CEO Fórum POA reúne 800 executivos para discutir o futuro dos negócios

publicado 12/11/2018 17h41, última modificação 19/12/2018 11h42
Porto Alegre – Estratégias de conexão, reinvenção e liderança feminina pautaram apresentações do maior evento de lideranças do RS
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A Amcham Porto Alegre realizou a XVI edição do CEO Fórum no dia 09/11, no Teatro do Bourbon Country, com o tema “A construção do futuro agora”. Participaram como palestrantes Carla Assumpção, CEO Brasil da Swarovski; Joana D’arc Félix, cientista, professora brasileira e PhD pela Universidade de Harvard; Andiara Petterle, Vice-Presidente de Produto e Operações do Grupo RBS; Luis Rasquilha, CEO da Inova Consulting; e Sean Ness, diretor de desenvolvimento de negócios do Institute For The Future.

 

Conexão

Luis Rasquilha foi o primeiro a se apresentar. Segundo ele, o mundo vive hoje a quarta revolução industrial, iniciada com o iPhone, em 2007. Essa transformação da história faz com que as pessoas vivam uma vida conectada, em que as convergências acontecem a todo tempo. “Meu filho, por exemplo, desde os oito meses, domina plataformas como o Spotify, Netflix, Facetime, Youtube, entre outras. Um dia desses, ficou traumatizado que a televisão da nossa casa não era touchscreen. Passou a mão na tela e nada aconteceu”, conta o professor, lembrando todas as facilidades que a tecnologia trouxe ao homem. 

Com mais pessoas se conectando – projeções calculam que mais de 70% da população mundial estará conectada através de dispositivos móveis - o conhecimento e as mudanças vão acontecer de forma muito rápida, dobrando a cada 12h. “Não será possível saber tudo o tempo inteiro: este é o século da complexidade. E nós somos a geração que está vendo tudo acontecer. Cabe a cada um ser espectador ou protagonista do futuro, e, como organizações, devemos pensar em como motivar as pessoas e testar coisas novas”. Cocriação e liderança compartilhada são as palavras do futuro, defende Rasquilha.

Segundo o executivo, profissionais e empresas precisam ter alguns pontos estabelecidos, como a definição de um propósito, a entrega de sonhos e valores aos colaboradores e clientes, a aproximação entre pessoas e tecnologias, o olhar para o futuro, a interação com o cliente e a criação de um ecossistema propício. “As mudanças precisam de protagonismo”, finalizou.

Sean Ness, diretor do Institute for the Future (IFF), principal think tank de estudos futuros estratégicos do mundo, fez suas projeções. Segundo ele, hoje, devido aos smartphones, caminhamos na metade da velocidade que antes, pois estamos sempre distraídos. Além disso, vivemos em bolhas, seguindo e compartilhando, a partir das redes sociais, os assuntos que nos interessam. Também não somos mais donos das coisas, e sim acessamos o que queremos o tempo todo. “A internet está nos afastando e não nos unindo”, acredita.

 

Presença feminina e superação 

Carla Assumpção e Andiara Petterle chamaram a atenção  do público com suas trajetórias pessoais e profissionais. Engajamento de equipes, negócios disruptivos, empreendedorismo e a importância da inovação nas grandes organizações estiveram entre os temas tratados pelas executivas.

A XVI edição do CEO Fórum encerrou com chave de ouro. Joana D'Arc Félix, cientista e professora da Escola Agrícola de Franca, no interior de São Paulo, emocionou a todos os presentes ao contar sua trajetória - que começou aos 4 anos de idade, incentivada pelos conselhos do pai. Filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume, encontrou nos estudos a chave para transformar uma vida de grandes dificuldades. Aos 14 anos, foi aprovada em Química na Unicamp. Depois, veio o mestrado, o doutorado e o pós-doutorado em Harvard, concluído aos 24 anos.

Hoje, aos 53 anos, Joana já acumula 82 prêmios na carreira, com destaque para o Kurt Politzer de tecnologia de pesquisadora do ano em 2014. Na palestra, contou aos presentes os obstáculos enfrentados, como a falta de estrutura financeira e o preconceito, o que, segundo ela, lhe deu forças para seguir em frente. Aprendeu a ler aos quatro anos e surpreendeu a patroa de sua mãe, que lhe garantiu uma vaga na escola de Ensino Fundamental administrado por ela. 

Hoje, acredita que só a educação pode salvar e transformar vidas. Com seus alunos, grande parte deles marginalizados pela sociedade - ex-traficantes, ex-prostitutas, nas palavras dela - desenvolveu uma pele artificial humana com matéria-prima derivada da indústria de curtume, utilizada em transplantes e recuperação de pele e em pacientes com queimaduras, e auxilia no desenvolvimento de novos tratamentos para doenças dermatológicas. Também, utilizando os mesmos resíduos, produz bolsas e roupas vendidas em grandes shoppings de São Paulo, gerando renda para os estudantes. Com eles, registrou ainda 15 patentes nacionais e internacionais. 

“A educação é a arma mais poderosa para vencermos os obstáculos da vida. A origem social não é um destino e o aluno precisa compreender que pode ser bem-sucedido por meio do aprendizado”, acredita.

Segundo Marcelo Rodrigues, superintendente centro-sul da Amcham Brasil, o evento conseguiu abordar diferentes aspectos sobre o futuro, conscientizando os participantes sobre a importância de pensar à frente nas organizações e de unir pontos como a inovação, a tecnologia, a educação e os talentos - quatro pilares da Amcham.

“Os palestrantes trouxeram visões  de países como os Estados Unidos e da Europa, o que agregou muito ao CEO Fórum. Além disso, pela primeira vez, tivemos mais mulheres do que homens palestrando, reconhecendo a importância de dar voz a essas líderes na construção de uma visão mais inclusiva e global da sociedade”, destacou o executivo.