Brasil deve priorizar acordos com EUA e flexibilizar câmbio, diz Vera Thorstensen

publicado 27/02/2014 14h09, última modificação 27/02/2014 14h09
São Paulo – Especialista simula acordos com Brasil e analisa efeito do câmbio no comércio internacional
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O Brasil ganha mais ao fechar acordos com os Estados Unidos, em vez da União Europeia, e se flexibilizar o câmbio com o objetivo de alavancar as exportações. Essas são as principais conclusões de um estudo da especialista em comércio internacional Vera Thorstensen, professora da EESP-FGV (Escola de Economia de São Paulo) e coordenadora do Centro de Comércio Global da FGV, que apresentou os dados no comitê aberto de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (26/02).

No mesmo encontro, o diretor de Normas e Competitividade no Comércio Exterior do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), André Fávero, apresentou o projeto do novo portal único, do governo federal, que pretende reduzir o tempo e os custos das operações de exportação e importação (leia mais aqui).

Ex-assessora econômica do Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio), ela avalia que o país está atrasado em realizar acordos preferenciais, numa época em que os principais atores mundiais já atuam por meio deles.

“Não podemos priorizar o Mercosul e, principalmente a Argentina, porque o peso deles no nosso comércio é nenhum”, afirma, com base em uma simulação de acordos entre o Brasil e União Européia, Estados Unidos, e blocos como TTIP (Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento) e TTP (Acordo Transpacífico). A análise considerou os PIBs dos países e a participação de seus setores econômicos na economia.

Com a União Européia, haveria aumento de 20% das exportações. No entanto, a agricultura brasileira colheria resultados positivos, enquanto a indústria nacional teria prejuízo. Já com os Estados Unidos, ambos os setores têm a ganhar, num crescimento de 10% do volume exportado do Brasil.

Câmbio desvalorizado

Além dos acordos comerciais, Vera Thorstensen também analisou o papel do câmbio nos resultados de exportação de 25 países. Nisso, o país também está perdendo, expõe a docente. A principal conclusão é que os países com taxas sobrevalorizadas, como Brasil, África do Sul e Austrália, têm efeito ao contrário em suas exportações, uma vez que as tarifas negociadas ou reduzidas saem anuladas.

Outro ponto importante e que deve ser discutido na OMC, ressalta a professora, é que as taxas de câmbio subvalorizadas de países como Estados Unidos, China e Alemanha, subsidiam suas exportações e as tarifas aplicadas ultrapassam os níveis consolidados junto ao organismo internacional.

“Não existe acordo, no comércio internacional, que não tenha câmbio no meio”, explica. “A valorização é literalmente mortal”, destaca.

Segundo Vera Thorstensen, esses desalinhamentos cambiais são substanciais e persistentes, além de afetarem ou anularem a maioria das regras da OMC, como tarifas, antidumping, medidas compensatórias, salvaguardas, regras de origem, retaliações e acordos regionais.

“A OMC não tem regras adequadas, ainda, para resolver a questão da taxa de câmbio”, acrescenta. 

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