Gestão

PepsiCo, Fiat, Tecnisa e ESPM listam quatro competências exigidas do profissional de Marketing

publicado 08/03/2018 10h20, última modificação 08/03/2018 10h29
São Paulo – Profissional que apenas comunica a marca vai deixar de existir, segundo Crescitelli, da ESPM

Para Romeo Busarello, diretor de Marketing da Tecnisa, a grande complexidade e segmentação do cliente acabaram com a era dos profissionais palpiteiros. “Os marqueteiros, na sua grande maioria, acham muito, observam pouco e não medem nada. Hoje, é possível saber na hora o que faz sentido numa campanha de marketing e corrigir logo o rumo”, disse, no comitê de Marketing da Amcham – São Paulo em 23/2.

Ao lado de Daniela Cachich, vice-presidente de Marketing da Pepsico, Edson Crescitelli, diretor acadêmico de pós-graduação da ESPM, e João Ciaco, diretor de Marketing da Fiat Chrysler, Busarello avaliou as transformações de mercado e o que os profissionais de marketing precisam dominar para atender às demandas atuais. “Mudou o comportamento (do cliente), a forma como as pessoas consomem. Se você, profissional de marketing, não entender isso, não terá como ser eficiente”, detalha Cachich.

Para Ciaco, da Fiat, o trabalho atual do marketing é entender pessoas, contar boas histórias e criar relações para oferecer as melhores experiências. “Isso é cada vez mais desafiador”, admite.

Quatro competências essenciais foram listadas pelos especialistas. Veja abaixo:

1. Capacidade analítica

O ponto em comum levantado pelos executivos é a necessidade de desenvolver capacidades analíticas. O profissional do marketing que é apenas comunicador de marca está deixando de existir, segundo Crescitelli, da ESPM.

“Hoje a atividade de marketing está mais analítica e ligada à tecnologia. Logo, o conceito de online [divulgação de marca em ambientes virtuais – sites, redes sociais e links patrocinados] e off-line [divulgação sem uso da internet] vai deixar de fazer sentido.” Sem o domínio de ferramentas tecnológicas, como big data, IoT (internet das coisas) e inteligência artificial, não será possível desenvolver essas atividades, acrescenta o acadêmico.

Mais do que dominar tecnologias, é preciso ter habilidade para trabalhar, escolher e agir sobre informações relevantes, reforça Ciaco, da Fiat. “No universo de dados, a grande competência do marketing é selecionar o que é relevante e interpretar o que faz sentido para o consumidor.”

2. Flexibilidade para trabalhar com áreas diversas

O casamento entre TI (Tecnologia da Informação) e Marketing será cada vez mais comum, assim como a aproximação com outras áreas, de acordo com Cachich. “Nunca foi tão forte a interação de marketing com vendas. O profissional de marketing não vai fazer só campanha, ele tem que vender. Se no passado tudo era muito departamentalizado, hoje todos têm que pensar juntos na criação de demanda”, detalha.

Ciaco reforça a importância de trabalhar com profissionais de diferentes formações. “Além das novas ferramentas de inteligência digital, é preciso agregar a experiência de gente de humanas, exatas e estatística, por exemplo.”

3. Mais digital

O tempo que os usuários passam para acessar informações e fazer compras é maior no meio digital (celulares, computadores), o que obriga as empresas a direcionar estratégias para se posicionar e comunicar com os clientes nos canais virtuais. “Antes, fazia duas campanhas por ano na TV e ficava seis meses no ar. Isso está velho hoje”, segundo Cachich. Para a executiva, o benefício de ser mais digital é conseguir dialogar mais com os consumidores.

“No segmento da PepsiCo, bens de consumo, tenho que fazer parte da vida das pessoas e da conversa delas. Tenho que estar no mobile, e isso não é mais uma escolha”, exemplifica. Na lista de competências, os profissionais de marketing terão que ser naturalmente digitais, entender varejo tradicional, eletrônico e serem multifuncionais.

4. Relacionamentos e mais ‘horas/bar’

Se antes da revolução digital o profissional de marketing era quem falava e chamava, hoje ele tem que conversar mais não só com os usuários, mas também os próprios pares. Para Busarello, da Tecnisa, é preciso fazer mais “hora/bar”. “A hora/bar é se encontrar mais com os colegas depois do expediente para conversar e se atualizar. Não deixa de ser uma forma de estudo, que deve ser feito sempre, só que informal”, observa.

registrado em: