Na posse do conselho da Amcham, setor privado fala de aumento de investimentos em 2014

publicado 13/03/2014 17h31, última modificação 13/03/2014 17h31
São Paulo – Novos conselheiros debateram as perspectivas econômicas e relação Brasil-Estados Unidos
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Os empresários e executivos que participaram da cerimônia de posse do Conselho de Administração da Amcham-Brasil, realizada na quinta-feira (13/3), estão otimistas para 2014 e vão investir mais que no ano passado. “Quando existe intenção de investimento, significa que as oportunidades estão aqui”, argumenta Hélio Magalhães, presidente do Citibank no Brasil e do Conselho de Administração da Amcham.

No Expectômetro da Amcham, enquete realizada em tempo real no evento, 41,62% do empresariado afirmou que vai investir mais do que no ano passado. Pouco mais de um terço (36,42%) respondeu que manteria os aportes no mesmo nível, e 21,97% disseram que vão diminuir o ritmo de investimentos. “É possível encontrar muitas oportunidades na América Latina, mas nenhum país tem o tamanho do nosso mercado. Somos muito grandes”, segundo o executivo.

Magalhães reconheceu que o ambiente de negócios brasileiro ainda é burocrático e complexo, mas que apesar disso o país continua atraente para investimentos. “A janela de oportunidades abre e fecha rápido, então o investidor tem que estar aqui para aproveitar”, acrescenta Magalhães.

Gabriel Rico, CEO da Amcham, disse que os empresários que participaram das diversas reuniões promovidas ao longo de 2013 tinham pressa em conduzir os negócios. “A estratégia mais citada para 2014 é fazer tudo até a Copa (junho/ julho), e o que faltar, até as eleições de outubro. Será um ano mais curto”, comenta Rico.

Expectômetro da Amcham

O Expectômetro da Amcham também mostrou o que o setor privado espera da economia e dos negócios. A enquete apontou que 61,84% dos empresários esperam um crescimento da economia brasileira entre 2% e 3,5% em 2014. Um terço dos respondentes (34,2%) acha que o crescimento será abaixo de 2%, e 3,95% considera que será maior que 3,5%.

Em relação crescimento do próprio negócio, 43,83% acreditam que o crescimento será acima da média da economia, enquanto 21,61% acham que a expansão se dará em ritmo superior. Em contrapartida, 26,54% consideram que o crescimento será em linha com o PIB (Produto Interno Bruto), mas 8,03% acharam que ficará abaixo.

Para 34,1% dos respondentes, o foco da gestão em 2014 será o ganho de produtividade, seguida de comercialização (21,39%) e expansão (20,23%). Gestão financeira (10,98%), Gente (10,41%) e Riscos (2,89%) também fizeram parte das alternativas estratégicas.

Painel

Um painel formado por executivos recém-nomeados para o Conselho de Administração da Amcham debateu as perspectivas econômicas e relação Brasil-Estados Unidos. Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil, disse que o relacionamento entre os dois países evoluiu muito desde 2004, época em que serviu como embaixadora dos EUA no Brasil.

“A relação é melhor que há dez anos. Tem havido muitos diálogos oficiais para parcerias nos setores de informática e aeroespacial”, disse. Como exemplo, cita o centro de pesquisas da Boeing em São José dos Campos (SP). “Já temos várias parcerias com a Aeronáutica, universidades e empresas para o desenvolvimento de biocombustíveis e materiais avançados”, comenta ela.

André Gerdau Johannpeter, diretor-presidente do comitê executivo do Grupo Gerdau, estima que o crescimento brasileiro será em torno de 2,5%, mas o mercado de aço será influenciado pela mudança do cenário econômico.

“Há uma mudança no cenário mundial, em que os países desenvolvidos voltarão a crescer mais que os emergentes [Brasil incluso]. Vemos continuidade de crescimento, mas o consumo de aço será afetado em função das incertezas no ritmo das obras de construção civil”, afirma ele.

Além das incertezas da economia brasileira, o excesso de burocracia e a complexa legislação trabalhista seguem dificultando os negócios no Brasil, disse Reinaldo Garcia, presidente e CEO da General Eletric para a América Latina. “A morosidade nos negócios no Brasil é um grande obstáculo à competitividade”, afirmou o executivo.

Marco Stefanini, presidente da empresa de serviços de TI (Tecnologia da Informação) Stefanini, citou o custo da mão de obra como um dos empecilhos que precisam ser saneados na economia brasileira. “O Brasil tem bons profissionais de TI, mas temos que ganhar produtividade acelerando o processo de ganho de eficiência operacional e vendas.”

Finalizando o painel, o moderador Hélio Magalhães, do Citibank, lembra que o crescimento tem que ser acompanhado de melhora da qualidade de vida. “Esperamos também melhorar no ranking de qualidade de vida, eficiência de negócios e abertura comercial”, comenta.

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