CEO’s estão otimistas com 2020 e preocupados com a relação Planalto-Congresso

publicado 09/12/2019 11h58, última modificação 10/12/2019 10h36
Brasil - Levantamento realizado pela Amcham aponta ano de crescimento empresarial e do PIB, mas com incertezas de governabilidade e no ambiente interno brasileiro
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Foto: Marcos Corrêa/PR (Agência Brasil)

As perspectivas são boas para 2020. Esta é a visão de 40 CEO’s das maiores empresas em operação no Brasil. Mensalmente reunidos em encontro fechado Amcham Brasil, as lideranças de corporações e indústrias dos principais setores da economia apontaram tendências de investimentos e para o ambiente econômico em Pesquisa Amcham inédita. 

A maioria das empresas projeta crescimento ‘bom ou muito bom’ em 2020. Dos 40 entrevistados, 85% revelou apostar em projeções até 10% maior que o realizado este ano. A parcela que acredita em um ano “muito bom”, com faturamento acima de 10%, é de 52% dos executivos. Já 33% deles apostam em uma projeção ‘boa’ com indicadores internos entre 5% e 10% considerando seu orçamento de 2019. Uma parcela menos otimista, de 15% dos consultados, apontou um previsão de crescimento entre 0 e 5%.

Para conquistar este crescimento, a maioria dessas organizações terão dois pontos de investimentos prioritários: inovação e transformação digital; e eficiência e produtividade, ambas ações apontadas por 31% dos consultados. A aquisição ou investimentos em novos mercados e investimento em pessoas foi citada igualmente por 14% deles. Uma minoria planeja uma ampliação geográfica no Brasil (14%) ou internacionalizar produtos e serviços (7%).

Já os CEOs vão investir parte da sua agenda de gestão em produtos e novos modelos de negócios (36%), eficiência de processos (32%), melhorias na experiência do cliente (25%) e integração de sistemas (7%). “Os executivos estão otimistas com as reformas que podem retomar a produtividade e transformar o ambiente de negócios brasileiro mais competitivo”, afirma a nossa CEO, Deborah Vieitas, na reunião do comitê Estratégico de CEO’s de 6/dez, em São Paulo. Na ocasião, Deborah reforçou que a entidade tem se empenhado na defesa de tratados comerciais como o entre o Mercosul e a União Europeia e reformas favoráveis ao ambiente econômico.

E AS INCERTEZAS E O PIB?

A maioria (72%) acredita em sequência da retomada econômica em 2020, com melhorias nos indicadores de consumo e produção. Outros 25% enxergam um cenário igual a 2019, com possibilidade de evolução dos indicadores só em 2021. Já o crescimento do PIB deve ser regular, com projeções entre 0e 2%, segundo 56% dos empresários. Os otimistas compõem 44% dos entrevistados. Eles acreditam que o PIB já voltará a crescer acima de 2% no próximo ano.  

De acordo com os CEOs, apenas uma grande incerteza pode atrapalhar essa recuperação econômica brasileira em 2020. O ponto de preocupação de 69% deles é a governabilidade do presidente Jair Bolsonaro e sua capacidade de liderar a relação do Planalto com o Congresso. Outros 16% entendem que o quadro fiscal preocupante e dependente de mais reformas estruturais podem gerar incertezas relevantes. Ameaças pela desaceleração da economia global (9%) ou pela falta de confiança de consumidores e investidores (6%) foram citadas por uma parcela menor dos entrevistados.

Pedimos para eles listarem as principais ameaças ao crescimento empresarial brasileiro em 2020. Nenhum CEO enxerga um ano de riscos significativos em temas como cybersegurança, regulatório, operacional, compliance, socioambiental, cadeia de fornecedores ou tecnológicos. Nesta lista, somente quatro ameaças foram citadas, sendo o cenário político/econômico brasileiro a principal delas, segundo a visão de 58%. As tensões internacionais são significativas tensões monitoradas em 25% desses negócios. Outras ameaças listadas são de novos concorrentes (13%) ou escassez de mão de obra (4%).

Os empresários também listaram quais devem ser as prioridades do Governo Federal em 2020. Em ordem estratégica aparece: reforma tributária (53%), ajustes das contas públicas (28%), privatizações (9%) , agenda de concessões (6%) e diálogo público-privado (3%).