Ritmo lento de Reformas e Vacinação são os maiores riscos à retomada da economia em 2021, segundo sondagem Amcham

publicado 02/02/2021 17h06, última modificação 02/02/2021 17h06
Pesquisa ouviu 280 dos principais líderes empresariais brasileiros em janeiro
Reformas e vacinação preocupam empresariado brasileiro em 2021

Para o setor privado brasileiro, o ritmo lento das Reformas e da imunização da população brasileira são os dois maiores riscos a retomada da economia brasileira em 2021, segundo sondagem inédita feita por nós.

A pesquisa “Plano de Voo – Perspectivas Empresariais 2021” ouviu 280 lideranças das principais empresas em várias cidades do país. A sondagem aos empresários “quais aspectos poderiam atrasar ou impactar a decolagem da nossa economia em 2021?”.

Em ordem de preocupação, os empresários listaram como dois primeiros temas a falta de agilidade para implementação da agenda de reformas (71%) e o ritmo lento na imunização da população brasileira (40%). Os entrevistados também apontaram riscos ou incertezas relacionadas à segunda onda de contaminação (29%), o isolamento político brasileiro no cenário internacional (22%), escassez de crédito e fuga de investimento estrangeiro direto (20%).

Sobre a declaração do Ministério da Economia de que emprego, crédito e consolidação fiscal serão as principais variáveis que garantirão o bom desempenho do PIB em 2021, os executivos demonstraram menos confiança no equilíbrio da situação fiscal. Cerca de 68% dos entrevistados afirmaram que a consolidação fiscal será o fator mais desafiador, seguido do emprego (26%) e acesso à crédito e investimentos (6%).

 

PERFIL DOS ENTREVISTADOS

Nesta pesquisa, 36% dos respondentes são de grandes empresas, 31% médias, 20% pequenas e 13% de micro e e startups. Os participantes na sua maioria (48%) são C-level (CEOs, presidentes, vice-presidentes, sócios e diretores); outros 24% gerentes e 13% coordenadores e supervisores. Sobre as linhas de atuação dos negócios, a maioria dos entrevistados atua na indústria (39%), serviços (23%), tecnologia (11%) e agronegócio (7%). A pesquisa foi aplicada foi de aplicada de 14 a 21 de janeiro, com associados e não associados.

 

INCERTEZA POLÍTICA

Para 60% dos empresários brasileiros, é prioridade reduzir a incerteza política no país nesses dois próximos anos de retomada da economia. A preocupação com o ambiente político ficou à frente de questões como o Custo Brasil (48%), corrupção (40%), desmatamentos (26%), isolamento global (25%) e insegurança jurídica (20%).

"Na visão empresarial, o ambiente político mais estável e o desenvolvimento de uma agenda para o país que passe por uma economia mais eficiente, pela redução das desigualdades sociais e por uma melhor gestão da questão de mudanças climáticas e gestão dos nossos ativos ambientais serão os pilares fundamentais para atacar o chamado Custo Brasil e melhorar nossa inserção global no curto e médio prazo”, analisa Deborah Vieitas, nossa CEO.

Nossas prioridades para 2021 passam por esses temas: melhoria da competitividade e do ambiente de negócios aqui dentro de casa. “É preciso avançar em direção a maior sustentabilidade fiscal e concluir as reformas necessárias para a modernização da nossa economia, com destaque para a reforma tributária e administrativa, além de investimento em pesquisa e inovação, melhoria da segurança jurídica e desenvolvimento da nossa infraestrutura. Não há tempo a perder”, aponta ela.

Também ressaltamos a importância da sustentabilidade ambiental para a evolução dos negócios no Brasil. “A promoção de melhores práticas ambientais, sociais e de governança são imperativos para sustentabilidade do planeta e para a prosperidade das empresas”, acrescenta Deborah, reforçando uma expectativa empresarial para uma agenda nacional focada nos pilares globais de governança ESG.

 

EXPECTATIVAS SOBRE BIDEN

Sobre a importância da relação bilateral Brasil-Estados Unidos na nova administração do presidente Biden, os empresários acreditam que novo o governo brasileiro deve priorizar uma relação construtiva e pragmática (72%), já nos primeiros 100 dias de gestão do novo líder da Casa Branca.  

Além disso, 49% dos consultados tem uma expectativa da criação de uma agenda conjunta bilateral com foco no aprofundamento dos fluxos de comércio e de investimentos. E, para 35% dos executivos, também se faz necessário ampliar o desenvolvimento de uma nova relação focada em temas como sustentabilidade, bioeconomia e preservação ambiental.

Em outro estudo inédito, identificamos que o comércio bilateral entre Brasil e EUA atingiu, em 2020, a pior marca em 11 anos - com uma queda de 23,8% em relação ao ano anterior. “Apesar disso, enxergamos um cenário de recuperação gradual, apoiada na retomada da economia americana e na distensão das relações entre EUA e China”, diz Vieitas.

“Com o início da nova administração de Joe Biden, é hora de renovar a nossa parceria e estabelecer uma agenda pragmática em temas de comércio, investimentos, infraestrutura, energia, agricultura bioeconomia e sustentabilidade, além de trabalhar para iniciar o funcionamento dos dois acordos bilaterais conquistados em 2020 (salvaguardas tecnológicas para uso da Base de Alcântara para lançamento de foguetes comerciais) e o mini-acordo comercial (que envolveu protocolos de facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e anticorrupção)”, explica Deborah.

Nossa CEO ressalta ainda que Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias e economias das Américas. Juntos, representam mais de 90% do PIB e mais da metade da população do continente. Além disso, os Estados Unidos ocupam a posição de 2º maior parceiro comercial e maior investidor estrangeiro no Brasil, sendo fundamental a construção e manutenção de um relacionamento pragmático.

“Não há melhor caminho para ambos que não seja o da cooperação e o do trabalho conjunto em favor de interesses comuns e em direção a uma economia do século 21. Este século começou agora, após a pandemia. Se tornou urgente, pensar conjuntamente como beneficiar sociedade e empresas”, conclui.