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Opinião

Werner Kugelmeier *
Perfil do profissional mais cobiçado
15/09/2008
O que as empresas buscam cada vez mais, mas encontram dificuldades em encontrar, são executivos e colaboradores que tenham "postura de dono de negócio". O nome de guerra desta tendência é "intra-empreendedorismo" ou "intrapreneuring".

"Intra-empreendedores são aqueles que assumem a responsabilidade pelas inovações dentro de uma organização", definiu o consultor americano em administração, Gifford Pinchot, ao falar sobre o perfil do profissional mais cobiçado pelas empresas atualmente. Isso em 1983.

Você faz acontecer? Você concorda que "não podemos esperar a tempestade passar, que temos que aprender a trabalhar na chuva", como já dizia o Presidente da Phillips, Petroleum Pete Silas?

Para uma grande parte dos empresários, os intrapreneurs são "agitadores", até mesmo"subversivos" – gente inquieta. Tal avaliação tem até certa razão: eles dificilmente se limitam a executar projetos dentro de coordenadas dadas; normalmente sugerem oportunidades nunca antes cogitadas; via de regra são racionais, correm riscos calculados e enfrentam desafios. O gestor olha como a empresa está; o intrapreneur olha como ela deveria estar.

Intrapreneurs são empreendedores que trabalham dentro de uma organização, transformando sonhos em soluções, idéias em negócios e metas em resultados. Desta forma, eles geram soluções impactantes para a organização. O fundador da Ford Motor Company, Henry Ford, já os prestigiou quando afirmou: "Existem dois tipos de funcionários que não servem para minha empresa: os que não fazem o que se manda e os que só fazem o que se manda". Mas, para desenvolver essas características nas pessoas, a organização deve valorizar o colaborador, dando-lhe espaço para criação, tomada de decisão e responsabilidade.

O conceito-base em questão é a combinação de liberdade de ação com "destruição criativa". Trata-se do impulso fundamental que gera a criação de novos mercados, novos produtos e/ou serviços e novas práticas de gestão. Para ser bem-sucedido de fato, o intrapreneur precisa saber lidar, de forma racional, flexível, tolerante e persistente, com aqueles dos quais ele depende para apoio e com aqueles que devem se beneficiar da idéia; ou seja, ele precisa ser um bom negociador. Enfim, o intrapreneur deve ter a humildade para "apanhar, aprender, avançar" – sempre.

Do ponto de vista técnico, o intrapreneur tem que conhecer a fundo a organização na qual atua, desde a conduta de negócios até o fluxo de caixa. Uma questão de lógica: você não pode mudar o que você não conhece... Mais que qualquer um na empresa, ele é exposto, cobrado em suas ações e medido pelos resultados.

Para as organizações estabilizadas, o intrapreneuring representa uma oportunidade de oxigenar os negócios. Valem aqui os ditados populares: "Quem não arrisca não petisca" e "Quem não faz poeira come poeira".

Numa empresa moderna, todos, do presidente ao porteiro, têm de se pagar. Este prisma tem vínculo direto com a empregabilidade de cada um. É preciso ter um espírito "aventureiro" que estimule iniciativas em todos e que faça todos remarem na mesma direção.

Você é um intrapreneur? Reflita e responda:


  • Não tenho olhos apenas para a minha área, mas para a companhia como um todo.

  • Tenho paixão tanto pelo trabalho como pela empresa onde atuo.

  • Implanto projetos com começo, meio e fim.

  • Compartilho conhecimento e aprendizado.

  • Vejo em mudanças e crises uma oportunidade de aprender e crescer.

  • Busco menos saber fazer, mais criar o que fazer.

Se suas respostas forem afirmativas e você estiver decidido a fazer uma diferença na sua organização, você é um intrapreneur de primeira! Se ainda não atua como tal, o que está esperando? Coloque todo o seu talento em favor de uma determinada empresa e vá em frente! Se já atua dentro de uma empresa, desenvolva o seu potencial e se faça percebido! Muitos talentos transformaram-se em técnicos burocratas. Tenha cuidado para que isso não aconteça com você...

* Este artigo é de responsabilidade de Werner K. P. Kugelmeier é diretor-proprietário da WK Prisma - Educação Corporativa Modular, jurista e administrador de empresas graduado na Alemanha. Possui 25 anos de experiência em multinacionais no Brasil, sendo que 16 em gestão. Fez cursos de aperfeiçoamento profissional nos EUA, viajou a negócios a mais de 60 países e desde 2000 atua na área de educação corporativa e executiva.


Este texto não reflete necessariamente a postura da Amcham.

 

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