Das lavouras de café a uma das maiores empresas de TI do Brasil

por simei_morais — publicado 19/04/2013 17h17, última modificação 19/04/2013 17h17
São Paulo – Fundador da Resource IT Solutions conta sua trajetória rumo ao faturamento de R$ 1 bilhão
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Gilmar Batistela quer dobrar o faturamento da Resource IT Solutions e levá-lo à marca de R$ 1 bilhão, até 2017. Sua trajetória de empreendedor mitiga qualquer dúvida quanto ao sucesso de sua meta. Há 35 anos, quando tinha 17, ele deixou a terra dos pais em ajudava a colher café, na pequena Monte Castelo, divisa com Mato Grosso do Sul, para buscar emprego na capital paulista, sem saber fazer nada, além da lavoura. Conseguiu erguer uma das três maiores empresas de TI a operar no país, competindo com gigantes internacionais.

Ele contou sua trajetória no 4º Encontro de Empreendedores da Amcham – São Paulo nesta sexta-feira (19/04). (Leia mais)

A empresa opera, hoje, em 14 escritórios no Brasil, um nos Estados Unidos, um no Chile e um na Argentina, conta com quase três mil colaboradores e presta serviços em TI a mais de 300 clientes, boa parte deles os bancos, para quem a Resource faz todos os softwares que permitem pagamentos com cartões de débito e crédito.

Agora, a empresa está trabalhando a todo vapor para pôr na praça a tecnologia para pagamentos via mobile, o próximo jeito de fazer pagamentos on line.

Como Batistela chegou a esse ponto? “Normalmente se conta a história com muita graça, mas tem muita desgraça também”, brinca.

A trajetória

Sem grana, o recém-chegado Batistela morou de favor em casa de parentes, enquanto trabalhava para tentar fazer faculdade. Queria engenharia, mas como era curso caro e precisava de dedicação integral, optou por matemática. Enquanto estudava, conseguiu migrar da área de Finanças para a de TI, na antiga Vasp, onde trabalhava. “Me apaixonei por TI. Passava noites, domingos, estudando. Era um verdadeiro nerd”, relata.

Na década de 90, quando já atuava como analista de sistemas, foi convidado por um amigo a trabalhar para um grande banco, mas como terceirizado. Abriu o negócio empregando um programador e uma estagiária. Era o começo da Resource, já fazendo programas para empresas financeiras, o que viria a ser um de seus principais mercados.

No começo dos anos 2000, a empresa sofreu dois reveses relevantes. O primeiro foi em 2001, quando estava desembarcando nos Estados Unidos, para seu primeiro passo de internacionalização. Os ataques às torres gêmeas fizeram abortar o plano e trazer de volta os funcionários que já estavam por lá. O segundo aconteceu um ano depois, quando um trabalho que levou um ano e custou US$ 1 milhão deu errado e abalou as estruturas. A empresa precisou demitir cerca de 150 colaboradores (metade, à época), para não fechar.

A Resource retomou o fôlego e voltou a crescer, abrindo os escritórios no exterior e ampliando os negócios.

Negócio na alma

Batistela diz que um dos diferenciais da empresa está no relacionamento com os funcionários. “Uma empresa de serviços precisa de gente”, cita. Ele afirma que não há mistérios para atrair e reter talentos. Basta encontrar a função certa para cada um. “Não tem ninguém mais inteligente ou burro. É o lugar [função] em que a pessoa está que pode influenciá-la. Tem de ver o que ela tem de bom, então o ponto fraco dela vai se ajeitar por natureza”, destaca.

De acordo com o fundador, a empresa também procura fazer ações para que os funcionários tenham um ambiente prazeroso de trabalho, como um dia específico de frutas à vontade e grupos de esporte, por exemplo. “O mais importante é gostar das pessoas, amá-las e fazer com que se sintam bem na empresa. O respeito e o propósito que você tem geram um valor agregado diferente. Mas isso tem de estar na alma”, declara.

Quatro lições

Batistela comenta que, de sua história, tirou quatro lições sobre como empreender. Afirma que é preciso ter coragem (“o que não significa não ter medo”, ressalta), persistir aprendendo com os erros, gostar de mudanças e não ter o dinheiro como principal objetivo, mas como um “combustível” para a empresa.

“Vim [para São Paulo] aos 17 anos, sem dinheiro, sem conhecer ninguém. Você se sente o pior dos capiaus. Aí, quando vê aonde chegou, pensa ‘até que não sou tão besta assim’”, diz, na melhor tradição caipira.

 

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