Ênfase em pesquisa para toda a cadeia do agronegócio sustenta inovação na Embrapa

por simei_morais — publicado 18/04/2013 16h08, última modificação 18/04/2013 16h08
São Paulo – Instituição está por trás do avanço do Brasil no mercado mundial de agricultura
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Um modelo de gestão, com ênfase em pesquisa e desenvolvimento, remodelado ao longo dos anos para enfrentar desafios globais, foi o caminho trilhado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), nas últimas décadas. O objetivo foi e continua sendo suportar o avanço do Brasil como potência agrícola mundial. Na próxima semana, quando completará 40 anos, apontada no exterior como o principal fator do “milagre da agricultura” brasileira, a instituição vai lançar uma nova plataforma de estudos que vão orientar as estratégias do país no setor para próximos 50 anos.

Esse bem sucedido modelo de gestão foi o tema da palestra de Ladislau Martin Neto, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, no comitê aberto de Inovação da Amcham – São Paulo nesta quinta-feira (18/04).

“Ser um grande produtor de commodities não é pejorativo, é garantir o arroz e o feijão. Os Estados Unidos são, hoje, o maior exportador de comida. Há muita virtude nisso, o agronegócio é o que tem sustentado a balança comercial brasileira há décadas”, diz Martin, ao justificar a relevância do modelo em que a Embrapa se estruturou.

A essa relevância soma-se a projeção de que o setor agrícola brasileiro cresça 38% em uma década, enquanto outros grandes produtores mundiais terão índices um pouco menores. E mais: há uma grande área a ser explorada para plantio no Brasil, desconsiderando a Amazônia; mantemos a liderança em segmentos com grande potencial, como o da matriz energética baseada na cana-de-açúcar, e na própria produção científica, que tem permitido ampliar a produção nacional em cultivares e volume.

O modelo

Martin lembra que a gestão, com ênfase em pesquisa e desenvolvimento, começou a ser traçada ainda na década de 70. Nos anos 90 e 2000 estabeleceu-se um modelo voltado a todos os segmentos e elos da cadeia produtiva do agronegócio, à renovação dos quadros profissionais da Embrapa e a um forte sistema de avaliação dos funcionários e pesquisadores, com incentivos a quem se destaca na produção.

“Esse planejamento trouxe impactos, como uma visão holística e global e maior consciência organizacional”, diz. Na esteira, estruturaram as frentes de trabalho em rede, com seis macro programas abarcando temas como grandes desafios nacionais, competitividade e sustentabilidade setorial, desenvolvimento tecnológico, transferência de tecnologia e comunicação, desenvolvimento institucional e apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar.

Veio ainda um investimento maciço em treinamento e resultados focados em temas-chaves, como suíno light, zoneamentos, clonagem animal, algodão colorido, alimentos biofortificados e variedades de genética superior.

O sucesso dessa gestão, diz Martin, deve-se à sequência de presidentes da Embrapa e de pesquisadores que estabeleceram uma linha-mestra de trabalho, subsistindo às trocas de ministros da Agricultura e de governos. “Foram líderes visionários. E o papel do líder é fazer a diferença”, cita.

Novos passos

Com um orçamento de R$ 2,1 bilhões, a Embrapa tem 47 unidades no país e laboratórios virtuais e projetos em parceria com 13 países, em quatro continentes. Chamados Labex, os laboratórios virtuais inserem cientistas brasileiros em cooperações internacionais, monitorando avanços científicos, tendências e atividades de interesse. Há ainda parcerias com a iniciativa privada e outras instituições públicas, como universidades.

Atualmente, a premissa da instituição é se preparar para o futuro, com foco nos cinco temas que serão problemas mundiais, nos próximos 50 anos: energia, água, alimento, ambiente e pobreza. “Estamos num ciclo de planejamento que privilegia a inteligência estratégica”, explica.

Entre os desafios já destacados, estão: mudanças climáticas; integração lavoura-pecuária-floresta (para aumentar a produção em menos espaço); biorrefinarias; bioprodutos; variedades resistentes a insetos e controle biológico de pragas; e aqüicultura. “Entre as perguntas que se fazem, é a de que a agricultura será a bioindústria do futuro”, comenta.

Para aumentar o campo de visão sobre as tendências globais e o que pode afetar a agricultura, o passo mais recente é a plataforma Agropensa, que será lançada na próxima semana, nas comemorações dos 40 anos da instituição. “O projeto será liderado por um sócio-economista, que irá trabalhar em linha com todos os outros líderes da empresa. O Agropensa vai levantar dados, estatísticas e outras informações para traduzi-las no que seria a nossa agenda”, diz.

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