Entenda como fica a relação com o Brasil após oficialização da vitória de Biden

publicado 17/12/2020 15h28, última modificação 17/12/2020 15h28
Brasil – Último documento da série de análises da corrida eleitoral debate assuntos como China, acordos e meio-ambiente
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Oficializada a vitória do candidato Joe Biden pelo colégio eleitoral, o que esperar da relação bilateral entre Estados Unidos e Brasil? Lançado no dia 16/12, o quarto e último relatório da série “Trump vs. Biden” – projeto desenvolvido por nós em parceria com a Prospectiva Consultoria – analisa os resultados das eleições nos EUA, reflete sobre as incertezas que deverão pairar até a posse do Presidente eleito Joe Biden, e consolida reflexões e expectativas sobre a futura administração e seus desdobramentos para o mundo e para o Brasil em temas como comércio, investimentos e relações internacionais. Clique aqui para fazer o download do material completo.

 

RELAÇÃO COM O BRASIL

Segundo o relatório, esperam-se mudanças na administração interna e principalmente na política externa do democrata. Entretanto, em relação ao Brasil, a expectativa é que o acordo já concluído sobre temas não tarifários seja mantido, em especial porque possui o apoio do setor empresarial norte-americano e não depende de aprovação do Congresso dos EUA para entrar em vigor.

Por outro lado, a negociação de um acordo mais abrangente de comércio, envolvendo a redução de tarifas e outros temas mais intrincados, como serviços, propriedade intelectual e compras públicas, embora seja uma iniciativa bem vinda, está envolta de enorme complexidade. Para tanto, seriam necessárias consultas prévias ao Congresso americano e, do lado brasileiro, uma definição se as negociações ocorreriam em conjunto com o Mercosul ou de forma individual pelo Brasil – o que demandaria, nesse último caso, alteração das regras do bloco, em consenso com Argentina, Paraguai e Uruguai.

Além disso, a negociação de um acordo comercial envolvendo Brasil e EUA sempre será desafiador, em grande parte pelo fato de as economias serem muito parecidas em vários aspectos (ambos são grandes produtores de commodities agrícolas e produtos industrializados, como aço, alumínio e automóveis). Mais decisivo ainda, uma iniciativa dessa natureza não deve encontrar priorização na agenda comercial dos EUA, sobretudo nos primeiros anos da administração Biden.

Com a vitória de Biden, o tema da sustentabilidade e da preservação ambiental ganhará centralidade na agenda de comércio e de investimentos envolvendo o Brasil, assim como já ocorre hoje na relação do Brasil com os países europeus. A percepção sobre o compromisso brasileiro na área ambiental será determinante para os rumos do relacionamento com os EUA.

 

O FATOR CHINA

Outro ponto de atenção na relação bilateral deriva da crescente disputa geopolítica entre EUA e a China. Essa questão deve influenciar a agenda norte-americana para a América Latina e, em particular, para o Brasil. Apesar dos EUA deterem o maior estoque de investimentos estrangeiros em território brasileiro, seu crescimento anual vem diminuindo desde o início da década. Por outro lado, a China vem se tornando uma importante fonte de aporte de capitais no Brasil.

Os EUA precisarão reconquistar seu espaço na região e reforçar os instrumentos para viabilizar sua presença competitiva em relação à China, em temas que perpassam investimentos, 5G, cooperação científica, entre outros. A atuação de órgãos como o Eximbank, a International Development Finance Corporation (DFC) e projetos específicos na esteira da recente iniciativa Growth in the Americas (América Cresce), lançada em 2019, podem desempenhar um papel importante.

 

EDIÇÕES ANTERIORES

Esta é a quarta edição de uma série de quatro documentos com interesse especial sobre os efeitos para as relações bilaterais com o Brasil e para as empresas sediadas no País. Veja aqui a primeira, segunda e terceira edição dos relatórios que acompanharam esse processo.