“Brasil não faz parte do problema dos Estados Unidos, mas da solução”, afirma especialista

publicado 21/11/2016 14h08, última modificação 21/11/2016 14h08
São Paulo - Paulo Sotero acredita que há oportunidades de parcerias nos setores agrícola, pecuária e de defesa
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“O Brasil não faz parte do problema [dos Estados Unidos], mas, sim, da solução”, afirmou Paulo Sotero, Diretor do Brazil Institute of the Woodrow Wilson International Center for Scholars, durante painel do Seminário Futuro da Relação Bilateral Brasil e Estados Unidos realizado pela Amcham - São Paulo na quinta-feira (17/11).

Sotero defende ainda que tudo depende do desempenho de Trump na economia e que ele é um homem de negócios e que valoriza negócios interessantes. O especialista vê espaço para parcerias extremamente valiosas nas áreas agrícola, pecuária e de defesa. "Mas, para isso, os executivos e o governo brasileiro precisam ser mais proativos de forma geral", pondera.Qualquer coisa que tire o Brasil de seu isolamento do comércio exterior é positivo, na visão do especialista. “Podemos ter oportunidades de abertura de mercado. O Brasil precisa decidir o que espera do relacionamento com os EUA”, finaliza.

Para Sotero, ainda é muito difícil prever os resultados das eleições dos EUA e seus efeitos na economia global. Ele afirma que há uma preocupação porque o país entra em "territórios desconhecidos", com esse resultado surpresa. "Não dá para deixar de considerar que a Hillary Clinton venceu em votos populares", afirma. Os rumos do país vão depender mais da evolução interna da política dos EUA, com uma nação dividida e outro estilo de liderança.

Para Peter Hakim, President Emeritus & Senior Fellow da The Dialogue – Leadership for Americas, as relações entre Estados Unidos e Brasil nunca foram muito produtivas ou inovadoras, já que o Brasil não conseguiu entrar no mercado norte-americano como a China, por exemplo. “As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sempre foram muito mais uma promessa que uma realidade”, aponta.

Hakim também tem dificuldade para fazer quaisquer suposições sobre o governo Trump, já que o empresário costuma surpreender. “A América Latina não é uma prioridade para eles. A prioridade e foco do novo governo deve ser primeiro na política doméstica”, avalia.

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