OCDE alerta para produtividade estagnada no país e falta de investimentos em educação e infraestrutura

publicado 29/07/2014 13h57, última modificação 29/07/2014 13h57
São Paulo - Aumento da demanda por commodities na última década reduziu as vendas externas de outros bens
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Devido ao aumento mundial na demanda por commodities, o Brasil passou,na última década, por um processo de aceleração de seu crescimento, mas para esse crescimento ser sustentável, é necessário aumentar a produtividade no país e acelerar a acumulação de capital, é o que diz o relatório Perspectivas para o Desenvolvimento Global 2014, realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Esse “boom” no preço das commodities tem seu lado negativo, marcado pela falta de investimentos nos setores de serviços e manufatura, que estão estagnados no país.

Segundo a OCDE, desde 1980, o Brasil vem passando por um processo de desindustrialização. Nesse período, a participação dos produtos manufaturados no PIB caiu de 20% para 15% e, na última década, a participação desses produtos nas exportações caiu de 60% para 35%.

O estudo mostra que a produtividade da mão-de-obra e a produtividade total dos fatores (PTF), nos setores de serviços e manufatura, são muito menores nos BRIICS (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul) do que em países de economia desenvolvida.

No Brasil, os investimentos em produtividade na última década foram pequenos para compensar os aumentos de salários, resultados de um mercado de trabalho apertado e mão-de-obra qualificada escassa.

O estudo aponta como gargalos para o aumento da competitividade do país a falta de qualificação de mão-de-obra e infraestrutura, além de altos custos administrativos e proteção às indústrias locais.

 

Educação

O acesso à educação qualificada no Brasil dobrou nos últimos anos, mas ainda está muito abaixo da média dos países da OCDE.

Alunos de escolas públicas têm mais dificuldades para conseguir entrar em um ensino superior de qualidade do que alunos de escolas partículares. Segundo o relatório, essa grande deficiência na educação parte de uma baixa carga horária dos alunos.

Maior acesso à educação de qualidade é a chave para aumentar a produtividade de todos os setores da economia.

 

Infraestrutura

Aumento da produtividade é contida pela falta de infraestrutura em rodovias, portos e aeroportos. Embora o recente Programa de Aceleração do Crescimento tenha aumentado os investimentos em infraestrutura – principalmente em rodovias -, muitos projetos do programa ainda estão inacabados devido a problemas de financiamento ou atrasos por dificuldades de planejamento.

 

Impostos

A burocracia para os negócios no país é muito alta, comparada à média dos outros países. Começar uma empresa no Brasil, por exemplo, requer 13 procedimentos diferentes e pode demorar até quatro meses. Enquanto no Chile, Colômbia ou México, isso pode ser feito em menos de duas semanas e com poucos procedimentos.

Os impostos para as empresas no Brasil também são muito altos. Cerca de 70% do lucro comercial das companhias é gasto com impostos. Além do que o sistema de taxas também é complexo e fragmentado, o que gera diversos outros custos, principalmente para grandes empresas.

 

O estudo ainda aponta como pontos positivos, a diminuição da desigualdade nos últimos anos e também a diminuição do desmatamento florestal, o que deve ser continuado no país, gerando assim mais confiança nas políticas governamentais.

A arrecadação do governo é alta, em 2011 esteve por volta de 25% do PIB. O problema é que a atual alocação dos recursos não está gerando um aumento na acumulação de capital. O governo precisa encontrar uma melhor maneira de alocar seus recursos, principalmente em educação e infraestrutura.

Para seguir o crescimento sustentável, o país requer uma rápida acumulação de capital e melhorias no ambiente de negócios, além de aumentar investimentos nos setores de agricultura, manufatura e serviços para deixar de ser tão dependente dos recursos naturais.

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