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Opinião

Luiz Koblitz *
Biomassa, qualidade para energia
10/06/2009
Até 2030, o Brasil deverá crescer a demanda de energia elétrica a uma taxa de 4,4% ao ano. Em outras palavras, dentro de 22 anos estaremos consumindo o dobro das nossas atuais necessidades. Para que se tenha uma ideia do quanto é importante este crescimento, no mesmo período, os Estados Unidos da América crescerão 2,8% a.a., a Europa, 1,5% a.a. e o Japão 0,8% a.a. Os únicos dois grandes países que crescerão a taxas superiores ao do Brasil, são também emergentes. A Índia, com 5,4% a.a. e a sempre China, com 7,7% a.a.

A geração de energia elétrica com base em biomassa é uma das principais fontes para garantir o suprimento seguro e ambientalmente correto para o Brasil nas próximas décadas. Fonte de energia limpa, essa energia alternativa traz vantagens sobre a energia convencional e oferece inúmeros benefícios. Destaco aqui 05 pontos, que fazem dela a melhor fonte de energia que temos:

1- É uma fonte de energia renovável. O balanço de emissão de CO2 para atmosfera é praticamente nulo.

2 - É uma fonte de energia a preço. Ou seja, não aumenta o custo da matriz energética do país. Pois com energia cara inviabilizaremos a competitividade de muitos setores da nossa indústria.

3- É uma fonte de energia distribuída. As grandes hidrelétricas, que geram 75% da energia consumida no Brasil, devido ao seu grande porte, não têm a energia produzida consumida nas cercanias. Viaja grandes distâncias em linhas de transmissão, requerendo grandes investimentos e produzindo perdas consideráveis. A geração com biomassa, cuja potência média instalada por unidade é menor que 50 MW, ao contrário das grandes fontes, têm energia consumida nas proximidades, requerendo pequenos investimentos em transmissão, produzindo poucas perdas ou em muitos casos diminuindo perdas existentes na região. A biomassa está geograficamente distribuída e junto ao seu consumo, evitando e/ou postergando, investimento complementares.
 
4 – É uma fonte de energia que não importa equipamentos e/ou combustível. As usinas de biomassa são como as hidrelétricas, tudo é fabricado no Brasil e o combustível é também produzido aqui. Não podemos e não devemos esquecer a balança comercial brasileira, além dos nossos empregos é claro.

5 – É uma fonte de energia que ajuda no planejamento energético. Planejar com precisão um país emergente com grande futuro como Brasil, é um exercício de futurologia. As variáveis são muitas, as necessidades também, e as fontes tradicionais de qualidade como as grandes hidrelétricas, somente são executadas em longo prazo. Podemos sempre errar para mais ou para menos com grandes desvios, e quando for para menos, a solução não é sujar a matriz energética com usinas de curto prazo a óleo. A solução é estimular usinas com curto prazo de execução com qualidade, como as usinas a biomassa e/ou as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Tempo curto de implantação é uma ferramenta de planejamento do setor elétrico, capaz de corrigir desvios, com qualidade.

O potencial de energia elétrica a partir da biomassa no Brasil é muito grande. Podemos dividí-lo em 02 partes:

1- Biomassa residual de processo já existentes, como o bagaço de cana-de-açúcar, casca-de-arroz, resíduos florestais e industriais de madeira, gás pobre de alto forno (alimentado com carvão vegetal), cama de aviário, e até mesmo o lixo urbano que tem 50% de biomassa, tem grande potencial de energia elétrica. Estes 02 últimos estão disponíveis e causam transtornos ao meio ambiente. A cana-de-açúcar tem hoje mais de 20% da energia gerada no Brasil, no lixo urbano 15%, as demais fontes somadas, passam de 10%. Assim, quase 50% do nosso atual Brasil. Nada precisa ser plantado está tudo a flor da pele, pedindo para ser aproveitado.

2 – Biomassa proveniente de florestas plantadas para geração exclusiva de energia elétrica. Já são muitos projetos no Brasil, alguns em construção, aproveitando terrenos abandonados e/ou subutilizados em regiões de baixa produtividade agrícola.

As principais espécies são o eucalipto e o capim elefante. O potencial é enorme e muitas vezes maior que toda energia gerada hoje no Brasil. Porém se faz necessário fazer um zoneamento agrícola, para que não concorra com a produção de alimentos.

O futuro reserva a biomassa uma posição de destaque entre as energias primarias que serão utilizadas na geração de energia elétrica. Países dos trópicos irão liderar esta tendência, e o Brasil, como atual líder, tanto na utilização desse combustível, como na fabricação dos equipamentos que converte em energia elétrica, tem condição de permanecer nesta liderança, e, em 2030, quando o consumo deverá duplicar com relação a 2008, a biomassa será fornecedor de 30% destas futuras necessidades. Não vamos perder mais tempo: o futuro feliz não chega, se faz!

* Este artigo é de responsabilidade de Luiz Otávio Koblitz é diretor-presidente da AREVA KOBLITZ.

Este texto não reflete necessariamente a postura da Amcham.

 

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