Amcham: acordo que amplia teto de endividamento dos EUA deve restaurar gradualmente credibilidade da economia do país

por daniela publicado 02/08/2011 17h50, última modificação 02/08/2011 17h50
São Paulo- Gabriel Rico, CEO da Amcham, avalia que inicialmente não há impacto para as exportações brasileiras.
acordo_corpo.jpg

O acordo que aumenta o teto de endividamento dos Estados Unidos aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Barack Obama nesta terça-feira (02/08) deve restaurar a confiança na economia do país, avalia Gabriel Rico, CEO da Amcham.

“Acredito que esse acordo permite uma calma maior na atividade econômica e, gradualmente, um aumento no nível de credibilidade na economia americana”, afirma Rico.

O CEO avalia que, inicialmente, os cortes de despesas nos EUA não terão impacto negativo ao Brasil. “A redução dos gastos ocorrerá ao longo de dez anos. A única área em que se falou, por enquanto, de contenção de despesas é a militar, que nada tem a ver com a pauta de exportação brasileira para os EUA”, comenta o CEO da entidade.

Acordo

A legislação final aprovada pelos EUA aumentará o limite de endividamento do governo federal em US$ 400 bilhões e poderá ser seguida por mais duas elevações nos próximos meses. Uma redução inicial no déficit de US$ 917 bilhões acompanhará a primeira parte do aumento do teto da dívida.
No total, o plano prevê um aumento de cerca de US$ 2,4 trilhões no teto da dívida e um corte de pelo menos US$ 2,1 trilhões no déficit. Desta forma, o acordo afasta o risco de moratória.

Os Estados Unidos atingiram seu limite legal de endividamento público de US$ 14,3 trilhões no último dia 16/05.

Na avaliação de Gabriel Rico, o governo americano ganhou um prazo razoavelmente adequado para reduzir os seus custos. “Há um espaço de manobra para se cortar gastos para que o déficit não cresça na velocidade com que vinha se expandindo nos últimos anos e, por outro lado, há um teto de endividamento mais alto. Então, o acordo dá conforto ao governo”, explica.

Pelo acordo aprovado, a ampliação do teto de endividamento prevê um horizonte posterior às eleições americanas de 2012, medida considerada positiva por Rico. “Isso é importante para acalmar os mercados. Somente em 2013, se for necessário, poderá haver a discussão de uma nova elevação do teto das dívidas.”

Impacto nos EUA

O CEO da Amcham diz que as projeções de diversos economistas indicam que a redução de custos pelo governo americano terá pequeno efeito sobre o desempenho da economia – um impacto de aproximadamente 0,2% ao ano. “Isso é muito teórico porque a economia é movida a credibilidade. As grandes empresas americanas têm alto nível de liquidez, capacidade de fazer investimentos e, se o cenário político se acalma, existe a possibilidade de a iniciativa privada ter uma atuação relevante na economia”, enfatiza.

Gabriel Rico lembra ainda que, nos Estados Unidos, o papel do governo sobre a economia é muito menos intenso em comparação com a atuação do governo brasileiro nos negócios do País.

Plataforma política

Todas as discussões em torno do aumento do nível de endividamento dos EUA trouxeram à tona as posturas de cada parlamentar de ambos os partidos – Democrata e Republicano – sobre temas fundamentais ligados à economia do país.

“Em 2012, os eleitores americanos terão um nível de conhecimento maior para poderem fazer suas escolhas. A partir dessa crise, puderam identificar, por exemplo, quais parlamentares apostam na redução de custos do governo e quais defendem mudanças na política de impostos”, conclui Rico.

 

registrado em: