Conheça e (evite!) as cinco armadilhas que matam a inovação na sua empresa

publicado 10/03/2020 20h28, última modificação 12/03/2020 12h40
São Paulo – Especialistas trazem insights sobre indústria 4.0 e transformação digital
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Capacidade de fazer a transformação escalar é o que traz resultados, segundo Renato Improta, diretor industry X.O da Accenture

O erro faz parte do aprendizado, principalmente na jornada de transformação. O problema é o risco de cair em armadilhas que podem acabar com o processo de inovação. Por isso, é fundamental entender quais são esses erros e evitá-los. Esses insights foram compartilhados por Renato Improta, Diretor Industry X.O da Accenture durante o evento Transformação 4.0, realizado em São Paulo no dia 05/03. “Todo mundo fala em transformação digital, mas se você não tiver uma plataforma clara para fazer essa mudança escalar, não vai ter resultado”, analisou.

Conheça e evite as cinco principais armadilhas que afundam a inovação:

SER DIGITAL NÃO É SOBRE DIGITALIZAR

Uma confusão muito comum nas empresas é confundir a digitalização com ser digital. Improta exemplifica: ao pegar um processo manual ou feito em papel e digitalizá-lo através de um dispositivo móvel ou tablet, por exemplo, não significa que a sua companhia é digital. “Você não está refazendo o processo de maneira diferente, apenas digitalizando tarefas”, diferencia. 

TECNOLOGIA A QUALQUER CUSTO

Outro erro comum é correr para aplicar tecnologias no negócio, mas sem, de fato, entender a usabilidade e vantagem que aquilo pode trazer. Ou seja, a dica do especialista é sempre partir do problema de negócio presente na companhia e como resolvê-lo, para apenas depois pensar na resolução tecnológica.

PLANEJAMENTO IMUTÁVEL

Planejamento é crucial para qualquer negócio - no entanto, segui-lo à risca, sem revisar ou pivotar quando necessário pode ser uma grande armadilha. Interagir e revisar o planejamento de tempos em tempos é fundamental para trazer a transformação 4.0.

TRANSFORMAÇÃO DE POUCAS ÁREAS

Outra crítica de Improta foi em relação a trazer inovação em algumas áreas, sem olhar a empresa como um todo. Se apenas uma área se transforma, o resto não acompanha, o que pode prejudicar o negócio como um todo.

IGNORAR A CULTURA DA EMPRESA

Tentar trazer inovação sem primeiro olhar e mudar a gestão interna pode acabar com o processo. É preciso que a empresa entenda sua operação e cultura organizacional antes para evitar com que o planejamento dê errado.

QUEM SÃO OS VERDADEIROS DISRUPTORES?

Renato também trouxe alguns dados para ilustrar como as companhias estão inovando. De acordo com dados da Accenture Industry X.0 Global Overview, 34% das empresas estão transformando o seu core business, enquanto 44% estão buscando a transformação através da eficiência. Renato cita que apenas 13% das companhias estão tentando as duas estratégias de maneira simultânea.

“Tem muita gente tentando, poucas pessoas conseguindo. Vemos muitos protótipos, muitas tentativas, mas sem escalabilidade. Quem está fazendo a diferença, os disruptores, são aqueles que conseguem aplicar soluções verticais que trazem resultado e, ao mesmo tempo, trabalham com uma estratégia ampla”. 

DESAFIOS DA INOVAÇÃO

Igor Calvet, Presidente da ABDI e um dos palestrantes do encontro, citou aqueles que considera como os principais desafios para a inovação: alto custo de implantação, dificuldade do retorno de investimento, e a estrutura e cultura da empresa. “Tem uma questão de cultura sem dúvida nenhuma, e é um processo que tem que começar na liderança”, lembrou.

O diagnóstico da Accenture é similar. “O problema é que não conseguimos convencer a empresa, não vemos a jornada de transformação e alinhar para onde todos devem ir. A organização não está preparada para a mudança também. A estrutura tem que estar preparada para ajudar nesse processo”, completa Renato.

INOVAÇÃO NA AMÉRICA LATINA E BRASIL

Adoção eficiente de tecnologias digitais nos próximos anos e a criação de novos serviços e produtos inovadores são as duas prioridades dos executivos da América Latina, segundo a Accenture.

Para o Brasil, Renato enxerga que nós temos a vantagem de entender processos e erros passados de outros países para construir sua trajetória. Outros pontos positivos para a transformação digital do país são: a base industrial brasileira, que é sólida, diversa e significativa; o crescente número de startups industriais e de novos produtos; e o custo decrescente em tecnologias como nuvem, sensores, comunicação, plataformas, e outros.

 

DICAS DE QUEM VIVE A INOVAÇÃO NO COTIDIANO 

Em painel durante o encontro, executivos compartilharam histórias e dicas sobre transformação 4.0. Veja os destaques:

Roberto Kihara, Gerente Geral Comercial da Furukawa

“Eu tinha um cliente que tinha uma fábrica antiga e bem verticalizada, com 600 máquinas. Dentro do planejamento estratégico, decidiram comprar sensores. O problema é que não conseguiram interligar os sensores com as máquinas, ou seja, faltou integrar a Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia de Automação (TA). O projeto barrou em infraestrutura”

Antonio Carmesini, Diretor de Engenharia da Manufatura na Embraer

“Primeiro tentamos entender para que servia essas novas tecnologias – achávamos que já tínhamos muitas coisas digitais na nossa empresa (na época, éramos digitalizados, mas pensávamos que éramos digitais). A primeira coisa que fizemos foi no processo de compra de peças e gestão de fornecedores: e o digital pode ajudar nisso. Apesar de termos um ERP na época, ele não atendia às demandas específicas do nosso setor. E, para customizar, era caro.  Precisamos criar um business case que parasse em pé e que mostrasse que a digitalização de fábrica traria vantagens. Foi uma jornada de entender os nossos processos”

Carlos Sakuramoto, Technical Manager na General Motors

“Alguém tem que construir um produto, o chão de fábrica precisa existir. Tem que ter máquina, mas precisa de alguém para operar essa máquina. A transformação existe, mas precisamos balancear esses dois mundos [físico e digital]. O machine learning não conseguiu tirar a inteligência do ferramenteiro. A academia esqueceu deste lado, criou esse mundo científico, de grandiosidades da tecnologia, mas está esquecendo o chão de fábrica, que alguém precisa criar, ter a solda, a chapa, e que as coisas não acontecem do além, precisamos ter algo físico”

Matthew Couri, Diretor Operacional na Trinity Business Solution

“Meu conselho para as organizações é: não invistam em robotização ainda, primeiro precisa investir em diagnóstico. Em um cliente que atendemos, a eficiência da linha de produção estava em 50%. Só liderando a parte de inteligência de processo, com poucas ações, conseguimos subir para 75%. Depois disso, pudemos partir para a robotização de gargalos”

 

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