Brasil e EUA começam diálogos setoriais, a partir dos quais será possível pensar em acordo mais amplo, diz embaixador Thomas Shannon

por andre_inohara — publicado 04/07/2012 11h40, última modificação 04/07/2012 11h40
São Paulo – Governo americano também trabalha para melhorar atendimento aos turistas brasileiros, ampliando o número de funcionários e sistemas internos.
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Brasil e Estados Unidos começam uma série de diálogos setoriais sobre vários assuntos e, após unir esses temas, será possível pensar em um acordo mais amplo, como mencionou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em visita ao Brasil em abril. Quem diz é o embaixador Thomas Shannon.

“Precisamos considerar, no futuro, um acordo de livre comércio e ver se o Brasil e os EUA podem basear o crescimento econômico em valores democráticos não só para a região e mundo”, afirmou na ocasião a secretária.

Na visão de Shannon, a visita que a presidente Dilma Rousseff fez aos Estados Unidos em abril elevou o nível das relações bilaterais, pois acordos importantes foram fechados na ocasião e outros começaram a ser discutidos.

Durante a cerimônia comemorativa ao aniversário de independência americana, na última segunda-feira (02/07) na Amcham-São Paulo, o embaixador destacou também que os EUA têm trabalhado para melhorar o atendimento de turistas brasileiros por meio do aumento de funcionários e estrutura física no País.

Leia a entrevista de Shannon ao site da Amcham:

Amcham: O que mudou nas relações Brasil-EUA depois da visita da presidente Dilma aos EUA, em abril?

Thomas Shannon: Nossos países estão aprofundando relações a cada dia. A visita da presidente Dilma foi importante para lançar uma série de acordos em áreas como aviação, comércio e saúde pública, o que vai permitir aos dois países ter uma vinculação cada vez mais forte.

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Amcham: Na ocasião, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mencionou a possibilidade de um tratado de livre comércio entre o Brasil e os EUA. Como anda o diálogo bilateral a respeito do assunto?

Thomas Shannon: Temos acordos para promoção do comércio e cooperação econômica, e estamos começando uma série de diálogos setoriais sobre vários temas. Creio que, após unir esses temas, poderemos começar a pensar em um acordo maior, como falou a secretária Clinton.

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Amcham: A Amcham está trabalhando para estimular estágios no exterior para participantes do programa Ciência Sem Fronteiras. Como o sr. vê essa iniciativa?

Thomas Shannon: A Amcham está fazendo um trabalho excelente. Além de incentivar o ambiente de negócios no Brasil, a entidade também está atuando como base de informações e suporte para os estudantes que têm interesse em trabalhar nos EUA.

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Amcham: Cada vez mais turistas brasileiros optam pelos EUA como destino em viagens de lazer ou trabalho. O que o governo dos EUA planeja novas ações para atender à demanda crescente?

Thomas Shannon: Estamos atuando em diversas frentes. Para atender aos pedidos de vistos, aumentamos o número de oficiais que estão trabalhando nos consulados, bem como nossa capacidade física. Também melhoramos nossos sistemas, para assegurar que os vistos saiam o mais rápido possível.

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Amcham: O Congresso americano está votando a nova lei agrícola (Farm Bill) do país. Um acordo entre Brasil e EUA para que não houvesse retaliação no caso do algodão previa uma reforma ampla da Farm Bill, mas o projeto que tramita parece não atender às expectativas brasileiras. Qual a sua expectativa quanto a esse tema?

Thomas Shannon: Acho que há uma evolução positiva, mas temos que aguardar até nosso congresso aprovar ou não a lei agrícola. O Executivo já externou aos parlamentares a importância da relação com o Brasil, e vamos continuar aguardando os desdobramentos.

Amcham: Neste mês de julho, a Secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano (Department of Homeland Security), virá ao Brasil. O que se pode esperar dessa visita?

Thomas Shannon: Essa é uma excelente oportunidade de reforçar a colaboração bilateral na área de segurança e luta contra o tráfico de pessoas. A secretária Napolitano tem muita experiência, foi governadora do Arizona (2003-2009) antes de entrar no gabinete do presidente Obama, e acho que será uma excelente interlocutora para esses assuntos.

Por: André Inohara

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