Trump vs. Biden: o que pensam os candidatos sobre a política externa americana

publicado 22/06/2020 16h13, última modificação 22/06/2020 16h13
Brasil - No primeiro relatório da série sobre a disputa presidencial norte-americana, especialistas analisaram a retórica da campanha de Donald Trump e Joe Biden a fim de entender o que pensam os candidatos
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O resultado da disputa presidencial entre o atual presidente Donald Trump e o Joe Biden impactará não apenas no comportamento dos Estados Unidos, mas definirá o cenário econômico e político mundial nos próximos quatro anos. No começo do ano, as narrativas eleitorais de ambas as partes pareciam claras, mas a crise econômica, social e de saúde mudou os rumos do jogo.

Além da resposta negativa do governo federal ao novo coronavírus, que já vitimou mais de 100 mil americanos, os prováveis danos econômicos resultantes da pandemia e os crescentes protestos em torno da morte de George Floyd criam condições desfavoráveis para a reeleição do atual presidente e tornam a corrida imprevisível.

Com um cenário incerto, as atuais pesquisas de intenção revelam que o democrata tem mais chances de vitória do que o republicano. De acordo com uma pesquisa divulgada na última quarta-feira (17/06), pela Reuters/Ipsos, o atual presidente conta com apenas 35% de voto para as eleições de novembro. Enquanto isso, Joe Biden marcou 48%.

Como se não bastasse o clima quente dentro de casa, o governo atual é alvo de duras críticas ao que tange a política externa. Porém, apesar da importância do tema, a política externa geralmente representa um tema de relativo baixo perfil nas eleições nos Estados Unidos, sendo que a política externa direcionada para a América Latina ocupa um espaço ainda menor.

No primeiro relatório da série sobre a disputa presidencial norte-americana, desenvolvido em parceira com a Prospectiva Consultoria, especialistas analisaram a retórica da campanha de Donald Trump e Joe Biden a fim de entender o que pensam os candidatos sobre questões relacionadas a política externa, com interesse especial sobre os impactos para as relações bilaterais com o Brasil.

 

VISÃO DE TRUMP

A política externa dos Estados Unidos em relação à América Latina sob a administração de Trump se concentrou nos governos socialistas de Cuba e Venezuela, na imigração de países da América Central e em questões comerciais e de fronteira com o México.

De acordo com o relatório, em relação a outras regiões da América Latina, a política do republicano contava com uma abordagem mais transacional, na qual o foco era obter concessões para acordos comerciais ou militares. Por outro lado, questões estratégicas relacionadas a China, Rússia e Oriente Médio foram marcadas por rupturas e acabaram ficando para trás.

No Brasil, a afinidade entre Jair Bolsonaro e Donald Trump fez o país apresentar movimento convergentes em questões de interesse internacional. Além de votar contra o pedido da ONU de encerrar o embargo imposto à Cuba pelos Estados Unidos, o governo brasileiro sinalizou uma ampla cooperação com os norte-americanos ao apoiar o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e assinar um acordo na área militar para o desenvolvimento de projetos futuros.

Apesar dos sinais em direção ao apoio americano, a reeleição do republicano não parece gerar grandes mudanças na relação bilateral entre os países. “No governo Trump não há e não tem a previsão de se criar uma política específica para o Brasil. O que há é um guichê de boa vontade, mas que pode ser facilmente fechado caso os interesses do presidente se coloquem na frente”, afirma a jornalista Marina Dias, que participou de webinar organizado por nós no dia 19/06.

 

VISÃO DE BIDEN

A política externa de Biden, especialmente em relação à América Latina, guarda enorme correlação com a do governo Obama, diz o relatório. Segundo o candidato, as ações principais focariam na tentativa de retomar as relações com Cuba, apoiando seu processo de democratização. Na Venezuela, assim como Trump, o democrata também reconhece Juan Guaidó como presidente interino e apoia sanções contra Nicolás Maduro.

O ponto mais divergente entre os dois candidatos diz respeito à imigração vinda a América Central, impulsionada pelas crises econômicas e de segurança nos países do “Triângulo Norte”. Como tentativa de limitar o ímpeto migratório, Biden busca apoiar programas de ajuda para aumentar a segurança e capacidade dos governos de Honduras, Nicarágua e El Salvador.

Em relação ao Brasil, a retórica da campanha de Biden não fez – até o momento – nenhuma menção específica ao Brasil. “Com Biden, o cenário bilateral fica mais complicado porque existe uma certa repulsa ao Jair Bolsonaro, por conta da ameaça a democracia e aos Direitos Humanos. Para melhorar essa relação, o Brasil precisa seguir os convênios internacionais que assinou, tratar da preservação da Amazônia e adotar a política de clima”, avalia Paulo Sotero, Distinguished Fellow do The Wilson Center, também durante webinar sobre as eleições nos EUA.

 

O relatório completo está disponível para download gratuito: acesse aqui.