número desde setembro de 2008. Essa evolução permitiu ao Brasil ser o primeiro a registrar saldo positivo no emprego formal neste ano entre as 20 maiores economias do mundo – com exceção da China, que tem um sistema de trabalho diferenciado.

Pelo lado da produção industrial, o IBGE confirmou uma expansão de 1,1% em abril, na comparação com março, a quarta alta consecutiva em relação ao mês anterior. Os resultados positivos foram puxados pelo setor automotivo, com elevação de 3,3%, mas vale citar também os segmentos de metalurgia básica (5,1%), borracha e plástico (6,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,3%), e material eletrônico e equipamentos de comunicações (5,2%).

Outro aspecto que chama a atenção é que a demanda por crédito no País aumentou 10,8% em abril ante março e está mais próxima dos níveis pré-turbulência, estimulada por três quedas seguidas nas taxas de juros médias – ainda elevadas, mas com clara tendência de redução. A Serasa Experian aponta, em abril, uma baixa de 0,06 ponto porcentual nos juros médios tanto para o segmento de pessoas físicas – que atingiu o patamar de 7,33% ao mês, o menor desde maio de 2008 – como para o de jurídicas – que chegou a 4,21% ao mês.

Otimistas com esse movimento, as instituições financeiras do País já apostam em uma ampliação de 14,2% nas operações de crédito neste ano, como indica pesquisa da Febraban realizada em maio. Na medida em que o nível de atividade doméstica avança gradualmente e revela melhora na demanda agregada, a tendência é de os financiamentos apresentarem bom ritmo, inclusive porque a taxa Selic está em movimento de queda.

Todo esse cenário contribui ainda mais para a retomada da confiança no Brasil. Conforme o Banco Central, os investimentos estrangeiros no setor produtivo ficaram positivos em US$ 3,409 bilhões em abril, o melhor resultado desde dezembro – o que significa que os investidores estão olhando para o País com um objetivo de longo prazo. Os realizados em ações também computaram saldo no azul pela segunda vez no ano: US$ 630 milhões em abril. A Bovespa demonstra reação e acumula ganhos de 41,7% nos cinco primeiros meses do ano, variação mais alta desde 1999 para o mesmo período.

Recentemente, o IBGE divulgou que a economia brasileira teve retração de 1,8% no primeiro trimestre de 2009 frente ao mesmo período do ano passado. A diminuição, bem menos acentuada que a de 3,6% registrada no quarto trimestre de 2008, é mais uma evidência de que os impactos da crise estão se suavizando. Números relativos a abril e maio também sinalizam melhora e reforçam essa percepção de desaceleração da queda.

É importante observar ainda o processo de crescimento contínuo da renda das famílias brasileiras, que impulsiona o mercado doméstico. Nos doze últimos meses, os gastos das famílias cresceram 4,1%, prova de que o consumo interno se mantém forte e capaz de sustentar a economia nesta conjuntura internacional turbulenta. Os indicadores macroeconômicos mais uma vez demonstram que o Brasil tem condições de enfrentar a crise. Com empenho, será possível ao País sair fortalecido.

 

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