BNDES potencializa estratégias e desembolsos voltados ao comércio exterior brasileiro

por daniela publicado 26/07/2011 15h07, última modificação 26/07/2011 15h07
Daniela Rocha
São Paulo - Banco busca avançar no fomento das exportações de produtos e serviços de maior valor agregado, ressalta Guilherme Pfisterer, gerente da Divisão de Crédito à Exportação.
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que sempre foi mais reconhecido pelos financiamentos aos projetos de infraestrutura, reestruturação de empresas e fomento de pequenos e médios negócios, busca também potencializar suas estratégias de atuação e desembolsos voltados às operações de comércio exterior brasileiras.

“Recentemente, o banco tem se estruturado com a intenção de apoiar as exportações de bens e serviços de maior valor agregado e fortalecer as empresas brasileiras para concorrer no mercado internacional”, disse Guilherme Pfisterer, gerente da Divisão de Crédito à Exportação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em participação nesta terça-feira (26/07) no comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo.

A disponibilização de recursos nessa área tem sido crescente nos últimos anos, saindo de R$ 5,9 bilhões em 2005 e atingindo R$ 11,3 bilhões em 2010, sendo que a destinação por categorias foi de 54% para bens de capital, 39% para bens de consumo e 7% para serviços. O executivo lembrou que em  2009 houve um salto em relação ao ano anterior, totalizando R$ 8,3 bilhões na fase de enfrentamento à crise financeira internacional.

O BNDES atua no crédito pré-embarque, que consiste na oferta de capital de giro para a produção ou atividades ligadas à exportação e na linha pós-embarque, que visa garantir o financiamento das vendas que são feitas a outros países. Este último é destinado aos importadores, com atenção especial para empresas e governos que compram produtos ou contratam serviços brasileiros, principalmente os relacionados aos projetos de engenharia e obras de infraestrutura.

“O importador que compra uma máquina brasileira, por exemplo, precisa de prazo para pagá-la. Então, o exportador brasileiro traz o título cambial ao BNDES que paga à vista e o libera para outras atividades. Depois, o banco recebe do importador o pagamento desse título”, explicou Pfisterer sobre o funcionamento.

Estímulo

O BNDES tem usado a linha pós-embarque como mecanismo de estímulo dos negócios do País com América Latina (53%), Europa (30%), África (8%), América do Norte (7%) e Ásia (2%). “O Brasil ainda tem grande potencial a ser explorado com países visinhos”, afirmou o gerente.

Porém, ele destacou na Amcham que o governo federal, conforme declarações da presidente Dilma Rousseff, está buscando novas oportunidades de comércio e investimentos com os Estados Unidos, reconquistando espaços perdidos desde a eclosão da crise do subprime.

Para potencializar as exportações brasileiras ao mercado americano, os financiamentos pós embarque serão fundamentais, principalmente no cenário de turbulência atual na economia americana e risco de default

“Uma das consequências de crises financeiras são a retração da oferta de crédito e a aversão ao risco, sendo que o principal antídoto é a diminuição de prazos dos empréstimos. Quando apresentamos uma linha de até cinco anos, criamos condições de colocação dos produtos brasileiros naquele mercado”, considerou Guilherme Pfisterer.

Instituição internacional

A abertura de um escritório do BNDES em Londres em 2009 foi o ponto de partida para se tornar uma instituição internacional. De acordo com o gerente, estão em andamento estudos de como o banco fará captações de dinheiro e todas as questões fiscais relacionadas para que possa apoiar as companhias brasileiras que atuam no exterior, preenchendo parcelas de financiamentos que não podem se dar com recursos nacionais.

Ele ilustrou a questão considerando um contrato no valor de 100 unidades monetárias. Quando uma empresa vence uma concorrência no exterior, ela pode entrar com 80 unidades financiadas pelo banco a partir do Brasil. Já os 20 que consistem em gastos locais, e o BNDES não pode aportar recursos, seriam preenchidos por captação externa do banco.

“Nem tudo que é contratado sai do Brasil. Dessa forma, uma empresa que faz uma renovação da rede de gás em algum país da América do Sul tem de lidar com alguns serviços da localidade até por exigências operacionais, que hoje não cobertos com recursos nacionais. Com as captações no exterior, o BNDES será capaz de financiar 100%”, disse Pfisterer.

Acesso facilitado às PMEs

As pequenas e médias empresas brasileiras com faturamento anual de até R$ 60 milhões deverão ter  um novo impulso nas suas operações no mercado internacional a partir de agosto, anunciou Lúcia Helena Monteiro de Souza, assessora especial da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão integrante do Conselho de Governo para implementação de políticas para o setor.

Apesar de haver o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), os negócios de menor porte têm encontrado dificuldades de acessá-lo devido às exigências de garantias. Portanto, será colocado, em breve, à disposição desse segmento o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), hoje com patrimônio de R$ 14 bilhões.

Conforme Lúcia Helena, a lei foi modificada e a resolução da Camex com as condições operacionais já foi editada. “Agora, falta o texto do certificado de garantia, isto é, a apólice de seguro, com várias cláusulas, que está em fase final de elaboração pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional porque o Ministério da Fazenda será o órgão que dará o aval do crédito”, informou.

Atualmente, 400 pequenas e médias empresas acessam o Proex e a expectativa é que este número chegue a mil até o final de 2012.

No comitê da Amcham, Raphael Voltoline, gerente de Negociação Internacional da Gerência Regional de Comércio Exterior de São Paulo do Banco do Brasil, aproveitou para explicar quais são as principais modalidades de financiamento disponibilizadas pelo banco às empresas que atuam no mercado global.

No caso do Proex, que tem como beneficiárias as que faturam até R$ 600 milhões e para mercadorias elegíveis, a taxa de juros praticada é a Libor, que está hoje na casa de 0,9% ao ano, com liberação de 100 dos recursos nas operações com prazos de até dois anos e 85% dos valores nas de dois a dez anos.

 

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