Eleições EUA: a visão de Trump e Biden sobre o comércio internacional

publicado 15/06/2020 15h20, última modificação 15/06/2020 15h20
Brasil – Primeira edição de relatório sobre a disputa presidencial com foco na relação bilateral com o Brasil traz análises da corrida presidencial que podem impactar os negócios
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Com um cenário incerto frente à crise do coronavírus, a corrida presidencial nos Estados Unidos entre Donald Trump e Joe Biden influenciará os contornos políticos e econômicos do mundo nos próximos anos. Um dos mais importantes temas é a visão de ambos os candidatos sobre o comércio internacional, com análise completa presente em nosso primeiro relatório da série sobre a disputa presidencial com foco na relação bilateral com o Brasil, em parceria com a Prospectiva Consultoria.

Em 2019, o Brasil foi o 19º maior parceiro comercial dos Estados Unidos e o segundo maior na América Latina, atrás apenas do México. Os Estados Unidos têm obtido sucessivos superávits comerciais com o Brasil em bens (desde 2008) e em serviços (desde 1992). Mais recentemente, ambos os países têm buscado aprofundar seus laços comerciais por meio da redução de barreiras a determinados produtos agrícolas e da discussão sobre compromissos em áreas como comércio, defesa, energia e infraestrutura. Além disso, os Estados Unidos endossaram a candidatura do Brasil à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Conversas recentes entre os Estados Unidos e o Brasil concentraram-se em aprofundar o relacionamento bilateral e avançar em direção a um acordo abrangente de comércio, com apoio de ambos os presidentes Bolsonaro e Trump. Segundo o relatório, neste primeiro momento, é mais provável a conclusão de um acordo bilateral limitado a alguns temas não tarifários, como facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e comércio digital. Um desses exemplos é o acordo de trâmites aduaneiros, como explicado aqui.

Além do relatório, o tema sobre comércio bilateral com os EUA é detalhado em nossa cartilha ‘10 Propostas para uma parceria mais ambiciosa entre Brasil e Estados Unidos’, publicada em julho de 2019.

 

VISÃO DE BIDEN

Historicamente, Biden apoia uma política comercial mais tradicional, com ênfase na redução de barreiras ao comércio e no estabelecimento de padrões globais de comércio a partir dos valores dos Estados Unidos. No entanto, a defesa das políticas de livre comércio e pró-mercado do opositor de Trump foi, de alguma maneira, relaxada nos últimos meses, acenando para o novo clima político e econômico dentro dos Estados Unidos.

Uma das mudanças significativas em sua visão sobre política comercial – em comparação com seus anos no governo Obama – é a promessa de que todas as futuras negociações comerciais incluirão as contribuições de lideranças trabalhistas e ambientais. Assim, essa questão, em específico, pode ser sensível para o Brasil em razão das políticas de proteção ambiental na Amazônia.

No que diz respeito ao Brasil, o candidato não fez – até o momento – qualquer comentário específico sobre a negociação de um acordo comercial ou sobre outro aspecto do relacionamento bilateral. Ainda assim, como anteriormente observado, a maior preocupação com as questões trabalhistas e ambientais podem trazer um elemento complicador nas relações entre os dois países.

Embora Bolsonaro tenha repetidamente expressado seu apoio a Trump durante todo do processo de campanha eleitoral nos Estados Unidos, a postura de uma eventual administração de Biden em relação ao Brasil provavelmente seria guiada por considerações práticas, ainda que com diferenças ideológicas.

 

VISÃO DE TRUMP

As opiniões do presidente Trump sobre política comercial variam caso a caso, marcando uma ruptura com a política comercial liberal mais consistente de seus antecessores, democratas e republicanos. Segundo análise presente no relatório, o presidente norte americano percebe o comércio internacional como um jogo de soma zero, no qual a balança comercial negativa representa uma relação prejudicial, que deve ser revertida a partir de gestões duras com o respectivo parceiro comercial.

A balança comercial positiva para os Estados Unidos em relação ao Brasil e a sintonia política entre os presidentes dos dois países fazem com que a relação bilateral tenha um ponto de partida favorável. Trump apoiou publicamente a entrada do Brasil à OCDE, além de incentivar medidas para aprofundar os laços entre as duas nações.

No último encontro com Bolsonaro, em março de 2020, os dois líderes destacaram os potenciais benefícios da ampliação das relações econômicas entre os seus países e se comprometeram a aprofundar discussões para um “pacote bilateral de comércio” ainda neste ano. Eles também discutiram concluir em 2021 um acordo de reconhecimento mútuo entre seus respectivos programas de Operadores Econômicos Autorizados (OEA), o que agilizará o comércio de bens entre os dois países.

Embora as negociações de um acordo abrangente de comércio entre os Estados Unidos e o Brasil (ou o Mercosul) ainda não tenham sido iniciadas, a reeleição do presidente Trump poderia incrementar as chances de celebração de um acordo desse tipo. Segundo o relatório, tal evento permitiria dar continuidade à agenda econômica bilateral em curso e ampliar as negociações hoje localizadas em alguns temas não tarifários para alcançar o leque completo de temas econômicos e comerciais que caracterizam um acordo de livre comércio.

 O relatório completo está disponível para download gratuito: acesse aqui.