Setor educacional pode dobrar de tamanho em cinco anos

por simei_morais — publicado 04/04/2013 17h13, última modificação 04/04/2013 17h13
São Paulo – Consultor ressalta a governança corporativa para captar recursos e suportar o crescimento do setor
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É um mercado apetitoso para investidores. O setor educacional no Brasil tem espaço para passar dos atuais 6,5 milhões de alunos em faculdades para 12 milhões nos próximos cinco anos, em função da demanda por ensino superior. Mas o casamento entre o capital e os grupos de educação para financiar o crescimento não está garantido se os últimos não atentarem para um ponto: o setor precisa se voltar à governança corporativa.

O alerta é de Ryon Braga, sócio-fundador da consultoria Hoper Educacional, que deu palestra a gestores de grupos de educação no comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo, nesta quarta-feira (03/04). Ele falou ao site antes do evento.

De acordo com Braga, o setor, que fatura anualmente R$ 30 bilhões no país, tem como expandir suas vagas em 84%, até 2018. “A taxa de escolaridade no ensino superior ainda é baixa, no país. Mas tende a crescer com a expansão da economia”, comenta.

Diante do cenário, a captação de recursos passou a ser uma dos principais ferramentas de expansão de grupos do setor, em aquisições ou em abertura de novos cursos. “Dos 15 maiores grupos, dez já têm sócios financeiros. Os meios mais usados são private equity e a bolsa de valores, mas para captá-los, é preciso ter uma boa governança corporativa”, comenta.

Braga ressalta, porém, que o papel da governança corporativa não é apenas viabilizar a empresa para a captação de recursos, por meio de critérios transparentes de gestão. “A governança vai além, pois visa à perpetuidade e à preservação do negócio”, adverte.

Tendências

O consultor também abordou tendências para o setor, como o maior uso de tecnologia no ensino. “A demanda por vagas é, sobretudo, em educação a distância (EAD), que hoje representa 17% das vagas, mas vai passar a 35% [em cinco anos]”, estima.

Segundo Braga, outra tendência é a atuação conjunta entre o educacional e outros setores da economia, uma vez que o primeiro forma mão de obra para o segundo. Ele defende sincronia entre os setores, na formulação de novos cursos. “Há muitos cursos para profissões que não possuem tanta demanda. Os cursos de direito, hoje, formam o dobro de bacharéis que o necessário, enquanto os formandos em engenharia preenchem apenas um terço das vagas disponíveis no mercado”, compara.

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