Inovação pode surpreender tanto no desenvolvimento de produtos quanto nos processos internos

por simei_morais — publicado 01/04/2013 16h25, última modificação 01/04/2013 16h25
Porto Alegre – Executivos explicam cases e dão dicas para inovar a partir de necessidades internas e externas

A capacidade de entender uma demanda antes mesmo do cliente percebê-la como tal levou empresas como a Samba Tech, a SAP e a Medabil a inovarem. Representantes das três companhias estiveram no seminário de Inovação da Amcham – Porto Alegre, na quinta-feira (27/03), para mostrar os processos que os levaram a inserir um novo cenário em seus respectivos mercados.

Mineiro inquieto

O jovem empresário Gustavo Caetano, 30 anos, é CEO da Samba Tech, empresa baseada em Belo Horizonte que atua como distribuidora de vídeos on line. Sem entender de tecnologia, com formação em Marketing, ele montou uma espécie de “Youtube” específico para disponibilizar na internet os vídeos de seus clientes, entre eles, emissoras como Globo, SBT e RBS. O produto virou sucesso e a empresa ganhou destaque, sem parar de investir em inovação.

Foi numa reunião com uma dessas emissoras que ele descobriu mais um dos principais produtos desenvolvidos por sua empresa. No “tradicional modo mineiro” de ouvir, percebeu que o cliente precisava de uma solução para simplificar a entrega de vídeos publicitários para seu departamento comercial.

Embora feitos com tecnologia digital, os materiais tinham de ser transformados em analógicos para serem entregues por motoboys às emissoras, onde seriam transformados de volta em digitais. Começou ali o plano que tirou o motoboy do caminho e simplificou a vida do cliente: um meio pelo qual as agências de publicidade enviassem os vídeos digitais on line, diretamente para as TVs.

A empresa cresceu a ponto de virar líder na América Latina e abrir escritórios em São Paulo, Buenos Aires e Santiago. Segundo Caetano, ele nada fez além de experimentar. “Inovação é experimentação”, conclui.

Para ele, um dos fatores que permitiram a empresa, aberta em 2007, a chegar logo ao sucesso foi se lançar desde cedo às experimentações. “[Foi] a estratégia do fail fast, que é falhar o quanto antes para criar produtos cada vez mais inovadores através das falhas: tentar, falhar, voltar e refazer, levar ao mercado de novo até achar um ponto que tenha aderência”, receita.

Caetano diz, no entanto, que inovar não é algo exatamente fácil porque desafia os paradigmas que já estão estabelecidos. A saída foi buscar novas maneiras de trabalhar, estimulando internamente a inovação. “As pessoas estão enraizadas em processos antigos e modelos de gestão diferentes. O que a gente tentou fazer foi criar uma metodologia própria e criar as pessoas para esse ambiente”, afirma.

Um recorde em sete andares

O grupo gaúcho Medabil, que desenvolve soluções em construções metálicas, mostrou como ergueu um hotel de sete andares, em Canoas-RS, em 67 dias e 8 horas. O projeto permitiu ao cliente antecipar a inauguração em oito meses e agilizar as receitas com o funcionamento do negócio mais cedo, além de sair mais barato que a construção convencional, por meio de concreto.

Marco Aurélio Ribeiro, diretor de inovação da Medabil, conta que o desafio começou quando a própria empresa propôs um prazo recorde ao cliente. Ambos imaginaram um período de 90 dias, que, no final, foi batido pela própria equipe.

Ele diz que a estrutura metálica é mais cara que o concreto, mas permite um custo geral mais barato, porque elimina despesas trabalhistas, além de operacionais, como canteiro de obra e instalação, e o próprio tempo mais curto para inauguração. “No total, é mais viável. E o metal se adapta a qualquer projeto arquitetônico”, esclarece.

Ribeiro ressalta que a estrutura foi montada em uma fábrica, para, no final, ser montada no terreno do hotel. O cronograma permitiu que a obra não estivesse à mercê de chuvas e falta de trabalhadores, o que normalmente prejudica o andamento de obras convencionais. Em vez de uma equipe de 100 profissionais, a empresa usou 30.

Houve ainda ganhos técnicos, diz o diretor, porque o projeto não precisou de escoramento, o que seria necessário em alvenaria, no terreno do hotel. Segundo Ribeiro, a iniciativa foi pioneira no mercado nacional e já está em prática em novo empreendimento, desta vez, na capital gaúcha.

Inovação interna

Nem sempre a inovação ocorre no desenvolvimento de produtos vendidos aos clientes, mas pode abranger prioritariamente os processos internos das empresas. O case da SAP, que faz softwares de administração, mostra a própria empresa como primeira beneficiária da inovação, que depois foi apresentada a clientes.

Daniel Duarte, gerente de Novos Negócios da SAP, expôs aos participantes o aplicativo Time to Go, que otimiza o transporte de cerca de 300 funcionários da empresa, em Porto Alegre. Os motoristas passaram a usar um tablet com fotos dos passageiros e o mapa do local em que cada um deveria ser apanhado.

Os empregados que são transportados também usam o aplicativo em seus equipamentos para acompanhar o trajeto do ônibus e dar check in, ao embarcar. Se o profissional não vai à empresa, envia um check out, avisando ao motorista que não precisa ir buscá-lo.

Com a otimização, há economia de combustível e de tempo e ganhos com segurança, afirma Duarte. “O ônibus não fica dando voltas desnecessárias. E como os funcionários podem identificar o melhor momento de sair à rua e esperar o ônibus, evitam superexposição de seus equipamentos, como os notebooks”, comenta. A novidade, diz o gerente, foi bem recebida pelos motoristas.

Segundo Duarte, entre as ferramentas que a SAP disponibiliza aos funcionários para incentivar a inovação, há uma sala específica, com ambiente descontraído, em que os colaboradores podem “soltar a imaginação”. Ele diz que os profissionais também são estimulados a escrever tudo o que vem à mente. “Cada ideia permanece, em média, 17 segundos na cabeça. Muitas ideias já se perderam por falta de anotação”, afirma.

 

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