Brasil deve investir na América do Sul para assegurar mercados locais de commodities e ampliar acesso à Ásia

por andre_inohara — publicado 21/05/2013 16h15, última modificação 21/05/2013 16h15
São Paulo – País tem necessidade de conquistar voz ativa em discussões sobre comércio mundial
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A corrente de comércio exterior brasileira continuará intensa junto às economias mais dinâmicas da América do Sul e Ásia, de acordo com a consultora Rosária Costa Baptista, diretora da RCB Comunicação Empresarial. Segundo ela, o acordo com a Aliança do Pacífico (bloco econômico formado em junho de 2012 por Chile, Colômbia, Peru e México) garante um canal importante de exportações de commodities tanto para essa região como a Ásia.

Para melhorar o relacionamento comercial, Rosária disse que o Brasil tem que investir na região. “Estamos extraindo carvão na Colômbia e minérios no Peru, e há espaço para melhorias nesses países. Com insumos e componentes brasileiros, esse bloco também poderia aumentar as exportações para a região da Ásia-Pacífico”, afirma. Rosária participou do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo na terça-feira (21/5).

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O Brasil, sob amparo do Mercosul, tem acordos de Complementação Econômica com todos os países da Aliança. Com o Chile, Colômbia e Peru o mercado brasileiro já está praticamente todo aberto. Em relação ao México, os acordos são bastante limitados, e o mais importante é o do setor automotivo.

Outra vantagem de produzir nesses países é ampliar o acesso ao mercado dos Estados Unidos e outros países com os quais o bloco tem acordos de livre comércio (Coreia do Sul, Japão e Sudeste Asiático). “Além dos equipamentos exportados para a extração dos minérios, vamos acabar importando esses produtos. Com isso, esses países facilitam mais as nossas exportações”, argumenta ela.

A construção de um relacionamento equilibrado é essencial. “Se a balança comercial pender demais para o lado do Brasil, aumentam as chances de o bloco criar barreiras tarifárias e importar produtos de outros lugares”, destaca Rosária.

Os desafios do comércio exterior brasileiro

Ao mesmo tempo, o País precisa trabalhar sua participação nas discussões mundiais que influenciarão o futuro do comércio. O Brasil precisa fortalecer seu relacionamento junto aos mercados desenvolvidos, para ser ouvido em questões técnicas. Os Estados Unidos e União Europeia (UE) lideram os debates sobre a padronização e regramento de novos produtos e formas de comércio, temas que o Brasil tem conhecimento para contribuir.

“Estamos falando de padronização de etiquetas ambientais, regras para aeronaves, máquinas e equipamentos que poderão ser aprovadas e, no futuro, se transformar em normas da OMC (Organização Mundial de Comércio)”, comenta ela.

A influência dos EUA e União Europeia é decisiva em qualquer assunto. “Quando eles apresentam alguma legislação ou regra, acaba sendo aprovada. É difícil não aceitarem.”

O mesmo ocorre em temas novos, como o comércio eletrônico. “Eles estão negociando entre si e nós não estamos participando. O comércio eletrônico é uma coisa importantíssima, que causa preocupação, e nem sabemos o que eles estão fazendo”, disse Rosária.

Os acordos em negociação

Embora a diplomacia brasileira busque formas de aumentar o comércio com os países ricos, é necessário manter relações estritas com a América Latina. “É uma opção preferencial e por afinidade”, disse Carlos Halfeld, chefe de Divisão de Aladi/ Mercosul da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

De acordo com ele, as negociações comerciais estão em andamento com todas as regiões. Com a União Europeia, o grande impasse é a questão agrícola. O bloco europeu tem ressalvas ao diálogo sobre a abertura de seu mercado ao agronegócio brasileiro, mas impõe condições restritivas ao comércio bilateral de bens industrializados.

“Temos que saber o que a UE vai oferecer na área agrícola, e na industrial, é difícil obtermos algum ganho”, comenta Halfeld.

Na América Latina, o Brasil conversa com diversos países para ampliar as áreas de negócios. “O México é um mercado interessante. Tem estrutura produtiva e acordos com outros países”, de acordo com o representante do MDIC.

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