SP vai integrar banco de dados das polícias até o final do ano, diz secretário de Segurança Pública

por simei_morais — publicado 09/04/2013 12h29, última modificação 09/04/2013 12h29
São Paulo – Fernando Grella Vieira afirma que SSP vai investir em tecnologia para as ações de inteligência
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O governo estadual vai integrar os bancos de dados das polícias Civil e Militar. O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, afirma que o novo sistema deve começar a funcionar até o final de 2013.

Grella participou do comitê aberto de Tecnologia da Informação da Amcham – São Paulo (Câmara Americana de Comércio) na manhã desta terça-feira (09/05). Ele falou a empresários do setor sobre as demandas em TI que a segurança pública possui.

Atualmente, os bancos de dados das polícias Civil e Militar funcionam separadamente, sem cruzamento de dados. O secretário diz que essa forma compartimentada atrapalha as ações de inteligência. “Cada instituição tem suas informações. Como posso fazer uma gestão com dois sistemas que não se comunicam?”, cita. “A partir de agora, vamos priorizar a tecnologia como ferramenta nas operações, para aumentar a eficiência. Temos carência disso em São Paulo”, diz.

Segundo o secretário, a Secretaria do Planejamento disponibilizou R$ 100 milhões para investir nesse projeto da SSP, por meio da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo). Ele será inaugurado primeiro na capital e, gradualmente, irá seguir para outras regiões do Estado.

Como vai funcionar

O novo sistema será capaz de ler as informações e criar alertas a partir de registros recorrentes, como crimes praticados num mesmo lugar. Grella cita uma sequência de assaltos ocorridos numa confluência de ruas do Morumbi, há cerca de dois meses, que, de acordo com ele, poderia ter sido evitada com integração dos dados. “Soubemos desses crimes pela televisão. Precisamos de um sistema que, ao notar duas ou três ocorrências num mesmo local, já dê o alerta e permita a cobrança [de ação policial]”, declara.

“Nenhum desses sistemas atuais é proativo, só são reativos; não refinam as informações e fornecem dados apenas se pedimos. Queremos um sistema capaz de interligar as informações e nos fornecer uma leitura do que está ocorrendo, para que a polícia possa agir em cima do que os dados apontam”, completa.

O secretário diz ainda não ter definido qual sistema a SSP vai adotar, mas afirma que a secretaria analisa modelos já usados pelas polícias dos Estados Unidos, Holanda e Reino Unido, que também atuam com cruzamento de dados entre corporações.

Outras soluções de TI

A unificação do sistema de registros de ocorrência também está no escopo dos investimentos em TI que a SSP planeja. “Precisamos ter um único registro, que comece com o policial militar no local dos fatos, mesmo que seja complementado na delegacia”, afirma Grella.

Ele comenta que a separação entre os registros das duas polícias também gera conflitos que atrapalham as investigações. Segundo o secretário, há casos em que uma ocorrência é registrada mais de uma vez nos sistemas.

“Pode haver um boletim de ocorrência num distrito policial e outro na delegacia especializada, além do primeiro registro, feito pela PM. Isso gera descompasso e traz inconsistência de informações. Um laudo pericial pode ser prejudicado se não for realizado com base num BO [boletim de ocorrência] que não seja o correto”, exemplifica.

Entre outras demandas por soluções de TI, o secretário disse aos empresários que a pasta também pretende obter um tipo de sistema que faça leitura facial por meio de câmeras instaladas em locais críticos. “Se um indivíduo é flagrado com algo que impeça a identificação do rosto, a polícia já deve ser acionada”, indica.

Assim que assumiu a SSP, em novembro de 2012, Grella trocou os comandos das polícias Civil e Militar. Em fevereiro deste ano, anunciou a criação do Ciisp (Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública do Estado de São Paulo), agrupando órgãos de inteligência das polícias Civil e Militar e da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), para combater o crime organizado.

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