Gestão de crise: conheça o plano de 100 dias de resposta à Covid-19

publicado 02/04/2020 19h44, última modificação 02/04/2020 19h44
Brasil – Deloitte recomenda seis grandes frentes de priorização para empresas responderem, se recuperarem e se sustentarem durante o coronavírus
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Anselmo Bonservizzi, Sócio da Deloitte, afirma que é preciso saber quais frentes priorizar e como agir em momentos de gestão de crise

A crise do Coronavírus pegou a todos de surpresa, e as empresas não ficaram de fora. A imprevisibilidade afeta a todos e é preciso, nesse momento, ter uma gestão de crise bem estruturada. Por isso, realizamos no dia 01/04 o webinar ‘Gestão de risco em meio à crise: como proteger os negócios do novo Coronavírus’, com a participação de Anselmo Bonservizzi, Sócio da Deloitte.

“Vamos sair dessa crise e, quando sairmos, as pessoas vão lembrar por muito tempo das nossas atitudes”, pontua o especialista, lembrando que é necessário agir com cautela em momentos assim. Desta forma, é preciso saber quais frentes priorizar e como agir. Anselmo lembra que os desafios agora são enormes, mas é preciso ser transparente e protagonista.

Por isso, a Deloitte criou um plano de 100 dias para responder à crise, recuperar os prejuízos e sustentar os negócios. Veja abaixo as recomendações para cada um dos seis pontos:

GOVERNANÇA DE CRISE

Mantenha-se firme a seus valores e princípios corporativos e estabeleça um Comitê de Gestão de Crise para gerenciar o seu plano. Depois disso, defina o que não é negociável: quais produtos, serviços, segmentos de clientes, linhas de negócios, funcionários etc. são os mais críticos para o fluxo de caixa contínuo e futuro e que devem ser preservados. Além disso, monitore as principais mudanças que vêm ocorrendo entre agentes de mercado, sobretudo com clientes e reguladores, em um contexto no qual alterações vêm ocorrendo com muita frequência. Por fim, desenvolva e implemente uma estratégia de comunicação da gestão da crise para todos os seus stakeholders.

GESTÃO DE PESSOAS

Mantenha a comunicação muito clara e frequente e crie mecanismos para orientar, monitorar e assistir quem necessita entre seus funcionários (casos confirmados e suspeitos de Covid-19, assim como outros problemas de saúde). Também é importante estabelecer planos de sucessão e prevenção para lideranças e equipes técnicas. Implemente e monitore condições de trabalho flexíveis (essencial nesta fase, que pode perdurar), provendo as tecnologias e informações necessárias. Por fim, avalie os aspectos críticos relacionados às mudanças nas relações trabalhistas em decorrência das recentes medidas de flexibilização do Governo, capacitando-se para atuar em alterações nos contratos de trabalho, caso necessário.

IMPACTOS FINANCEIROS

“Esse tópico é um dos que mais preocupa as empresas ultimamente e que poderíamos ficar falando o dia inteiro sobre”, pontua. Ele começa lembrando que a empresa deve priorizar a gestão e manutenção do capital de giro e a preservação da liquidez e fluxo de caixa projetado para os próximos 100 dias.  “Foque o controle de custos e despesas operacionais, evitando rupturas na cadeia de suprimentos”, comenta, lembrando que há também a necessidade de interagir e negociar com os stakeholders prioritários do ecossistema – eles também têm problemas similares neste momento e devem estar abertos a discutir.

Entenda os impactos das obrigações contratuais para situações de força maior; da mesma forma, reúna a documentação necessária para renegociações e reivindicações contratuais. Negocie também termos de financiamento mais flexíveis e de curto prazo e/ou busque linhas alternativas de financiamento. É importante também considerar os benefícios temporários recém-estabelecidos pelo Governo em relação a suspensão, adiamento ou redução de contribuições tributárias.

Por fim, avalie a venda de sua carteira de créditos não performados e de ativos não operacionais; analise créditos tributários e incentivos governamentais para acelerar oportunidades no curto prazo, e garanta que todas as ações sigam princípios de negócios responsáveis – sua empresa depende da recuperação do mercado e da sociedade como um todo.

CADEIA DE SUPRIMENTOS E OPERAÇÕES

Neste tópico, antes de tudo, identifique as rupturas já existentes na sua cadeia de suprimentos e potenciais riscos na operação, desenvolvendo um plano de contingência. Logo após, efetue um levantamento sobre matérias-primas, embalagens, materiais e serviços essenciais necessários para as entregas críticas ao seu negócio, e considere com os fornecedores estratégicos ações em conjunto, como otimização de cargas, planejamento integrado de produção e gestão colaborativa de capacidades.

Também é importante identificar os fornecedores mais vulneráveis financeiramente e que podem gerar maior impacto na sua linha de produção, avaliando a possibilidade de realizar aportes financeiros e/ou adiantamentos para que possam adquirir matérias-primas, manter a produção ativa e cumprir com as entregas. Tão importante quanto o que foi citado anteriormente é revisar o planejamento logístico, com foco em redução de custos. Isso para identificar o que pode implicar em fechamento temporário ou permanente de plantas produtivas. Por fim, reavalie o seu plano de inovações para identificar a chance de antecipar o lançamento de produtos que ajudem a sociedade neste momento de crise – o que pode ser um bom negócio para você e para a população.

CLIENTES E RECEITA

Nesse momento, é muito importante priorizar os clientes-chave no restabelecimento das atividades, procurando engajá-los em seus esforços para apoiar a continuidade do negócio. Além disso, reforce a lealdade, protegendo e recompensando os clientes e também oferecendo apoio comercial e condições especiais, dentro das possibilidades. Lembre-se: quando a crise acabar, as pessoas lembrarão por muito tempo as atitudes das empresas.

Reavalie a jornada e experiência do consumidor, adaptando sua estratégia de ida ao mercado e implementando a transição de canais físicos de venda e entrega de produtos e serviços para modelos digitais. Considere a oportunidade ou necessidade de diversificar a atividade-fim e eventualmente o próprio modelo de negócio, lançando mão de novas alternativas para a obtenção de receita para se adequar à nova realidade. Por fim, desenvolva uma estratégia de comunicação clara e consistente, considerando os clientes e também os funcionários que interagem diretamente com eles, a respeito das medidas adotadas por sua empresa para garantir a continuidade dos negócios.

TECNOLOGIA E MEIOS DIGITAIS

Esse tópico será seu grande aliado durante essa gestão de crise. Assim, considere ferramentas colaborativas para acesso e trabalho remoto; prepare sua infraestrutura para novos padrões de tráfego e utilização, avaliando padrões de segurança, autenticação e capacidade de rede, além de considerar seus parceiros e fornecedores. Dedique estrutura e equipe 24 horas para garantir suporte tecnológico para a continuidade do negócio diante de uma crise que requer trabalho remoto.

Além disso, desenvolva um dashboard de dados e alertas em tempo real para atendimento aos diversos níveis executivos; crie ou reforce os canais digitais de comunicação com clientes e de venda, o que pode ser essencial em um cenário de quarentena institucionalizada e de proibição de funcionamento de estabelecimentos físicos. Revise, atualize e teste o Plano de Continuidade de Negócios e o Plano de Recuperação de Desastres garantindo que as aplicações e dados estejam operacionais para este momento.

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais, inicialmente programados até o dia 31 de março, em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amchambrasil.com.br/aovivo.