Qualificação de mão de obra: uma discussão crescente

por junior publicado 04/11/2010 13h28, última modificação 04/11/2010 13h28
Gabriel Rico - CEO Amcham
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Uma das prioridades para que o Brasil ganhe maior competitividade ao longo dos próximos anos, por isso mesmo definida como um dos quatro pilares do projeto “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham, a capacitação da mão de obra, especialmente no que toca a engenheiros e tecnólogos, precisa ocupar um papel mais central na agenda de empresas, instituições de ensino e governo. É com grande satisfação, portanto, que a Amcham vê o crescimento dessa discussão nas últimas semanas, envolvendo esses três grandes agentes.

Por parte das escolas, percebemos no movimento da Universidade de São Paulo um importante exemplo que pode alavancar iniciativas em todo o País em prol da maior eficiência do ensino superior. O Conselho Universitário da USP acaba de aprovar um documento em que anuncia a revisão de todos os seus cursos de graduação, processo que envolverá atualização de currículos e mudanças nos projetos pedagógicos para que se tornem mais modernos e multidisciplinares; extinção de carreiras com baixa demanda; revisão de carga horária para dar maior flexibilidade às atividades dos alunos; maior atenção aos cursos noturnos, ampliando a infraestrutura para seu funcionamento; identificação de causas de evasão; e exigência de caráter inovador para a instituição de novas carreiras. A preocupação é, após um processo de rápida expansão na última década, que aumentou em 40% a oferta de vagas e criou 85 cursos, reforçar a preocupação com a qualidade da educação e sua adequação às necessidades atuais do País.

Pelo lado do governo, o Ministério da Educação anunciou que está em andamento um estudo sobre os cursos de engenharia que promoverá a redução das excessivas denominações, exageradamente especializadas, hoje em vigor. Esse movimento está em plena concordância com o que foi apontado no seminário “Qualificação de mão de obra como fator vital de competitividade”, parte do projeto “Competitividade Brasil”, em junho. Na ocasião, especialistas indicaram dificuldades que a grande quantidade de denominações de cursos de engenharia criam, visto que os jovens concluem graduações muito especializadas e depois enfrentam dificuldades para se colocar no mercado. A realidade brasileira pede um número menor de especializações e uma maior adaptação dos cursos de engenharia à realidade do mercado.

Ainda sob a ótica do governo, vale notar que, entre os candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e a assentos no Legislativo, tem havido preocupação em apontar e debater propostas para a melhoria da educação, em particular com a criação de mais cursos técnicos que atendam às demandas do mercado. Temos aí um significativo indicador de que o tema receberá atenção da iniciativa pública nos próximos anos.

Do ponto de vista das empresas, por fim, destacamos que se consolida cada vez mais a tendência de liderar iniciativas que ajudem a solucionar a falta de profissionais qualificados que sofrem na prática. Um workshop organizado pelo comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo em setembro uniu executivos de Recursos Humanos e acadêmicos para dialogar sobre o tema e apontou um conjunto de sugestões de trabalho conjunto, formando uma espécie de grande rede pelo aperfeiçoamento da educação no País.

Essas sugestões vêm se somar aos esforços do projeto “Competitividade Brasil”, que entregará aos gestores-chave do futuro governo federal propostas para eliminar gargalos na área de mão de obra, assim como em favor da desburocratização, da maior eficiência do Estado e de avanços na infraestrutura. A agenda do programa também dará base às ações de Advocacy da Amcham nos próximos anos.

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