Acordos ampliam comércio e impulsionam competitividade, defendem entidades

publicado 29/08/2013 17h28, última modificação 29/08/2013 17h28
São Paulo – Fiesp, CNI e Amcham defendem mais acordos comerciais e de investimentos e flexibilização do Mercosul
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As duas maiores entidades industriais do país, Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e CNI (Confederação Nacional das Indústrias), e a maior entidade multissetorial, a Amcham (Câmara Americana de Comércio), defendem que o governo brasileiro realize mais acordos internacionais de comércio e de investimentos, além da flexibilização do Mercosul, para que o país possa estabelecer negociações de forma independente do bloco. Para as entidades, os acordos vão permitir não apenas aumentar a participação do Brasil no comércio internacional como impulsionar a competitividade da indústria nacional.

As três entidades participaram do Seminário Acordos Internacionais de Comércio e de Investimentos, realizado em São Paulo pela Amcham, quinta-feira (29/08). A embaixada da Tailândia e os consulados do Canadá, México e Peru também participaram.

Links para apresentação dos representantes da CNIFiespMéxicoPeru e Tailândia 

“O posicionamento das entidades está cada vez mais próximo. Isso mostra que está na hora de o país mover, caminhar nesse sentido”, afirma Gabriel Rico, CEO da Amcham.

País fechado

Segundo Rico, os dados econômicos mostram que o país tem praticado uma economia fechada, voltada ao mercado interno. O número de exportadores brasileiros caiu de 21 mil para 19 mil, enquanto metade do volume exportado está nas mãos de apenas 100 empresas. “As exportações estão muito concentradas”, analisa.

O CEO da Amcham destaca a queda do superávit na balança comercial que, de US$ 40 milhões até 2007, passou a US$ 20 milhões em 2012 e pode chegar a US$ 6 milhões este ano, de acordo com estimativas do mercado.

“As condições macroeconômicas se fortaleceram, mas, com o passar do tempo, se vê exaustão. Esse modelo preocupa as entidades”, afirma.

Alianças na crise

Carlos Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da CNI, destaca que, num momento de crise global e que a China expandiu seu comércio internacional de forma agressiva, a maioria dos países saiu para negociar alianças.

Ele cita que, enquanto os países com que o Brasil tem alianças representam 10,2% do comércio internacional, os do Chile são 82%; do Peru, 74%; do México, 64%; da Coréia do Sul, 61%. “O grande acordo brasileiro, o do Mercosul, está perdendo intensidade. O Brasil perdeu 8,4 pontos percentuais de participação no comércio internacional em seis anos. E a cada dia somos impactados por novas medidas da Argentina, nosso principal comprador no bloco”, diz.

Ao mesmo tempo, China e outros países estão entrando na América Latina, região que sempre teve preferência do Brasil. “Não queremos acabar com o Mercosul, mas há a necessidade de o Brasil avançar. Se os outros [parceiros de bloco] não querem, é uma questão deles, mas nossa indústria precisa, e o país precisa caminhar independente”, ressalta.

O diretor da CNI cobra proatividade do governo, inclusive na negociação com a união Europeia sobre questões tarifárias. “As negociações têm de ser feitas pelo governo. Nós mostramos que as empresas apóiam, que o governo tem respaldo de praticamente todos os setores para fazer esses acordos”, declara.

Carlos Abijaodi defende, ainda, a adoção de acordos de investimentos. Ele diz haver 3 mil acordos desse tipo em vigência no mundo, mas nenhum assinado pelo Brasil. Para o executivo, isso traria mais condições de desenvolvimento do setor produtivo, acesso a tecnologia e apoio às exportações e empregos. “Temos necessidade de caminhar até nossos clientes. As distâncias do mundo acabaram”, completa.

Desenvolvimento

O diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp avalia que o Brasil tem politizado o assunto, nos últimos anos, em vez de tratá-lo como estratégia de Estado, o que contribuiu para que os brasileiros ficassem fora dos principais acordos internacionais em curso.

Ele cita o Trans Pacific Partnership (TPP), que reúne Estados Unidos, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Vietnã e Japão. Com esses, o TPP detém 40% do PIB global. Outro em que o Brasil também não figura é o Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), que representa 50% do PIB mundial e quase 35% do comércio que se faz no mundo.

O diretor ainda destaca que, em 2010, o Brasil participava de 13 tratados, enquanto a União Europeia tinha 30; o Chile, 26; e o México, 21, segundo o World Trade Report 2011.

De acordo com Marconini, uma simulação sobre acordos como esses e o Brasil mostra que nem todos os setores da economia brasileira seriam beneficiados. Porém, o impacto forçaria a competitividade nacional. “Ao fazermos acordos, o país estará num jogo de ganha e perde, dependendo dos setores e do país. Mas, ao final, eles vão permitir a modernização da economia no país, porque força a realocação de recursos”, explica.

Para a Fiesp, como resultado dessa avaliação, o Brasil precisa se engajar principalmente na conclusão dos acordos com a União Europeia. “Já estamos chegando nos 90% das questões tarifárias, mas há trabalho a ser feito em serviços”, diz Marconini.

Na lista de prioridades geográficas, seguem países como Peru, Colômbia e México, além da América Central e da SACU (União Aduaneira da África Austral). “Também temos de assegurar a volta do Paraguai ao Mercosul de forma decente e com sentido econômico, além de cobrar da Venezuela que se comporte de acordo com parâmetros claros e eficiência econômica, além de avalizar [acordos com] Estados Unidos e Japão, que são muito importantes para nós”, define.

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