Há alguns anos, as redes sociais influenciam de maneira determinante na política. As campanhas digitais, em um contexto de distanciamento social, ganham ainda mais força e relevância: e isso não será diferente nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em novembro. Em parceria inédita, a Amcham Brasil e Bites se juntam para olhar e conversar sobre a corrida eleitoral do ponto de vista digital.

Nesta página, você encontrará os principais dados de performance dos candidatos Donald Trump e Joe Biden nas redes em diferentes períodos de junho até novembro. Falamos em tração (capacidade de um agente digital movimentar as redes sociais), menções (quantidade de vezes que uma pessoa é citada por outras na internet), total de seguidores nas páginas oficiais, publicações com maior engajamento de cada candidato, palavras mais citadas relacionadas a cada um e uma análise exclusiva sobre essa disputa.


PERÍODO DE 06/10 a 12/10

tração nas redes sociais

37%
63%

COMO ESSE NÚMERO É CALCULADO?


Tração é um algoritmo que mede a capacidade de um agente digital gerar, dentro do seu universo de seguidores ou em um conjunto de outros agentes, movimentos de engajamento com os conteúdos. Esse movimento é traduzido em likes, shares, comentários e retuítes. Significa que, quanto mais chamar atenção para seus posts dos seus aliados, maior será a tração de um agente.

Perfil dos candidatos

Advogado e político norte-americano. Foi o vice-presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017 e exerceu seis mandatos consecutivos como senador pelo Delaware.

 

Empresário e político americano. É atualmente presidente dos Estados Unidos, eleito em 2016, e está concorrendo ao seu segundo mandato como chefe do Executivo.

Performance no período

 

Menções no período

39,1M
24% em relação ao período anterior

Total de seguidores

19,2M
4,6% em relação ao período anterior

Performance no período

 

Menções no período

61,1M
37% em relação ao período anterior

Total de seguidores

141,1M
0,52% em relação ao período anterior

Publicação com maior engajamento

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Publicação com maior engajamento

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Palavras mais citadas

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Palavras mais citadas

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Análise e repercussão 

A semana dos vices


A última semana teve protagonismo dos candidatos a vice por causa do debate entre o vice-presidente Mike Pence e senadora Kamala Harris no dia 07/10. Os posts com mais interações feitos por Trump e Biden foram louvando seus vices, repercutindo o debate. Nas redes dos próprios vices, Kamala bate com certa folga Pence, invertendo o que se vê na disputa entre os cabeças de chapa. Desde 11 de agosto, quando ela foi anunciada a companheira de chapa de Biden, Kamala teve 83,2% da tração no cenário contra Mike Pence. Em 32 dias, a repercussão dos posts do vice-presidente só superou os da senadora em duas ocasiões, e por muito pouco. O debate voltou a impulsionar Kamala e quase não teve impacto sobre Pence. A democrata se destacou em especial com posts no Instagram acusando Trump e Pence de gerir mal a crise do novo coronavírus – em apenas um desses posts, alcançou 697,3 mil interações. Pence, mesmo com a live do debate transmitida ao vivo no seu Facebook, teve só 71,5 mil interações no post que mais gerou interesse dos seguidores. A senadora também tem bem mais seguidores (13,1 milhões contra 8,5 milhões) e cresce em taxas maiores (nos últimos 7 dias, cresceu 8,3%; contra 3,2% de Pence). 

Enquanto isso, por mais que Trump continue muito maior que Biden nas redes, as notícias sobre ele seguem mais negativas que positivas. Na última semana, uma notícia da NBC News sobre a fala do presidente dizendo que as negociações para novo pacote de estímulo à economia deviam parar até a eleição gerou 3,2 milhões de interações e destacou a má reação do mercado. Também se destacaram as críticas de médicos à administração da crise da Covid-19, e declaração de Pence afirmando que é contra o aborto e não se arrepende disso (essa é uma notícia que divide o eleitorado). Outro assunto que chamou a atenção na semana foi a insistência de Kanye West em ser candidato, mesmo sem ter o nome na cédula na maior parte dos estados. Ele publicou no Twitter ensinando as pessoas a votarem nele, no modelo write-in, em que é preciso escrever na cédula em vez de só marcar o nome do candidato escolhido.

Brasil fala sobre EUA

O que os brasileiros estão falando sobre os estadunidenses nas redes sociais? Como o Brasil é percebido pelos Estados Unidos? Nesta seção, veremos as principais notícias que tiveram grande alcance nas redes sociais e uma nuvem de palavras com as principais menções em sites de notícias, blogs, Twitter e fóruns. Acompanhe abaixo os principais dados e a análise do período:

[Renova Mídia] EUA, Japão, Austrália e Índia desafiam China no Indo-Pacífico

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[Renova Mídia] EUA reforçam proibição de imigração de militantes de partidos comunistas

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Palavras mais citadas

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Nomes mais citados

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EUA fala sobre Brasil

[NBC] Wife of Pennsylvania's lieutenant governor called racist slur at grocery store

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[Huffpost] Wife Of Pennsylvania's Lieutenant Governor Films Woman Berating Her With Racist Slur

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Palavras mais citadas

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Nomes mais citados

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Análise e repercussão


Brasil fala sobre EUA

No Brasil, a mídia bolsonarista continua pautando o interesse pelos EUA. As duas matérias que se destacaram na última semana foram do Renova Mídia, site pró-governo com 1,2 milhão de visitas mensais. Eles investiram em texto destacando tensão entre Estados Unidos e Chine e nas restrições feitas pelos americanos à imigração de militantes de partidos comunistas. A BBC repercutiu fala de Bernie Sanders criticando o governo Bolsonaro por sua política em relação a índios e quilombolas. No Twitter, foram 171 mil menções a EUA ou americanos publicadas por brasileiros. Destacaram-se, na rede, críticas feitas por brasileiros ao sistema de saúde americano, por ser muito caro e um post do presidente Jair Bolsonaro agradecendo a chegada de ventiladores doados pelo governo americano. 


EUA falam sobre Brasil

Na semana, foram publicadas 61,2 mil menções ao Brasil ou brasileiros, só no Twitter, por americanos. Houve algum espanto com a inauguração de uma loja da Havan em Belém, em meio à crise do coronavírus. Nas notícias, quem foi assunto nos EUA foi uma brasileira: Gisele Barreto Fetterman, a mulher do vice-governador da Pennsylvania, John Fetterman, que já foi imigrante sem documentos. Ela foi alvo de ataques racistas, o que gerou bastante repercussão – as duas notícias com mais repercussão somaram 42,8 mil interações. Além disso, houve interesse sobre uma matéria do Washington Post que mostrou o risco do coronavírus a línguas indígenas, porque elas podem deixar de existir com a morte dos anciões das tribos. A matéria deu exemplos no Brasil e falou com Tapi Yawalapiti, de uma tribo amazônica.