Concorrência com players internacionais e novos nichos são tendência para o mercado de saúde nacional

por simei_morais — publicado 10/04/2013 16h19, última modificação 10/04/2013 16h19
São Paulo – Gerente da Deloitte analisa oportunidades para toda a cadeia para os próximos cinco anos
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Um futuro de concorrência crescente entre empresas nacionais e multinacionais, com grandes possibilidades de negócios em nichos é o que se desenha para o mercado de saúde brasileiro, nos próximos cinco anos. É o que pensa Fernanda Guerra, gerente de Life Science e Health Care na Deloitte, que fez as projeções no comitê aberto de Saúde da Amcham – São Paulo, nesta quarta-feira (10/04).

Responsável por movimentar, no país, R$ 259,8 bilhões ao ano – o que significa 9% do PIB (Produto Interno Bruto)-, a cadeia desperta o desejo de grandes companhias estrangeiras em áreas que vão da indústria aos serviços de assistência, diz Fernanda.

De acordo com a gerente, o mercado brasileiro ainda movimenta um percentual do PIB abaixo da média mundial, que é de 9,4%, além de se tornar atraente, diante da crise na Europa e da desaceleração da China. “Vemos a indústria farmacêutica entrando muito forte com as concorrências de nacionais e multinacionais”, diz.

Além da indústria farmacêutica e de saúde animal, o segmento de medical devices (equipamentos e suprimentos) também está na mira de grandes empresas estrangeiras, diz.

Ao lado de parceiros de Brics como Índia e Rússia, o país se tornou seara também para P&D, área estratégica para a indústria farmacêutica mundial, nos anos 2000, após as quebras de patentes. “Sabendo que teria perdas adiante, a indústria precisou investir em P&D e aumentar a margem operacional”, acrescenta.

Genéricos e biotecnológicos

Fernanda comenta que as oportunidades de negócios estão em cosméticos, odontologia e sistemas de informação para suporte, tanto na indústria quanto na área de assistência.

Na indústria farmacêutica, não há cenário próximo sem destaque para genéricos e biotecnologia. “As operadoras estão impondo cada vez mais os genéricos nos hospitais”, cita. Em biotecnologia, a tendência é trabalhar com células pluripotentes. “A gente já perdeu a primeira onda, a dos [medicamentos] sintéticos. Não podemos ficar fora dessa”, declara.

Análise por segmento

Fernanda Guerra fez um panorama sobre os segmentos da cadeia de saúde, no Brasil. Além de P&D, a indústria farmacêutica, que faturou US$ 27,1 bilhões (21% do mercado nacional de saúde), destaca-se pelo fortalecimento de grupos, após fusões e aquisições. Há também o aumento do acesso aos medicamentos por classes emergentes, maior demanda dos governos, novos canais de venda (como supermercados e comércio eletrônico) e um sistema nacional de controle de medicamentos e rastreabilidade.

O aumento dos gastos em saúde também possibilita o crescimento em medical devices (equipamentos e suprimentos), que movimenta US$ 4,79 bilhões (3,7% do mercado de saúde). O setor atrai investimentos de multinacionais para retomada de licenças e registros, com objetivo de atuação direta no país. Há, ainda, um alto potencial para importação, distribuição e produção local.

Classes emergentes

A gerente lista o desejo da população em ser atendida pelo setor privado como uma das principais oportunidades para as operadoras de planos de saúde, cujo faturamento chega a US$ 41,2 bilhões (32,1% do mercado). Ela cita ainda grandes eventos nacionais, como Copa do Mundo e Olimpíadas, e a demanda reprimida das classes emergentes (C e D) como fatores de expansão. “A consolidação, a verticalização e o aumento gradativo de usuários são as principais tendências até 2015”, diz Fernanda, sobre as operadoras.

Demanda reprimida também deve impactar o setor de medicina diagnóstica, que representa 7,8% do mercado de saúde, com US$ 9,98 bilhões ao ano. Segundo Fernanda, o setor ainda conta com oportunidades em fusões e aquisições e fatores como o crescimento de beneficiários de saúde suplementar, maior cultura de prevenção e diagnóstico precoce e o aumento de doenças crônicas na população.

Responsáveis por 28,9% do mercado de saúde, com US$ 37,1 bilhões, os hospitais também devem se beneficiar do crescimento da rede de medicina privada e da demanda reprimida existente hoje no país. Entre as oportunidades do setor, há o desenvolvimento de centros de especialidades, o turismo médico (64% do mercado se concentram no Sudeste e no Sul do Brasil), as parcerias público-privadas (PPPs), o envelhecimento da população e a expectativa de surgimento de doenças crônicas.

Em todos os segmentos, Fernanda afirma que a tecnologia terá de estar cada vez mais presente, como suporte para a gestão e maior eficiência dos processos. Em hospitais, por exemplo, a tendência é investir em prontuários eletrônicos, que vão se tornar, também, plataformas de trocas de dados. “Os Estados Unidos estão passando por um boom [de inauguração de prontuários eletrônicos]. Historicamente, nós sempre usamos depois deles, mas o ideal é fazermos isso ao mesmo tempo, nas redes pública e privada”, declara.

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