Agricultura é maior oportunidade para negócios entre Brasil e Georgia, afirma vice-governador do Estado americano

por marcel_gugoni — publicado 11/04/2012 17h33, última modificação 11/04/2012 17h33
Marcel Gugoni
São Paulo - Casey Cagle diz que há oportunidades bastante lucrativas tanto para produzir alimentos de maior valor agregado quanto para melhorar a cadeia de suprimentos e de fornecimento.
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O agronegócio é a maior indústria da Georgia, respondendo por mais de 17% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado americano, ou algo como US$ 68,8 bilhões de uma economia local de US$ 403 bilhões. O Brasil, como um dos líderes mundiais do setor, oferece inúmeras oportunidades de negócios na área, na avaliação do vice-governador do Estado, Casey Cagle.

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“Essa é a maior indústria da Georgia e temos muito orgulho disso”, afirmou ele em entrevista ao site, após participar de um almoço de negócios na Amcham-São Paulo, nesta quarta-feira (11/04). “Acredito que essa é uma das áreas que podem nos dar as mais fenomenais oportunidades de negócios entre as empresas.”

Segundo ele, o Estado é conhecido pelo setor de alimentos por ser a sede da Coca-Cola, mas a importância da região vai além por ser a líder na produção de aves e a segunda maior produtora de algodão e centeio dos EUA.

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“Em períodos de crescimento, quando vemos uma classe média emergente como a do Brasil, penso que é possível encontrar caminhos bastante lucrativos tanto para produzir alimentos de maior valor agregado quanto para melhorar a cadeia de suprimentos e de fornecimento.”

Na avaliação de José Madeira, diretor para o Brasil da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Georgia (GDEcD, na sigla em inglês), “as parcerias com o Brasil podem ocorrer desde as áreas de pesquisa e de tecnologia e equipamentos até a área de desenvolvimento de sementes e de equipamentos agrícolas”.

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“Somos facilitadores do contato. Nosso desafio é colocar as empresas da Georgia frente a frente com as empresas brasileiras”, avalia. Para o vice-governador, “não são os governos que criam os negócios, mas as empresas”.

Relacionamento e negócios

Cagle ressaltou a necessidade de construir bons relacionamentos e permitir que as parcerias aconteçam – o Estado é considerado o segundo melhor para o ambiente de negócios dos EUA, afirma ele. “Somos a principal porta de entrada para o mercado americano”, explica.

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A diretora internacional do GDEcD, Kathe Falls, afirma que o aeroporto de Atlanta é o “principal ponto de conectividade” com o resto do país e “o mais movimentado do mundo”. Ela elenca ainda que o Estado tem o quarto porto de cargas que mais cresce. Logística é um setor estratégico para todas as empresas, reconhece ela.

Cagle ressalta que as “relações são essenciais para os negócios porque são o ponto crítico que permite o início de uma oportunidade”. “Você constrói essas oportunidades a partir do otimismo, da confiança em relação à segurança dos investimentos necessários para o negócio, da crença na possibilidade de criação de empregos.”

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“Vimos construindo relações de negócios fenomenais, haja vista o número de empresas brasileiras que temos em nosso Estado e o número de companhias sediadas na Georgia que fazem negócios no Brasil.”

De 2010 a 2011, as exportações para o Brasil cresceram 27,1%, passando de US$ 1,2 bilhão. O País saiu da nona para a sétima posição do ranking dos principais mercados do Estado. No sentido contrário, as importações de produtos brasileiros saltaram 25%, para a casa dos US$ 810,3 bilhões no mesmo período.

Enquanto o Estado importa, principalmente, açúcar, madeira, borracha e maquinário em geral, o Brasil importa celulose, produtos químicos e equipamentos industriais.

Setores-chave

Cagle diz que vê com bons olhos as parcerias do setor aeroespacial, principalmente contratos entre Embraer e as americanas Boeing e Lockheed Martin, que têm fábricas no Estado. “Vemos grande sucesso nas parcerias do setor aeroespacial, com enorme colaboração comercial entre empresas em projetos militares que estão saindo do papel.”

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Na área de energia, ele destaca o crescimento da produção brasileira e elogia o pré-sal e as pesquisas em energias renováveis como motores da “independência energética” do País. “O Brasil é um país forte neste setor e que cada vez mais torna-se energeticamente independente, uma coisa que os Estados Unidos não estão fazendo. Há muita coisa que podemos aprender com o Brasil. O etanol continuará a ser uma grande oportunidade brasileira não só interna, mas externamente.”

“Estive no Brasil em 2008 para debater este assunto e agora estamos tendo a oportunidade de reacender as relações que iniciamos lá atrás nesta área”, lembra.

E a educação também não ficou de fora da lista de oportunidades. “A visita da presidente [Dilma Rousseff] está sendo muito bem recebida nos EUA e vejo como uma grande oportunidade de colaboração educacional de nível superior”, elogia. “Queremos trabalhar juntos neste programa com a [faculdade de tecnologia] Georgia Tech e com a Universidade da Georgia, que podem dar grandes contribuições a esse programa do governo brasileiro [Ciência Sem Fronteiras].”

Para o cônsul em exercício dos Estados Unidos em São Paulo, William Popp, que também participou do evento, a visita da presidente Dilma mostra a importância do renascimento dos contatos dos dois países. “Esse renascimento é positivo e um ponto-chave é o do papel dos Estados dos EUA vindo, individualmente, visitar o Brasil para promover comércio e contatos.”

 

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