Brasil Econômico: Estados Unidos se voltam para a agenda comercial do Brasil

publicado 15/04/2015 09h38, última modificação 15/04/2015 09h38
São Paulo - CEO da Amcham, Gabriel Rico, comenta no jornal a visita que a presidenta Dilma Rousseff fará aos EUA em junho deste ano marcando novo capítulo da relação bilateral

No próximo dia 30 de junho, a presidente Dilma Roussef inicia visita oficial aos Estados Unidos, marcando novo capítulo da relação bilateral. O jornal Brasil Econômico traz hoje reportagem com o CEO da Amcham, Gabriel Rico, analisando as expectativas em torno da viagem da presidente e possíveis ganhos comerciais da nova agenda comercial Brasil-EUA. Confira:   

Estados Unidos se voltam para a agenda comercial do Brasil

Visita que a presidenta Dilma Rousseff fará aos EUA em junho deste ano marcará novo capítulo nas relações bilaterais entre os países

Patricia Büll
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São Paulo - Enquanto aguardava o avanço das negociações para a visita de Estado da presidenta Dilma Rousseff aos EUA, o setor produtivo de ambos os países trabalhava nos bastidores para que as negociações comerciais avançassem. Empresas como Eliana Revestimentos e Lef Cerâmica devem sentir os efeitos positivos desse esforço, já que o segmento de cerâmica e porcelanato foi o primeiro a assinar o acordo de convergência regulatória — eleito pelos países como o primeiro passo para a facilitação do comércio bilateral. Executivos das duas empresas participam em Orlando, até o dia 17, de uma das maiores feiras da indústria de revestimentos da América do Norte, a Converings.
“A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) vinha defendendo há tempos justamente que a agenda comercial do Brasil fosse menos ideológica e mais pragmática. Afinal, os Estados Unidos são a principal economia do mundo e o Brasil precisa ter uma presença mais efetiva naquele mercado”, afirma o vice-presidente da AEB, Fábio Faria. Para ele, a visita que a presidente fará em 30 de junho aos EUA confirma que o país optou pelo caminho pragmático, iniciado com a visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, ao Departamento do Comércio americano no início deste ano: “É graças a esse encontro que empresas do setor cerâmico poderão se beneficiar do acordo de convergência regulatória, primeiro ato concreto da reaproximação”.
Assim como Faria, o CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico, vê na visita da Dilma Rousseff mais do que um evento diplomático. “Esse encontro era aguardado com muita expectativa por ambos os lados, pois existia certo inconformismo com o distanciamento diplomático entre os países, já que na parte comercial a interação é bastante intensa e tradicional”, afirma. Ainda assim, diz Rico, toda vez que a diplomacia estreita relações, isso sempre acaba gerando mais segurança para os dois lados negociarem.
Na opinião de Rico, essa segurança aumenta também na medida em que diminuem os entraves burocráticos — “muito bem capitaneados” pelo Ministério do Desenvolvimento. “Brasil e Estados Unidos acordaram em reduzir a burocracia e o tempo de desembaraço das cargas de ambos os lados. São ações assim que fazem as empresas priorizarem o comércio bilateral”, diz o CEO da Amcham.
Embora permaneça como o principal parceiro comercial do país, a relevância dos EUA na pauta exportadora brasileira já foi maior. No início dos anos 2000, por exemplo, 25% de tudo que o Brasil exportava tinham como destino o mercado americano. Esse porcentual foi diminuindo nos últimos anos e, em 2014, caiu para 12% do total.
“Falar simplesmente em recuperação dessa participação não faz sentido, porque os mercados mudaram muito e rapidamente. Ainda assim, o Brasil tem uma real oportunidade de exportar manufaturas e semi-acabados no momento em que os Estados Unidos voltam a crescer. Os acordos entre os setores, voltados à regulamentação e redução de burocracia, devem ampliar essas oportunidades”, diz Rico. Além de cerâmica, já estão avançadas as negociações para os setores têxtil e de máquinas e equipamentos.

Conquistar espaço vai muito além do aperto de mãos

Para Faria, da AEB, a dificuldade em recuperar o espaço vai além das negociações. Ele lembra que o Brasil perdeu no ano passado o direito ao Sistema Geral de Preferência (SGP) — criado para que mercadorias de países em desenvolvimento tenham acesso privilegiado aos mercados desenvolvidos.
“O SGP nos dava uma vantagem tributária que não temos mais. Ainda assim, acredito que há espaço para continuar a ter nos Estados Unidos um mercado importante, especialmente nessa nova realidade cambial”, afirma Faria, referindo-se à desvalorização do real em comparação ao dólar, que devolve competitividade ao produto brasileiro: “Mas para que isso ocorra é preciso que o câmbio se mantenha alinhado, para que as empresas consigam precificar de forma correta seus produtos”.

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